De Cuba à China, o regime comunista

Chama-se Guillermo “Coco” Fariñas, é considerado o líder da oposição cubana, vencedor do Prémio Sakharov 2010, do Parlamento Europeu, coordenador-geral da FANTU, a Frente Antitotalitario Unido: uma vez mais é vítima do duro regime comunista no poder na ilha. A 9 de Dezembro, foi preso na sua casa de Santa Clara, retirado por agentes de segurança e enfermeiros e, portanto, levado de ambulância para o Departamento de Pneumologia do Hospital Arnaldo Milián Castro, obviamente contra a sua vontade, como referiu a sua filha Haisa via Twitter.       

Não é a primeira vez, longe disso. As suas detenções, ordenadas por Apparatčik, são contínuas. Em menos de um mês já foi sequestrado um par de vezes, sem sequer um pedaço de uma ordem judicial. Tal como ele, dezenas de outros activistas são atirados para celas de uma prisão ou mantidos em estado de sítio dentro das suas casas.     

No dia anterior ao blitz, ele e Berta Soler, a líder das Damas de Branco, também vencedora do Prémio Sackarov, tinham feito mais um apelo à União Europeia, apelando a uma intervenção que escandalosamente nunca chegou, dado que o Acordo de Diálogo Político e de Cooperação, assinado há cinco anos entre a UE e Cuba, tem sido repetidamente e clamorosamente violado por ambas as partes. Um silêncio cúmplice da parte de uma Europa cada vez mais latente, insignificante e politicamente submissa, precisamente numa altura em que se torna máxima a virulência do regime comunista cubano.          

Também na China, a situação tornou-se mais grave, com a lei de segurança nacional a ser mal utilizada como um cacete nas mãos do poder: em Hong Kong houve 155 detidos, alguns deles com mais de 80 anos; 50 grupos a favor da democracia foram desmantelados, incluindo partidos, sindicatos e instituições religiosas.   

Um clima de terror aproxima-se com vista às eleições parlamentares de 19 de Dezembro, as primeiras após o lançamento de uma reforma eleitoral desejada pelo governo chinês e estudada ad hoc para favorecer apenas os candidatos “patrióticos”, ou seja, comunistas. As forças da ordem já avisaram que qualquer pessoa que incitar a votar em branco ou nulo poderá ser perseguida. Também os meios de comunicação social acabaram sob a mira do regime: no Verão passado, o jornal independente Apple Daily foi encerrado; uma outra publicação, Initium, mudou a sua sede para Singapura; a correspondente do Economist, Sue-Lin Wong, foi expulsa sem explicação; um dos fundadores do canal televisivo DB Channel, Frankie Fung, foi preso juntamente com 47 outras pessoas, todos sob a acusação de subversão; e um antigo burocrata está agora encarregue da televisão pública da cidade. A lista poderia, infelizmente, continuar...      

Também neste caso, o silêncio internacional é impressionante: ninguém se pronuncia, como se o que está a acontecer fosse administração ordinária. E é esta solidão absoluta, este deserto invencível, a que os chineses foram abandonados, especialmente, entre eles, os católicos, o aspecto mais desconcertante e desumano de todo este dramático caso.

Mauro Faverzani      

Através de Radio Roma Libera

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