sábado, 19 de dezembro de 2020

A Hungria defende o matrimónio e a família na Constituição

A Hungria confirma, na sua Constituição, o que é óbvio e natural: a família é formada por mãe e pai, os filhos nascem machos ou fêmeas. Esperávamos um prémio unânime para um País que defende, sem sombras, a natureza humana e a família natural. Em vez disso, a confirmar o quão ideologicamente perigosos são os proponentes de uma Europa LGBT e “verde”, não faltaram críticas a Orbán.         

O Tribunal de Justiça da União Europeia, a 24 horas da decisão de Budapeste, sancionou a Hungria por causa da imigração. Não, não é uma simples coincidência. Se alguém nos tivesse dito, há apenas 10-15 anos, que seria necessário introduzir estes simples factos da natureza nas leis e constituições, ter-lhe-íamos recomendado uma aprofundada consulta psiquiátrica. Vivemos na época dos hereges, profetizada, há 100 anos, por Chesterton: «A grande marcha da destruição intelectual continuará. Tudo será negado. Incêndios serão atiçados para testemunhar que dois mais dois é igual a quatro. Espadas serão desembainhadas para mostrar que as folhas são verdes no Verão. Encontrar-nos-emos a defender não apenas as incríveis virtudes e o incrível sentido da vida humana, mas algo ainda mais incrível, este imenso e impossível universo que nos olha de frente».  

Nos comentários de ontem (de anteontem, dia 17, n.d.r.) da imprensa de esquerda (Repubblica), ficamos até surpresos porque Orbán teria imposto uma regra que define a família «apenas hétero», é atacado porque «proíbe as adopções gay» (Deutsche Welle), é ridicularizado porque a definição de macho e fêmea seria «anti-LGBTI» (Le Monde). O pecado de Orbán é o de recordar as fundamentais evidências científicas sobre a natureza biológica humana e a procriação natural, fruto do amor de um homem e de uma mulher.        

Pois bem, a 15 de Dezembro, a Hungria aprovou a Nona Emenda constitucional, que diz: «Cada criança tem direito à protecção e aos cuidados necessários para o seu correcto desenvolvimento físico, intelectual e moral. A Hungria protege o direito das crianças a uma identidade correspondente ao seu sexo no nascimento e garante-lhes uma educação que reflicta os valores baseados na identidade constitucional húngara e na cultura cristã (...). Os laços familiares baseiam-se no matrimónio e na relação entre pais e filhos. A mãe é uma mulher, o pai é um homem».   

A alteração apresentada, e apoiada pelo Governo e por maioria de 2/3 no Parlamento, foi aprovada com 134 votos a favor, 45 contra e cinco abstenções. No relatório explicativo que acompanha o texto da emenda, pode-se ler que «a ideologia ocidental está a mudar (para pior) de uma forma que exige a garantia do direito da criança a identificar-se de acordo com o seu género aquando do nascimento, para proteger a criança de intervenções mentais ou biológicas que incidam sobre o seu bem-estar físico e mental». Criar os filhos de acordo com a «identidade constitucional e a cultura cristã» da Hungria oferece às novas gerações a oportunidade de conhecerem a identidade húngara e de protegerem a sua soberania e o papel nacional do cristianismo. A emenda constitucional entrará em vigor no dia seguinte à sua promulgação.        

O texto, votado na terça-feira, 15 de Dezembro, foi apresentado, a 10 de Novembro, pela Ministra da Justiça, Judit Varga. De facto, o texto aprovado e as recentes medidas legislativas sobre a adopção proibirão a possibilidade de parelhas homossexuais adoptarem crianças na Hungria. A escolha húngara é clara e totalmente de acordo com o programa eleitoral que Orbán, desde há 10 anos, apoia. No passado dia 19 de Outubro, com uma intervenção pública divulgada pela imprensa internacional, o próprio Orbán reiterara que o seu Governo quer promover a antropologia cristã e uma democracia baseada nos princípios cristãos, ao invés de um liberalismo que se está a transformar num totalitarismo de libertinagem. Por estes discursos públicos e pelas medidas pró-família promovidas pelo Governo, este País é alvo de ataques, de ameaças e de todas as tentativas (lícitas e ilícitas) de sanções e censuras. As contínuas acusações e as chantagens por parte da Comissão, atitudes que surgiram mesmo durante o debate parlamentar, em Bruxelas, de 16 de Dezembro, são causadas pela obtenção do consenso e da determinação com que a Hungria (e, em menor medida, a Polónia) está a promover a sua identidade cristã e o direito natural.      

Os ataques, dos últimos dias, da Comissária Europeia para os Direitos Humanos, Dunja Mijatovic, contra os governantes polacos, acusados
​​de serem contrários à ideologia LGBT, e os frequentes ataques das Comissárias Europeias Vera Jourová e Helena Dalli contra Orbán, são uma confirmação de que a Hungria e a Polónia estão no caminho certo. É disso exemplo o debate e a votação, no Parlamento Europeu, na quarta-feira, dia 16 de Dezembro, em que, para além das fortes garantias da Presidente von der Leyen de uma (impossível) aplicação da subordinação das ajudas económicas ao chamado “Estado de Direito”, se alternaram as intervenções de deputados de todos os partidos, a grande maioria dos quais (excelentes excepções de Antonio Tajani, do PPE, e de Carlo Fidanza, do Fratelli d’Italia) exclusivamente interessados ​​em insultar a Hungria e Orbán. Um espectáculo indecente que demonstra o absoluto desinteresse pelas reais necessidades e dificuldades de dezenas de milhões de cidadãos e empresas europeias que estão no limite das suas forças. Em particular, os socialistas, os liberais, a esquerda e os verdes deram o seu melhor nas questões das sanções contra Orbán e na futura construção da nova Europa LGBT e verde.

Na votação, foi aprovado o texto decidido pelo Conselho Europeu da semana passada: 695 eleitores, 496 votos a favor, 134 contra e 65 abstenções. O apelo de Soros, para rejeitar o acordo, não foi aceite, nos próximos meses será mais fácil identificar os eurodeputados que terão interesse em receber as ordens do magnata.

A 1 de Dezembro de 2013, a Croácia, poucos meses depois da entrada na União Europeia, decidiu, através de um referendo apoiado por 65% da sua população, definir, na Constituição, o significado de matrimónio e família. Sete anos depois, a Hungria também decide especificar melhor, no seu texto fundamental, o que são o matrimónio, a família e a sexualidade biológica. Devemos agradecer, mais uma vez, àqueles povos europeus que, depois de terem sofrido a tirania ideológica e as terríveis provações do comunismo, se rebelam fortemente contra os perigos do pensamento único, tão antinatural quanto opressor.         

Luca Volontè     

Através de La Nuova Bussola Quotidiana   

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