«Esta farsa colapsará, desmoronará inexoravelmente», assevera Mons. Viganò sobre o Great Reset

O portal Dies Iræ recebeu, de Mons. Carlo Maria Viganò, a comunicação que o antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América realizou, no passado dia 15 de Maio, por ocasião do encontro da Confederação dos Triarii, organizado por Massimo Viglione. Na extensa intervenção, o Arcebispo Viganò aponta, de forma clara, todas as falácias que têm vindo a ser promovidas ao longo do tempo para a instauração da Nova Ordem Mundial e prossecução do Great Reset. Apresenta-se a tradução portuguesa da referida comunicação.


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15 de Maio de 2021
Sabbato post Ascensionem

Vos ex patre Diabolo estis,
et desideria patris vestri vultis facere.
Jo 8, 44

Agradeço sinceramente ao caro Professor Massimo Viglione que quis convidar-me a participar – por assim dizer remotamente – na Conferência que organizou como Presidente da Confederação dos Triarii. Dirijo também as minhas mais calorosas saudações a cada um dos ilustres participantes deste evento. Permitam-me que vos expresse a minha profunda estima e o meu mais fervoroso agradecimento pelo vosso corajoso testemunho, pelos contributos esclarecedores e pelo incansável empenho que não cessais de prodigalizar, de forma mais premente e incisiva desde Fevereiro do ano passado. Encorajo-vos a não recuar e a não desarmar nesta batalha mortal que todos nós somos chamados a combater nesta hora funesta da História, como nunca no passado. «Finalmente, tornai-vos fortes no Senhor e na sua força poderosa. Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos manterdes de pé contra as maquinações do diabo. Porque não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus. Por isso, tomai a armadura de Deus, para que tenhais a capacidade de resistir no dia mau e, depois de tudo terdes feito, de vos manterdes firmes» (Ef 6, 10-13). A breve reflexão que estou para vos apresentar é, de certa, forma uma antecipação, em forma reduzida, do meu discurso no Summit de Veneza que se realizará no próximo dia 30 de Maio, organizado pelo Prof. Francesco Lamendola, que contará com a participação de alguns de vós.      

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Quando Estaline decidiu, em 1932, eliminar milhões de ucranianos no genocídio que foi o Holodomor, ele planeou uma carestia confiscando os alimentos, proibindo o comércio, proibindo as viagens, censurando aqueles que relatavam os factos. Este crime contra a humanidade, recentemente reconhecido por muitos Estados do mundo, foi conduzido de uma maneira não muito diferente daquelas adoptadas com a chamada “emergência pandémica” pelo Great Reset.        

Um camponês ucraniano poderia ter-se questionado: “Por que Estaline não envia suprimentos, em vez de proibir a abertura das lojas e qualquer movimento? Não se apercebe que assim nos faz morrer de fome?”. No entanto, um observador não afectado pela propaganda comunista ter-lhe-ia respondido: “Porque Estaline quer eliminar todos os ucranianos e culpa a carescia que conscientemente provocou para esse propósito”. Teria cometido o mesmo erro daqueles que, hoje, na presença de uma suposta pandemia, se perguntam por que os Governos destruíram previamente a saúde pública, enfraqueceram os planos pandémicos nacionais, proibiram os tratamentos eficazes, administraram terapias prejudiciais, se não mortais, e, hoje, estão a forçar os cidadãos, sob a chantagem de perpetuar bloqueios, recolher obrigatório e green pass inconstitucionais, a submeter-se a vacinas que não só não garantem imunidade, mas envolvem graves efeitos colaterais a curto e longo prazo, além de disseminar formas mais resistentes de vírus.          

Procurar uma lógica no que nos é dito pelos grandes media, pelos governantes, pelos virologistas e pelos chamados “especialistas” é praticamente impossível, mas essa irracionalidade encantadora desaparece e cai na mais cínica racionalidade se apenas invertermos o nosso ponto de vista. Ou seja, devemos renunciar a pensar que os nossos governantes agem para o nosso bem e, mais geralmente, que os nossos interlocutores são honestos, sinceros e animados por bons princípios.                

