Abusos na França: começa o assalto à Confissão

Os sacerdotes católicos na França «devem referir as acusações de abuso ouvidas em Confissão». É esta a exigência absoluta do Ministro do Interior da República Francesa ao Presidente da Conferência Episcopal durante o encontro, de ontem à tarde, no Ministério do Interior. Para o Ministro do Governo Macron, nada pode estar acima das leis da República, nem sequer a ordem de Jesus do segredo confessional, como o havia feito e reiterado o Presidente dos Bispos Católicos.

Segundo as interpretações jornalísticas, vazadas pelo Governo, os sacerdotes católicos devem referir à polícia todas as acusações de abusos sexuais de menores, mesmo que tomem conhecimento delas no segredo da Confissão. A França está abalada com a publicação, na semana passada, de um relatório independente sobre os abusos na Igreja de 330.000 menores e adultos vulneráveis ​​nos últimos 70 anos, sobre o qual permanecem muitas dúvidas. A Igreja Católica francesa expressou “vergonha” depois da publicação do relatório.    

O Presidente dos Bispos franceses, Eric de Moulins-Beaufort, que inicialmente expressara «vergonha e horror» pelo relatório, reiterou, porém, que não poderia aceitar uma das recomendações da Comissão Independente de investigação nomeada pela própria Conferência Episcopal, com a qual se pedia aos sacerdotes que informassem a polícia de todos os casos de abusos sobre crianças de que tenham conhecimento durante o sacramento da Confissão.     

Mons. Moulins-Beaufort, líder da Conferência Episcopal da França, dissera, à Franceinfo, a 6 de Outubro, que «o segredo da Confissão é um requisito e continuará a ser um requisito – num certo sentido, está acima das leis da República. Cria um espaço livre para falar diante de Deus, é-nos imposto».          

Na sequência desta simples e sincera afirmação, o Ministro do Interior decidiu convocar, ontem, o Presidente da Igreja Católica para uma longa reunião em que esclareceu que «o segredo profissional – incluindo o do confessionário católico – não se aplica às revelações de casos potencialmente criminais de violência sexual contra crianças e que os sacerdotes são obrigados a denunciar à polícia e à justiça».                 

Segredo profissional? A vocação sacerdotal é uma profissão? O mandamento evangélico da Confissão seria um segredo profissional entre o sacerdote e o penitente? Não, faltam aqui os fundamentos da compreensão da religião católica e do ditame evangélico. A escolha de solicitar e aceitar da Comissão de peritos uma lista de recomendações, inclusive doutrinárias, está além de qualquer lógica e de qualquer mandato para investigar casos de abusos.        

O Presidente da Comissão Independente sobre Abusos Sexuais na Igreja (CIASE), Jean-Marc Sauvé, reiterou a sua recomendação sobre a revogação do sigilo confessional na segunda-feira, 11 de Outubro, numa entrevista a Famille Chretienne, dizendo: «A obrigação de proteger a vida das pessoas é, do nosso ponto de vista, superior à obrigação do segredo da Confissão, que visa, em particular, proteger a reputação do penitente».

Quer-se atacar a Igreja Católica e a sua doutrina pela culpa e com a desculpa de uma nunca demonstrada e, até agora, hipotética massa de sacerdotes abusadores? Sim. Imediatamente após o encontro com o Presidente dos Bispos franceses, o Ministro Darmanin foi à Assembleia Nacional, para contar como persuadira os bispos católicos e a Igreja da França, e foi aplaudido pelos parlamentares presentes quando disse: «Disse-lhe o que digo a todas as religiões: não há nenhuma lei superior às leis da Assembleia Nacional e do Senado... A República Francesa respeita todas as religiões quando respeitam a República e as leis da República».       

