sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

O dia da Revolução e da Contra-Revolução

É cada vez mais habitual associar os diversos dias do ano a determinadas causas, ainda que muitas delas, ou até mesmo a maioria, sejam contraproducentes e promotoras de depravações e imoralidade. Olhando para as efemérides ocorridas, no passado, a 11 de Dezembro, poderíamos, quiçá, apelidar este dia como sendo o “da Revolução e da Contra-Revolução”. De seguida, procurarei explicar, de forma breve, o porquê de tal escolha.         

Na sua obra magna, Revolução e Contra-Revolução, publicada em 1959, Plinio Corrêa de Oliveira, mestre do pensamento contra-revolucionário, apresenta a Revolução como «um movimento que visa destruir um poder ou uma ordem legítima e pôr no seu lugar um estado de coisas (intencionalmente não queremos dizer ordem de coisas) ou um poder ilegítimo»[1], identificando, de forma clara e minuciosa, as três revoluções: Pseudo-Reforma, Revolução Francesa e Comunismo. Logicamente, todas elas ligadas umbilicalmente entre si.          

Com uma diferença de oito anos, nasceram neste mesmo dia, respectivamente em 1475 e em 1483, Giovanni di Lorenzo de Medici, futuro Papa Leão X, e o heresiarca Martinho Lutero, pai da primeira Revolução. Do ponto de vista espiritual, o que moveu Lutero e os seus seguidores a darem início à Pseudo-Reforma foi, essencialmente, «a insurreição contra a autoridade eclesiástica, expressa em todas as seitas pela negação do carácter monárquico da Igreja Católica, isto é, pela revolta contra o Papado»[2], que levou à negação da «alta aristocracia da Igreja, ou seja, os Bispos, que são os seus Príncipes» e «do próprio sacerdócio hierárquico, reduzindo-o a mera delegação do povo, único verdadeiro detentor do poder sacerdotal». Do ponto de vista moral, «o triunfo da sensualidade no Protestantismo afirmou-se pela supressão do celibato eclesiástico e pela introdução do divórcio». Em suma, o orgulho e a sensualidade foram e continuam a ser o oásis dos hereges protestantes, assim como dos seus sequazes, que não raras vezes adoptam novas e pomposas denominações. Todas e quaisquer semelhanças com o Concílio Vaticano II, fortemente protestantizante, não são coincidência! Mormente se recordarmos que, em 1983, João Paulo II, o Papa do “espírito de Assis”, participou, num templo luterano de Roma, nas comemorações do 500.º aniversário do nascimento de Lutero.         

Pouco mais de três séculos depois, a 11 de Dezembro de 1792, teve início, em Paris, o julgamento do monarca francês Luís XVI, que, em Janeiro de 1793, viria a ser guilhotinado pelos revolucionários franceses. Num oportuníssimo conjugar da primeira Revolução com a segunda, Plinio Corrêa de Oliveira explica que, «profundamente afim com o protestantismo, herdeira dele e do neopaganismo renascentista, a Revolução Francesa realizou uma obra de todo em todo simétrica à da Pseudo-Reforma»[3], apoiando-se, essencialmente, em três grandes pilares: «revolta contra o Rei, simétrica à revolta contra o Papa; revolta da plebe contra os nobres, simétrica à revolta da “plebe” eclesiástica, isto é, dos fiéis, contra a “aristocracia” da Igreja, isto é, o Clero; afirmação da soberania popular, simétrica ao governo de certas seitas, em medida maior ou menor, pelos fiéis»[4]. Quando falta a vida de piedade, o Homem, gravemente afectado pelas consequências do pecado original, procura falsas alternativas que, garantidamente, conduzem a um apego desmedido às coisas terrenas e aos pensamentos desviantes, nomeadamente a «dúvidas em relação à Igreja, negação da divindade de Cristo, deísmo, ateísmo incipiente»[5] que, por consequência, culminam numa apostasia faseada. Esquecido Nosso Senhor Jesus Cristo e arrumados os costumes, a filha mais velha da Igreja Católica passou a professar a irreligião, que ainda hoje se faz violentamente sntir, bastando olhar para os reiterados ataques de Emmanuel Macron à Igreja Católica. Não por acaso, a Virgem Maria, em Fátima, alertou contra o perigo da apostasia no seio da Igreja. Uma vez mais, não são coincidência as possíveis e prováveis semelhanças com o cenário actual.   

A terceira Revolução, aquela Comunista, encontra as suas origens nas duas precedentes. «O orgulho, inimigo de todas as superioridades, haveria de investir contra a última desigualdade, isto é, a de fortunas. E assim, ébrio de sonhos de República Universal, de supressão de qualquer autoridade eclesiástica ou civil, de abolição de qualquer Igreja e, depois de uma ditadura operária de transição, também do próprio Estado, aí está o neo-bárbaro do século XX, produto mais recente e mais extremado do processo revolucionário»[6]. É inatacável a descrição que o Prof. Corrêa de Oliveira faz da máquina comunista. Máquina essa que, actualmente, continua a alimentar os egos e as frustrações de muitos filósofos marxistas que, entre outras coisas e olhando para o COVID-19, defendem, a título de exemplo, que o desemprego estrutural «não é um destino funesto, mas, pelo contrário, um desafio à maldição bíblica que condenou os homens a ganharem, com dificuldade o pão quotidiano»[7]. Torna-se, desta forma, inconcebível que, no Vaticano II, a Igreja não tenha condenado veemente o Comunismo, ao contrário do que inúmeros Padres Conciliares, entretanto votados ao “ostracismo conciliar”, tinham solicitado após conselho de Corrêa de Oliveira. Mas foi também a 11 de Dezembro, desta feita do ano de 1990, que uma delegação, constituída por membros das várias TFP, entregou, no Kremlin, em Moscovo, os microfilmes do abaixo-assinado, promovido a nível mundial, que pedia a libertação da Lituânia do jugo soviético. Mesmo ainda agora, note-se, esta petição é considerada, pelo Guinness World Records, a que mais assinaturas conseguiu recolher. E que bela causa a de poder libertar uma nação e um povo dos tentáculos dos bolcheviques!        

São, destarte, estas as razões que me levam a sugerir que este 11 de Dezembro possa ser considerado o dia “da Revolução e da Contra-Revolução”, sem ignorar que, segundo o Calendário Tradicional, se comemora o dia de S. Dâmaso I, o Pontífice que, fiel à Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, condenou e combateu valorosamente as heresias do seu tempo, principalmente a ariana. A S. Dâmaso, qual modelo de santidade, confiamos as nossas intenções e, especialmente, pedimos que, juntamente com Nossa Senhora, a Mater intemerata, nos ajude a esmagar a cabeça da serpente revolucionária!                    

D.C. 



[1] Oliveira, Plinio Corrêa de. (2020). Revolução e Contra-Revolução. Caminhos Romanos. Porto, p. 61.

[2] Ibidem, p. 30.

[3] Ibidem, p. 31

[4] Ibidem, pp. 31-32.

[5] Ibidem.

[6] Ibidem, p. 33.

[7] Schaff, Adam. (1989). Chi ha paura della disoccupazione tecnologica? Mondoperaio, n.º 11: p. 98. 

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