1921-2021: o comunismo sempre no poder

A 7 de Janeiro, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, foi eleito secretário-geral do Partido dos Trabalhadores, por ocasião do oitavo congresso do partido, o primeiro nos últimos cinco anos.           

O papel de Kim como ditador comunista da Coreia foi, deste modo, oficialmente reconfirmado.        

O Partido dos Trabalhadores é, de facto, o herdeiro directo do Partido Comunista Coreano, fundado em Maio de 1921, três meses depois da fundação do Partido Comunista Italiano, de que se celebrará, dentro de poucos dias, o centenário da fundação, ocorrida, em Livorno, a 21 de Janeiro de 1921.          

2021 também marca o trigésimo aniversário da auto-dissolução da União Soviética. Após a queda do Muro de Berlim, assistimos à liquefação do aparato burocrático comunista na Rússia. Porém, o fim do regime soviético não marcou o fim do comunismo, mas o fim do anticomunismo, que se iludiu que, depois da queda do muro de Berlim e da União Soviética, o comunismo desapareceria da história. Não foi assim. O comunismo passou por uma metamorfose, mas o seu núcleo doutrinal, o materialismo dialéctico, continua a dominar em todo o mundo. Hoje, o Ocidente está imerso numa filosofia de vida materialista e relativista. Como negá-lo? E como negar que o Ocidente ainda é liderado por uma classe dirigente e intelectual de origem comunista?       

No Oriente, a Coreia, de Kim Jong-un, é a longa manus da República Popular da China, governada por um ditador, Xi Jinping, que reivindica continuamente a doutrina e a prática do comunismo. Na China, existe a obrigação de estudar Marx, Lenine, Mao e o próprio pensamento de Xi Jinping, se não se quer perder o emprego e desaparecer nos campos de concentração, mais do que nunca apinhados de escravos que, com o seu trabalho, permitem a subsistência da economia chinesa. 

Xi Jinping disse que a religião é incompatível com a “fé” marxista e apresentou-se, assim como ao Partido Comunista Chinês, como «ateus marxistas inflexíveis». Em 2020, foi publicado um importante livro da sinóloga francesa Alice Ekman, intitulado Rouge vif, que desmente abundantemente as teorias de quem pensa que a China já não é comunista.

A China é comunista e está a caminho de ser a primeira superpotência mundial. A Coreia do Norte é uma projecção política da China. O seu chefe, Kim Jong, reiterou, no último congresso do Partido Comunista, que o maior inimigo da Coreia são os Estados Unidos e ordenou o desenvolvimento de mísseis nucleares terrestres e subaquáticos, pois o seu país deve reforçar a capacidade militar contra os Estados Unidos. A China, de Xi Jinping, pensa e faz o mesmo, acrescentando armas informáticas e biológicas às armas nucleares, nas quais se trabalha incansavelmente nos seus laboratórios.       

Também o Partido Comunista Chinês, de Xi Jinping, foi fundado em 1921, assim como o coreano e o italiano. Fazem todos parte da mesma família ideológica que se opõe frontalmente aos princípios e aos ideais da Civilização Cristã.   

Cem anos de comunismo no mundo, uma luta que continua para conquistar definitivamente o Ocidente, neste 2021 que se abre, um ano que vê o grande inimigo, os Estados Unidos, mergulhado num caos crescente e cada vez mais inquietante. 

Roberto de Mattei      

Através de Radio Roma Libera

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