A conversão, a 20 de Janeiro de 1842, de Afonso Ratisbonne

A fisionomia de Afonso Ratisbonne é de uma pessoa que tomou uma resolução firme. O porte, o corpo, todo o conjunto é de um homem possante, que enfrenta qualquer dificuldade. Até pela postura das mãos e dos braços se percebe um homem de decisão forte.         

Não aparenta introspecção alguma, está completamente posto no mundo exterior, na objectividade, na verdade. Sem devaneios, pois entende que a vida não é feita de ilusões; tem o brio de um gigante na presença de Deus. Estes aspectos revelam a sua grandeza de alma.    

O P. Afonso Ratisbonne tem algo de bíblico, Moisés poderia ser assim. Esta fotografia é benfazeja, como também o é a de São Charbel Makhlouf. Mas a fisionomia de São Charbel lembra a de um profeta, enquanto a de Ratisbonne lembra muito a de um legislador.   

Como legenda desta fotografia, poder-se-ia escrever: o varão a quem apareceu Nossa Senhora do Milagre. Dessa aparição resultou a conversão que impregnou essa fisionomia com algo de exorcizante. Mil morcegos e mariposas da dúvida, da incerteza, da moleza, da introspecção e da cupidez fogem da presença dele.   

Este é um verdadeiro católico, nem um pouco tolo, pois sabe o que deseja. Compreende inteiramente a malícia dos revolucionários e como deve ser o combate aos maus. Era um homem riquíssimo, frequentava a melhor e mais alta aristocracia. A sua conversão do judaísmo ao catolicismo deslocou-o desse ambiente para tornar-se sacerdote. O amor que ele tinha a si mesmo, transferiu-o a Deus Nosso Senhor com todas as suas potencialidades colocadas inteiramente ao serviço do amor de Deus.      

Plinio Corrêa de Oliveira, in Catolicismo, n.º 841, Janeiro de 2021      

Enviar um comentário

0 Comentários