Faleceu Mons. Andrea Han Jingtao (1921-2020)

Ontem [30 de Dezembro, n.d.r.] à noite, às 23h (hora de Pequim), faleceu Mons. Andrea Han Jingtao, Bispo clandestino de Siping (Jilin). Tinha 99 anos. Alguns fiéis definiram-no «um gigante da cultura e da fé» das comunidades não oficiais. Mons. Han foi sempre, desde pequeno, um grande erudito. Os seus primeiros estudos realizaram-se sob a direcção dos missionários canadianos do Quebeque, aos quais estava confiado o vicariato apostólico.          

A sua grande cultura foi até reconhecida pelas autoridades da prisão (campo de trabalhos forçados), onde ficou detido, durante 27 anos (1953-1980), por se recusar a participar na Igreja «independente e autónoma», como queria Mao Zedong.         

Uma vez livre, as mesmas autoridades prisionais fizeram-no contratar como professor de língua inglesa na Universidade Normal de Changchun. Poucos meses depois, tornou-se professor associado do Instituto de História da Civilização Clássica da Universidade Normal do Nordeste. Era especializado no ensino a alunos de licenciatura, de mestrado e de doutoramento. Introduziu muitos chineses ao estudo das línguas e das culturas clássicas, latina e grega.        

Em 1987, aposentou-se do ensino. Mas não se retirou do ponto de vista do seu compromisso eclesial e missionário. Mesmo antes da sua prisão, tinha-se concentrado na educação dos leigos através da Legião de Maria, levando-os à oração, ao anúncio, à caridade. Paralelamente, fundou uma congregação de religiosas, mais tarde chamadas “do Monte Calvário”. Ele mesmo recorda que, nos anos 50, o regime queria «livrar-se da interferência do Papa e expulsar os missionários estrangeiros. Naquela época, percebi que a Igreja estava a enfrentar um grande desafio e precisava de uma forte capacidade de resistência, caso contrário a Igreja não seria capaz de se manter de pé. Para isso, decidi fundar uma congregação religiosa».  

Em 1982, foi nomeado Bispo de Siping, mas a sua ordenação ocorreu, em segredo, em 1986. Durante vários anos teve de dividir a sua tarefa pastoral com os compromissos universitários.           

No início dos anos 80, o governo unificou todas as circunscrições eclesiásticas da província de Jilin numa única diocese, a de Jilin. A Diocese de Siping, ainda reconhecida pela Santa Sé, estende-se, em parte, pela província de Jilin, em parte, pela Mongólia Interior e por Liaoning.           

A partir de 1997, a sua residência ficou sob vigilância constante, dificultando o seu ministério. Até a congregação religiosa que fundou teve períodos difíceis: conventos fechados, dispersão, reabertura em segredo, difusão em pequenas comunidades escondidas.     

Segundo as últimas estatísticas, a diocese compreende cerca de 30 mil fiéis; dos quais 20 mil na Igreja não oficial e 10 mil na oficial. Os sacerdotes são cerca de vinte. As religiosas são mais de 100. A diocese também oferece alguns serviços sociais, incluindo um orfanato e um centro médico.        

Bernardo Cervellera 

Através de AsiaNews.it

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