Antes da convocatória ao Ministério do Interior, a Igreja Católica e a doutrina do segredo confessional foram severamente atacadas pelo Ministro da Justiça, Eric Dupond-Moretti, numa entrevista, de 8 de Outubro, na qual dizia que «os eclesiásticos católicos têm uma obrigação imperativa, quando tiverem conhecimento de actos de pedofilia durante a Confissão, de avisar as autoridades para que ponham fim a esses actos. Se um sacerdote recebe, no âmbito da Confissão, seja de uma vítima ou de um executor, o conhecimento da existência de actos pedófilos e de abusos, tem a obrigação imperiosa de denunciar e, caso não o faça, pode ser condenado».  

O comunicado da Conferência Episcopal Francesa, divulgado ontem à noite, após o encontro da tarde entre o Presidente dos Bispos e o Ministro do Interior, deixa-nos perplexos: «Mons. Éric de Moulins-Beaufort pôde discutir com M. Gérald Darmanin a formulação desajeitada da sua resposta, na Franceinfo, na manhã de quarta-feira [inviolabilidade do segredo da Confissão]. A tarefa do Estado é organizar a vida social e regular a ordem pública. Para nós, cristãos, a fé apela à consciência de cada pessoa, chama à procura do bem sem tréguas, o que não pode ser feito sem respeitar as leis do País. Portanto, é necessário trabalhar para reconciliar a natureza da Confissão com a necessidade de proteger as crianças. Já existe uma estreita cooperação com as autoridades francesas. Este é o significado, por exemplo, dos protocolos que já vinculam 17 dioceses da França com as procuradorias, para facilitar e acelerar o tratamento das sinalizações de qualquer acto denunciado. Os bispos da França, reunidos em assembleia plenária, de 3 a 8 de Novembro de 2021, trabalharão juntos, com base no relatório da CIASE e nas suas 45 recomendações, sobre as medidas e as reformas a serem perseguidas e empreendidas, em estreita comunhão com a Igreja universal».  

O que é “desajeitado” em defender o segredo confessional e a ordem de Jesus? Então, a Igreja da França cederá às ameaças e reivindicações de Macron, depois de milhares de sacerdotes morreram por terem rejeitado as pretensões de Robespierre?                

Luca Volontè

Através de La Nuova Bussola Quotidiana          

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2 Comentários

  1. 330 000 menores abusados!!! É um número redondo que impressiona mas é precisamente por ser tão redondo que se vê logo que é falso. Entre quem terá sido ele combinado? Obviamente entre os maçons de dentro e de fora! De dentro e de fora de onde? Da Igreja! Acabai com a penitência e com o arrependimento que está na base da conversão que é necessária ao mundo, tal como outrora Jonas anunciava em Ninive e como Nª Sra. de Fátima ainda hoje o fizera, há 104 anos. Padres e confessores são todos uns malandros que se encobrem uns aos outros, é isto que os poderes do Great Reset e a Presstituta nos vêm dizer: "Não confiem neles! São todos pedófilos! Não estão a ver o embaraçoso incómodo do Vaticano( isto é, os maçons de dentro) ?" É a guerra aos sacramentos e, em particular, ao sacramento da Penitência, tão necessária nos tempos que vivemos. Os de dentro sabem bem onde atacar porque, por meio dele, se invalida o maior de todos os sacramentos.

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  2. Abusos na França: começa o assalto à Confissão.

    eu sempre achei que estes nºs eram exagerados, tudo serve para destruir a Santa Igreja,

    Os maiores crimes de pedofilia, são aqueles que são cometidos, na família, pais, padrastos, tios, conhecidos das crianças, irmãos mais velhos, primos, colegas até mais velhos de escola.

    Os crimes de pedofilia existentes na Igreja, vem daqueles que deixaram entrar nos seminários, pedófilos profissionais com uma agenda bem direcionada.

    Era preciso desacreditar a Santa Igreja e tem de ser por dentro, então é a pedofilia, e são os dinheiros.

    Agora, que se sabe, quem são e aonde estão e aonde se encontram estes tipos, é expulsa-los, serem excomungados, e entregues à justiça e cadeia com eles.

    é melhor não ter padres, do que os ter desta maneira, asquerosa, nojenta, criminosa.

    Quanto ao segredo da Confissão, é inegociável.

    Arre, que é demais.

    Meu Deus, como podemos viver com tantos ataques.

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