Claro, é mais fácil pensar que a pandemia seja real, que exista um vírus mortal que mata milhões de vítimas e que governantes e médicos devam ser apreciados pelo esforço feito diante de um acontecimento que os apanhou a todos despreparados; ou que o “inimigo invisível” seja efectivamente derrotado pela vacina prodigiosa que as empresas farmacêuticas, com espírito humanitário e sem nenhum interesse económico, produziram em muito pouco tempo. E, depois, há os parentes, os amigos e os colegas que nos olham como se fôssemos loucos, que nos chamam de “teóricos da conspiração” ou – como algum intelectual conservador começa a fazer comigo – que nos acusam de exasperar os tons de um confronto que, se moderado, ajudaria a compreender os termos da questão. E se os nossos amigos frequentam a paróquia, ouviremos a resposta de que Francisco também recomendou as vacinas, que o professor fulano de tal afirmou serem moralmente aceitáveis mesmo se produzidas com fetos abortivos, pois – avisam-nos – quem hoje critica a vacina contra o COVID aceita as administradas até agora, mesmo que também sejam obtidas com abortos.      

A mentira seduz muitos, até mesmo entre os conservadores e os próprios tradicionalistas. Também nós, certas vezes, achamos difícil acreditar que os operadores da injustiça estão tão bem organizados, que tenham conseguido chegar a manipular a informação, a chantagear os políticos, a corromper os médicos, a intimidar os comerciantes, a forçar biliões de pessoas a usar um açaimo inútil e a considerar a vacina como a única possibilidade de escapar à morte certa. No entanto, bastaria ler as orientações que a OMS redigiu, em 2019, a respeito do “COVID-19” que estava por vir, para entender que só existe um guião sob uma única direcção, com actores que cumprem o seu papel e uma claque de periodiqueiros que falseiam descaradamente a realidade.

Observemos toda a operação de fora, procurando identificar os elementos recorrentes: a inconfessibilidade do desígnio criminoso da elite; a necessidade de encobri-lo com ideais aceitáveis; a criação de uma situação de emergência para a qual a elite já planeou a solução, de outra forma inaceitável. Pode ser um aumento dos fundos destinados às armas ou um reforço dos controlos imediatamente após o ataque às Torres Gémeas, a exploração dos recursos energéticos do Iraque com o pretexto de que Saddam Hussein possui a arma química e bacteriológica, ou a transformação da sociedade e do trabalho depois de uma pandemia. Atrás está sempre uma desculpa, uma causa aparente, qualquer coisa de falso que esconde a realidade: uma mentira, enfim, uma fraude.   

A mentira é a marca registada dos artífices dos Great Reset dos últimos séculos: a Pseudo-Reforma Protestante, a Revolução Francesa, o Ressurgimento, a Revolução Russa, os dois conflitos mundiais, 1968 e a queda do Muro de Berlim. De cada vez, se notarmos, o motivo aparente dessas revoluções nunca correspondia ao real.          

Nesta longa série de Great Reset organizados pela mesma elite de conspiradores, nem mesmo a Igreja Católica conseguiu escapar. Pensemos: o que nos diziam os liturgistas do Concílio quando nos quiseram impor a Missa reformada? Que o povo não percebia, que a liturgia tinha de se tornar compreensível, para consentir uma maior participação dos fiéis. E, em nome daquela prophasis, daquele falso pretexto, não traduziram a Missa apostólica, mas inventaram outra, porque queriam eliminar o principal obstáculo doutrinal ao diálogo ecuménico com os Protestantes, doutrinando os fiéis à nova eclesiologia do Vaticano II.           

Como todas as fraudes, as que são tramadas pelo diabo e pelos seus servos baseiam-se em falsas promessas que nunca serão cumpridas, em troca das quais cedemos um certo bem que não nos será devolvido. No Éden, a perspectiva de nos tornarmos como deuses levou à perda da amizade com Deus e à condenação eterna, que só o Sacrifício redentor de Nosso Senhor foi capaz de reparar. E Satanás também tentou Nosso Senhor, como sempre, mentindo: «Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-o a quem me aprouver. Se te prostrares diante de mim, tudo será teu» (Lc 4, 6-7). Mas nada do que Satanás oferecia a Nosso Senhor era realmente seu, nem poderia dá-lo a quem queria, muito menos Àquele que é Senhor e Mestre de tudo. A tentação do diabo baseia-se no engano: o que podemos esperar daquele que é «assassino desde o princípio» (Jo 8, 44), «mentiroso e pai da mentira» (ibid.)?

Com a pandemia, contaram-nos gradualmente que o isolamento, os bloqueios, as máscaras, os recolheres obrigatórios, as Missas in streaming, o ensino à distância, o smartworking, os recovery funds, as vacinas, os green pass nos permitiriam sair da emergência e, acreditando nessa mentira, renunciámos a direitos e estilos de vida que eles nos avisam que nunca mais voltarão: «Nada será como antes». O “novo normal” representará, de qualquer modo, uma concessão, para a qual aceitaremos a privação da liberdade que tínhamos como certa, e desceremos a compromissos sem entender o absurdo da nossa condescendência e a obscenidade das reivindicações de quem nos chefia, dando-nos ordens tão absurdas a ponto de exigir realmente uma abdicação total da razão e da dignidade. A cada passo, uma nova volta do parafuso, mais um passo em direcção ao abismo: se não pararmos nesta corrida para o suicídio colectivo, nunca mais voltaremos.         

