São José, auxílio na crise económica (2.ª parte)

Este é um período de gravíssima crise económica: muitos perderam o emprego e muitos outros estão em grande dificuldade devido às políticas adoptadas para combater a pandemia do COVID-19. Torna-se, pois, urgente recorrer à poderosa intercessão de São José, modelo e padroeiro de todos os trabalhadores. 

A tradição conta que José era carpinteiro, mas, mais precisamente, o evangelista Mateus diz que Jesus era filho de um carpinteiro. Isto significa que a conduta de José e da sua família, embora sóbria, austera e simples, era uma vida digna, não de indigência, como muitas vezes se prega.       

De linhagem nobre  

Não devemos esquecer que José era da linhagem do Rei David, por conseguinte, era nobre. Tal servia para garantir a Jesus, o Messias, a descendência davídica, conforme profetizado no Antigo Testamento. Nobre e artesão, portanto, José, que incorpora todas as condições de vida. Nobre que, porém, viveu do trabalho, lutando para sustentar a família, suando e sofrendo, conformando-se à vontade divina em todos os momentos, mesmo nos mais duros e difíceis.        

«Todos os cristãos, independentemente da condição e do estatuto, têm bons motivos para se confiar e se abandonar à amorosa tutela de São José. [...] Os nobres, tendo colocado a imagem de José diante deles, aprendam a manter a sua dignidade mesmo nas adversidades; que os ricos entendam que bens é oportuno desejar com ardente avidez e dos quais fazer tesouro» (Leão XIII, Quamquam pluries).  

«Nas veias de São José corre o sangue de David, de Salomão e de todos os nobres Reis de Judá, e se a sua própria dinastia tivesse continuado a reinar, ele teria sido o herdeiro do trono e teria que ocupá-lo. Não pareis a considerar a sua pobreza actual: a injustiça tirou a sua família do trono a que tinha direito, mas isso não significa que ele deixe de ser Rei, filho daqueles Reis de Judá, os maiores, os mais nobres, os mais ricos do universo. Mesmo nos registos de nascimento de Belém, São José será registado e reconhecido, pelo governador romano, como herdeiro de David: este é o seu pergaminho real, facilmente reconhecível e que leva a sua assinatura real. [...] São José recebeu uma educação apurada no Templo e, por isso, Deus preparou-o para se tornar um nobre servo do seu Filho, o cavaleiro do mais nobre Príncipe, o protector da mais augusta Rainha do universo» (São Pedro Julião Eymard).    

Padroeiro dos trabalhadores          

Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a festa de São José Operário, estabelecendo que fosse celebrada no dia 1 de Maio, para indicar ao mundo a solicitude da Igreja pelos trabalhadores e pelo mundo do trabalho. Na verdade, a doutrina social católica não tem nada a aprender ou a pedir em empréstimo de outras ideologias: «Jesus Cristo – disse o Papa – não espera que se Lhe abra o caminho para penetrar as realidades sociais com sistemas que não derivam d’Ele, chamam-se a esses “humanismo secular” ou “socialismo expurgado do materialismo”» (Discurso de 1 de Maio de 1955).     

«Os proletários, os operários e os menos favorecidos devem, por um título ou por direito próprio, recorrer a São José e aprender dele o que devem imitar. Na verdade, ele, embora de linhagem real, unido em matrimónio com a mais santa e excelsa das mulheres, e pai putativo do Filho de Deus, passa a vida no trabalho e, com a sua obra e arte, procura o necessário para o sustento dos seus.    

Se reflectirmos com sabedoria, a condição abjecta não é de quem está mais em baixo: qualquer trabalho do operário não só não é desonroso, mas associado à virtude pode muito e enobrecer-se. José, feliz com o pouco e o seu, suportou, com ânimo forte e elevado, as inseparáveis ​​dificuldades daquela vida tão frágil, dando exemplo ao filho que, embora fosse senhor de todas as coisas, assumiu a aparência de servo e voluntariamente abraçou uma pobreza extrema e a indigência.

Diante destas considerações, os pobres e aqueles que ganham a vida com o trabalho das suas mãos devem erguer o ânimo e pensar rectamente. Àqueles a quem, se é verdade que a justiça lhes permite libertar-se da indigência e chegar a uma melhor condição, nem a razão nem a justiça permitem perturbar a ordem estabelecida pela providência de Deus. Aliás, recorrer à agressão e perpetrar agressões em geral e tumultos é um sistema louco que, muitas vezes, agrava os próprios males que se gostaria de aliviar. À vista disso, os proletários, se tiverem bom senso, não devem confiar nas promessas de gente sediciosa, mas nos exemplos e no patrocínio do Bem-aventurado José, e na materna caridade da Igreja, que, a cada dia, zela pelo seu estado
» (Leão XIII, Quamquam pluries).

Contra o comunismo, como ensinado em Fátima 

O Papa Pio XI, na sua Encíclica Divini Redemptoris (19 de Março de 1937), apresentou São José não apenas como modelo e padroeiro dos trabalhadores, mas também como poderoso intercessor na luta da Igreja contra o comunismo, o grande erro propagado, pela Rússia, em todo o mundo, segundo o que Nossa Senhora disse nas suas aparições, de 1917, em Fátima.    

«E, para apressar a tão desejada paz de Cristo no reino de Cristo – escrevia o Papa –, coloquemos a grande acção da Igreja Católica contra o comunismo ateu mundial sob a égide do poderoso Protector da Igreja, São José. Ele pertence à classe operária e experimentou o peso da pobreza, para si e para a Sagrada Família, da qual era o chefe vigilante e afectuoso; a ele foi confiada a divina Criança quando Herodes lançou os seus assassinos contra Ele. Com uma vida de fidelíssimo cumprimento do dever quotidiano, deixou um exemplo a todos aqueles que devem ganhar o pão com o trabalho das mãos e mereceu ser chamado o Justo, exemplo vivo daquela justiça cristã que deve dominar na vida social» (Pio XI, Divini Redemptoris).        

Federico Catani        

Através de Duc in altum             

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