terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O que pensar das vacinas contra o COVID?

Uma questão debatida está sobre a mesa. A das vacinas contra o COVID que usam linhas celulares provenientes de fetos abortados. É lícito utilizá-las? 

Deve ser dito imediatamente que o que é útil nem sempre é moralmente lícito. Um princípio inquebrável da moral católica e natural diz que o fim não justifica os meios. Por exemplo, o uso da pílula contraceptiva pode ser útil para evitar uma gravidez indesejada, mas é moralmente ilícito. A fecundação artificial pode ser útil para satisfazer o desejo de maternidade de um casal, mas é ilícita e condenada pela Igreja. As boas intenções não justificam a utilização de meios ilícitos.       

Não é dito, porém, que o que é moralmente lícito seja sempre verdadeiramente útil.     

É aqui que se insere, na minha opinião, o caso das novas vacinas, lançadas, com grande alarde, pela União Europeia como a grande panaceia contra a pandemia.     

A Congregação para a Doutrina da Fé, com um documento de 21 de Dezembro, reafirmou o que a mesma Congregação já havia estabelecido, em 2008, e a Pontifícia Academia para a Vida havia afirmado, em 2005, num outro amplo documento. O uso das vacinas que usam células fetais é lícito se houver um motivo proporcionalmente grave para fazê-lo (e a existência da pandemia é-o certamente); se não houver alternativa (ou seja, se não houver vacinas eticamente irrepreensíveis) e, em qualquer caso, reiterando sempre que a experimentação sob fetos abortados é, em si mesma, ilícita.        

Esta é a doutrina da Igreja. Portanto, vacinar-se contra o COVID, se não houver outras alternativas, não é moralmente ilícito.         

Mas esta vacinação é realmente útil e não poderia, por outro lado, ser prejudicial? Este é um outro assunto. A verdade é que estamos perante vacinas que ainda não foram suficientemente testadas, cuja capacidade de lidar eficazmente com as múltiplas variantes do COVID não é ainda conhecida. Quais serão, então, as consequências destas vacinas no organismo humano, por exemplo, no que diz respeito à fertilidade? A estas questões não é a moral, mas a ciência que deve responder. E para dar uma resposta segura levará meses ou, talvez, anos. Podemos, desse modo, compreender a prudência de quem, embora o considere lícito, não considera útil ser vacinado. E eu estou entre eles.   

Não nos dividamos, contudo, sobre um problema tão delicado e enfrentemos o próximo 2021 com espírito calmo e confiante. Deus vence sempre na história.         

Roberto de Mattei      

Através de Radio Roma Libera

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