quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Uma primeira análise às eleições nos EUA

Dois dias após o encerramento das urnas, ainda é incerto quem tenha ganho as eleições presidenciais americanas. Em vez disso, outros dados surgidos das eleições (para Presidente, Congresso, Governadores e iniciativas populares) já foram estabelecidos:  

1. Deixando de lado os Estados a respeito dos quais ainda não há uma palavra definitiva (Arizona, Nevada, Geórgia, Carolina do Norte, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin), os dois candidatos à presidência (Trump e Biden) mantiveram os mesmos votos eleitorais que Trump e Clinton acumularam em 2016[1]. Há aqui um clamoroso desmentido de grande parte dos sondagistas que, durante meses, tinham anunciado a falsa ideia (construída para influenciar o eleitorado?) de que Biden esmagaria Trump. Ao contrário, num Estado chave como a Flórida (tomando apenas um exemplo entre os outros), Trump ampliou a base eleitoral dos Republicanos, vencendo com uma diferença muito maior do que há quatro anos, com um grande número de apoiantes na comunidade de origens latino-americanas.          

2. No Senado parece ter permanecido uma maioria republicana, enquanto, na Câmara dos Representantes, os Democratas (pelo menos com base nos dados disponíveis até agora) perderam cinco lugares. Mais uma vez, os eleitores desmascararam a hipótese dessa onda democrata que os anti-Trumpianos tinham previsto (ou, melhor, esperado) antes das eleições. O facto de o Senado permanecer nas mãos dos Republicanos, independentemente de como terminar a batalha pela presidência, é significativo para impedir qualquer tentativa de regime despótico que os Democratas pudessem, eventualmente, tentar (do aumento dos Estados para 52, para ter mais senadores Democratas com a elevação a Estado dos Distritos de Columbia e Porto Rico, ao condicionamento do Supremo Tribunal com o aumento do número dos juízes).           

3. Que as eleições não foram absolutamente um dilúvio democrata é ulteriormente confirmado pelo facto de que, nas eleições para os Governadores, o único caso de reversão política ocorreu a favor dos Republicanos, que reconquistaram o governo de Montana.

4. Quanto às iniciativas populares vinculadas, como de costume, às eleições, aquelas relacionadas com o aborto registaram a aprovação (62% contra 38%) da proposta de emenda à Constituição do Louisiana (um estado conservador), estabelecendo que não existe nenhum “direito” constitucional ao aborto[2], enquanto no Colorado (um Estado que, desde há algum tempo, vota predominantemente nos Democratas) não foi aprovada (59% contra 41%) a proposta de proibir o aborto depois da 22.ª semana na quase totalidade dos casos[3].      

Mas o que vai acontecer agora com a presidência e por que motivo ainda não há um resultado definitivo? Quando foi redigida esta nota, anunciavam-se várias acções judiciais de Trump, justificadas, em grande parte, por violações constitucionais e fraudes relacionadas com o voto por correspondência. Portanto, não é surpreendente que o juiz constitucional Alito, numa declaração também assinada pelos juízes Thomas e Gorsuch a respeito de uma moção apresentada ao Supremo Tribunal dos EUA relativa à votação da Pensilvânia[4], tenha observado um fenómeno curioso, para dizer o mínimo. O Supremo Tribunal da Pensilvânia tinha adoptado um decreto alterando as medidas decididas pelo legislador da Pensilvânia sobre os seus poderes constitucionais: enquanto o legislador estadual permitira a votação por correspondência, supondo que chegasse até às 20h00 do dia das eleições, o Supremo Tribunal da Pensilvânia havia decidido, com 4 votos contra 3, que o voto por correspondência não deveria, necessariamente, chegar dentro de tais prazos, permitindo um atraso de três dias e, como se isso não bastasse, um voto seria válido mesmo que a data da votação fosse ilegível! Tais absurdos contrastam com a Constituição americana sobre as regras relativas às eleições federais e não há quem não veja como este mecanismo se expõe ao risco de fraude tornando todo o sistema pouco confiável.          

Se, não obstante tudo isso, os apelos forem rejeitados e Biden se tornar o novo Presidente dos EUA, o medo muito concreto é que, nos próximos quatro anos, se confirme a “profecia” de um período de trevas que Biden havia denunciado limitadamente à pandemia e que, agora, devido aos desvalores democratas, poderia obscurecer toda a vida americana: promoção do crime do aborto e outros males morais intrínsecos, perseguição à liberdade de religião, violência e vandalismo nas ruas sob o pretexto do anti-racismo, supressão da liberdade de expressão e do direito de autodefesa, nacionalização/burocratização da saúde e educação, proliferação de impostos e regulamentos, depressão económica e crescente endividamento, política internacional servil em relação à China comunista e a outros centros de poder. Depois, da glória à infâmia, em direcção a um declínio imparável dos EUA. Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe das Américas, rogai por nós!                  

Maurizio Ragazzi        

Através de Corrispondenza Romana



[1] A única excepção é o voto eleitoral (em cinco) obtido por Biden no Nebraska, com base num sistema que concede dois votos a quem vence o Estado e um voto por cada a quem ganha os três círculos eleitorais (um dos quais inclui a área metropolitana, que não é a primeira vez que é ganho pelos Democratas). Seria paradoxal que, no fim de todas as contagens e recursos, Biden tivesse chegado a 270 votos eleitorais graças a esta votação solitária no Nebraska.

Sem comentários:

Publicar um comentário

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
Para esclarecimentos e comentários, queira contactar: info@diesirae.pt