segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Virgo potens, na iminência da festa da Imaculada

Na véspera da comemoração da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, o portal Dies Iræ traduziu e disponibiliza, a pedido do próprio, uma mensagem que o Arcebispo Carlo Maria Viganò dirige a todos os Católicos. Confiemo-nos aos cuidados de Maria Santíssima, recordando, de forma particular, o ministério de Mons. Viganò e de todos os Pastores que, diante de tão conturbado cenário eclesiástico, são fiéis à Verdade e à Tradição.

1 de Dezembro de 2020
Feria III infra Hebdomadam I Adventus

O rico epulão da parábola (Lc 16, 19-31), depois de ser condenado ao inferno por não ter socorrido o pobre Lázaro, pede a Abraão que avise os seus cinco irmãos dos suplícios a que foi submetido para evitar que caíssem no mesmo pecado. Abraão respondeu-lhe: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer se alguém ressuscitar de entre os mortos» (Lc 16, 31).    

Nossa Senhora, ao longo da história, interveio, como Mãe amorosa, para nos advertir das punições que pesavam sobre o mundo por causa dos seus pecados, para convidar os homens à conversão e à penitência, e para encher os Seus filhos de inúmeras graças. Onde a Palavra de Deus parece esquecida, eis a voz de Maria Santíssima, ora para anunciar uma particular devoção, ora para pedir sacrifícios e orações para escapar a pestilências e flagelos. Em Quito, em La Salette, em Lourdes, em Fátima, em Roma, em Akita, em Civitavecchia e em mil outros lugares, a Medianeira de todas as Graças alertou-nos, chamando a humanidade, desviada pela rebelião à Lei Divina, a um verdadeiro arrependimento e à recitação do Santo Rosário. Mas se o tempo e as circunstâncias das Suas aparições mudam, Aquela que se digna a mostrar-se a nós, pobres mortais, é sempre a mesma, sempre Misericordiosa, sempre nossa Advogada.  

Em Fátima, a Senhora que apareceu aos pastorinhos pediu ao Papa, em união com todos os Bispos, que consagrasse a Rússia ao Seu Imaculado Coração: aquele apelo ainda permanece inaudito, não obstante se tenham concretizado as catástrofes que o mundo teria de enfrentar se não tivesse atendido os pedidos da Santíssima Virgem. O ateísmo militante do Comunismo propagou-se por toda a parte e a Igreja é perseguida por inimigos implacáveis
​​e cruéis, enquanto está infestada de clérigos corruptos e viciados. E, no entanto, apesar do reconhecimento da origem sobrenatural das aparições e da evidência das calamidades que afligem os homens, a Hierarquia recusa-se a obedecer a Nossa Senhora. «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer se alguém ressuscitar de entre os mortos», diz Abraão, na parábola, ao rico. É possível que eles nem sequer saibam ouvir a voz da Mãe de Deus e Mãe nossa? O que oprime os seus corações, o que lhes obscurece a mente, a ponto de torná-los surdos e cegos, enquanto o mundo afunda no abismo e tantas almas se condenam? 

Na obediência ao Senhorio universal de Cristo Rei, nós aceitamos também venerar Maria Santíssima como nossa Rainha. E, quando invocamos o Padre-Nosso com as palavras «seja feita a Vossa vontade», sabemos que esta vontade coincide perfeitamente com a vontade da nossa Mãe, modelo de obediência e de humildade, que mereceu ser escolhida, desde o princípio dos tempos, para gerar, no Seu ventre virginal, o Rei dos reis. Cada desejo da Mãe de Deus é, para nós, uma ordem: não ocorre sequer concebê-lo como uma ordem, porque a nossa resposta e o nosso desejo são – e devem ser – agradar-Lhe e dar-Lhe prova da nossa fidelidade. E isto aplica-se eminentemente aos Sagrados Ministros, que no Sacramento da Ordem carregam sobre si a unção sacerdotal do Sumo Sacerdote Jesus Cristo: Maria Santíssima vê o Seu Filho em cada sacerdote que renova, misticamente sobre o altar, o seu próprio Sacrifício.