É nosso dever revelar o engano deste Great Reset, pois é atribuível a todos os outros assaltos que, ao longo da história, tentaram tornar vã a obra da Redenção e estabelecer a tirania do Anticristo. Porque isso é realmente o que os artífices do Great Reset almejam. A Nova Ordem Mundial – em significativa associação com o Novus Ordo conciliar – subverte o cosmos divino para espalhar o caos infernal, no qual tudo o que a civilização construiu laboriosamente ao longo dos milénios, sob a inspiração da Graça, é derrubado e pervertido, corrompido e eliminado.           

Ocorre que cada um de nós compreenda que o que acontece não é fruto de uma infeliz sequência de acasos, mas responde a um plano diabólico – no sentido de que por trás de tudo isso está o Maligno – que, ao longo dos séculos, persegue um único fim: destruir a obra da Criação, tornar ineficaz a Redenção e eliminar cada traço de Bem na terra. E, para alcançar este fim, o último passo é a instauração de uma sinarquia em que comandam alguns tiranos sem rosto, sedentos de poder, dedicados ao culto da morte e do pecado, ao ódio da vida, da virtude e da beleza, porque nestes resplandece a grandeza daquele Deus contra o qual ainda hoje clamam o seu infernal «Non serviam». Os membros desta seita amaldiçoada não são apenas Bill Gates, George Soros ou Klaus Schwab, mas aqueles que tramam nas sombras, desde há séculos, para derrubar o Reino de Cristo: os Rothschilds, os Rockefellers, os Warburgs e aqueles que, hoje, se aliaram aos líderes da Igreja, usando a autoridade moral do Papa e dos Bispos para convencer os fiéis a vacinar-se.  

Sabemos que a mentira é o emblema do diabo, o símbolo distintivo dos seus servos, a marca de reconhecimento dos inimigos de Deus e da Igreja. Deus é Verdade, o Verbo de Deus é verdadeiro e Ele mesmo é Deus: dizer a verdade, gritá-la dos telhados, revelar o engano e os seus artífices é uma obra sagrada e o Católico – como quem ainda tenha conservado um mínimo de dignidade e de honra – não pode fugir a este dever. 

Cada um de nós foi pensado, querido e criado para dar glória a Deus e fazer parte de um grande desígnio da Providência: desde a eternidade, o Senhor chamou-nos a partilhar com Ele a obra da Redenção, a cooperar para a salvação das almas e para o triunfo do bem. Cada um de nós, hoje, tem a possibilidade de escolher se estar ao lado de Cristo ou contra Cristo, se combater pela boa causa ou tornar-se cúmplice dos que praticam a iniquidade. A vitória de Deus é certíssima, como certo é o prémio que aguarda aqueles que fazem a escolha de campo ao lado do Rei dos reis; e certa a derrota daqueles que servem o Inimigo, certa a sua condenação eterna.            

Esta farsa colapsará, desmoronará inexoravelmente! Comprometamo-nos todos, com renovado zelo, para que seja restituída ao nosso Rei aquela coroa que os Seus inimigos Lhe arrebataram. Exorto-vos a fazer reinar Nosso Senhor nas vossas almas, nas famílias, nas vossas comunidades, no Estado, no trabalho, na escola, nas leis e nos tribunais, nas artes, na informação, em todos os âmbitos da vida privada e pública.  

Acabamos de celebrar as Aparições da Virgem Imaculada aos Pastorinhos de Fátima: recordemos a advertência de Nossa Senhora sobre os perigos e as punições que esperam o mundo se não se converter e fizer penitência. «Esta espécie de demónios não se expulsa senão à força de oração e de jejum» (Mt 17, 21), diz o Senhor. Enquanto esperamos que um Papa atenda plenamente aos pedidos da Mãe de Deus, consagrando a Rússia ao Seu Imaculado Coração, consagramo-nos a Ela, assim como as nossas famílias, perseverando na vida da Graça sob o estandarte de Cristo Rei. Reine com Ele também a nossa Santíssima Mãe e Rainha, Maria Santíssima. 

Carlo Maria Viganò, Arcebispo    

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