quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Primeira reacção de Mons. Viganò ao relatório sobre o caso McCarrick

No dia em que a Santa Sé apresentou o relatório sobre o deposto Cardeal Theodore Edgar McCarrick, o Arcebispo Carlo Maria Viganò, antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América e denunciante dos abomináveis crimes cometidos e encobertos por McCarrick, emite uma primeira reacção ao documento vaticano que, conforme solicitado, traduzimos e disponibilizamos aos leitores de Língua Portuguesa.

10 de Novembro de 2020

Foi, hoje, divulgado o relatório oficial da Santa Sé sobre o caso McCarrick: antes de me pronunciar sobre o assunto, reservo-me o direito de analisar o seu conteúdo.       

Não posso, todavia, deixar de relevar a surreal operação de mistificação quanto às responsabilidades de encobrir os escândalos do deposto Cardeal americano e, ao mesmo tempo, não posso deixar de expressar a minha indignação ao ver dirigidas a mim as mesmas acusações de encobrimento, quando denunciei repetidamente a inércia da Santa Sé face à gravidade das acusações relativas à conduta de McCarrick.      

Um comentador sem preconceitos poderia notar o momento mais do que suspeito da publicação, bem como a tentativa de desacreditar a minha pessoa, acusada de desobediência e de negligência por aqueles que têm todo o interesse em deslegitimar quem trouxe à luz uma rede de corrupção e imoralidade sem paralelo. O descaramento e o carácter fraudulento demonstrados nesta ocasião teriam pedido, a esta altura, que se chamasse esta sugestiva reconstrução dos factos de “Relatório Viganò”, poupando ao leitor a desagradável surpresa de ver, uma vez mais, adulterada a realidade. Mas isso teria exigido honestidade intelectual, antes ainda de amor pela justiça e pela verdade.   

Ao contrário de muitos personagens envolvidos nesta história, não tenho razão para temer que a verdade possa contradizer as minhas denúncias, nem sou, de algum modo, corruptível. Quem lança acusações infundadas com o único propósito de distrair a atenção da opinião pública terá a amarga surpresa de constatar que a operação conduzida contra mim não surtirá efeito, senão dar mais provas da corrupção e da má-fé de quem, por demasiado tempo, se calou, negou, voltou o seu olhar para outro lado e, hoje, deve prestar contas. A fiction vaticana continua.     

Carlo Maria Viganò, Arcebispo

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