Angustia, portanto, com uma dor vaga e dilacerante, ver a indiferença de tantas almas consagradas e de tantos, demasiados Bispos para com a Virgem Maria; angustia e dilacera o coração ouvir o próprio Bergoglio falar com tanta falta de respeito por Nossa Senhora e saber que, depois de reduzir drasticamente as celebrações papais da Páscoa passada, decidiu aproveitar o COVID-19 para cancelar parte das celebrações do Santo Natal e anular a tradicional homenagem à Imaculada Conceição, cujo monumento está, desde 1857, na Praça de Espanha. Assim se vai um outro pedaço de Roma, uma outra libra de carne que o cínico mercador pretende arrancar à vida dos romanos como prova de fidelidade à ditadura sanitária.

A Igreja dos Católicos, a Igreja que amam quantos se honram do nome cristão, é aquela que não recua perante a autoridade civil, fazendo-se sua cúmplice e cortesã, é aquela que suporta a perseguição com coragem e olhar sobrenatural, sabendo que é melhor morrer entre os tormentos mais atrozes em vez de ofender a Virgem Santíssima e o Seu divino Filho. É aquela que não se cala quando o tirano desafia a Majestade de Deus, aflige os seus súbditos, trai a justiça e a autoridade que a legitima. É aquela que não cede diante da chantagem, nem se deixa seduzir pelo poder ou pelo dinheiro. É aquela que sobe ao Calvário, qual Corpo Místico de Cristo, para completar, nos próprios membros, os sofrimentos do Redentor e, com Ele, ressuscitar triunfante. É aquela que socorre os fracos e oprimidos com misericórdia e caridade, enquanto se ergue destemida e terrível diante dos arrogantes e dos soberbos. Quando o Pontífice daquela Igreja falava, numa longa série de Papas unânimes e concordantes na profissão da única Fé, o rebanho de Cristo ouvia a voz consoladora do Pastor.

Por outro lado, a chamada “igreja” de Bergoglio não hesita em fechar as igrejas, arrogando-se o perverso direito de negar a Deus o culto público e de privar os fiéis da graça dos Sacramentos por miserável conivência com o poder civil. Humilha a Santíssima Trindade, ao nível dos ídolos e dos demónios, com os rituais sacrílegos de uma religião neopagã; arrebata a coroa e o ceptro a Cristo Rei em nome do Globalismo maçónico; ofende a Co-Redentora e Medianeira para não agastar os hereges Seus inimigos; trai o dever de pregar o Evangelho em nome do diálogo e da tolerância; silencia e adultera a Sagrada Escritura e os Mandamentos de Deus para agradar ao espírito do mundo; modifica as palavras sublimes e invioláveis
​​da Oração que Nosso Senhor nos ensinou; profana a santidade do Sacerdócio apagando o espírito de penitência e mortificação nos clérigos e nos religiosos e abandonando-os às seduções do demónio; renega dois mil anos de história desprezando as glórias da Cristandade e a sábia intervenção da Divina Providência nos acontecimentos terrenos; segue, de forma zelosa, as modas e as ideologias, ao invés de moldar as almas no seguimento Cristo; torna-se escrava do Príncipe deste mundo a fim de manter prestígio e poder; chega a pregar o culto blasfemo do homem recusando os direitos soberanos de Deus. E, quando Bergoglio fala, os fiéis ficam quase sempre escandalizados e desorientados, porque as suas palavras são o exacto oposto do que esperam ouvir do Vigário de Cristo. Ele pede obediência à sua própria autoridade quando a usa para destruir o Papado e a Igreja, contradizendo todos os seus Predecessores, nenhum excluído.     

Temos a promessa de Maria Santíssima: «Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará». Inclinemo-nos diante daquele Coração, que palpita de puríssima Caridade, para que a chama daquele santo amor reverbere sobre cada um de nós; para que a chama que nele arde ilumine as nossas mentes e as torne capazes de colher os sinais dos tempos. E, se os nossos Pastores se calam por pavidez ou cumplicidade, a multidão dos leigos e das almas boas tem a ocasião de compensar a sua traição e de expiar os seus pecados, invocando a misericórdia de Deus que «acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia» (Lc 1, 44).   

Hoje, os sumos sacerdotes deste moderno Sinédrio ultrajam Nosso Senhor e a Sua Santíssima Mãe, servos complacentes da elite globalista que deseja estabelecer o reino de Satanás; amanhã, retirar-se-ão diante das vitórias da Virgo potens, que restaurará a Santa Igreja e dará paz e concórdia à sociedade, graças à oração e aos sacrifícios de tantos dos seus humildes e desconhecidos filhos.      

Seja este o nosso voto para a iminente festa da Imaculada Conceição, com a qual honraremos a Nossa Senhora e Rainha.       

Carlo Maria Viganò, Arcebispo

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