quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Comunicado sobre a conferência “Todos Pobres”

No seguimento da conferência virtual “Todos Pobres, à economia faz bem a conversão, não a utopia”, promovida, ontem, pela Associação italiana Tradição, Família, Propriedade, pelo portal noticioso La Nuova Bussola Quotidiana e pelo Observatório Internacional Cardeal Van Thuân sobre a Doutrina Social da Igreja, publica-se um comunicado sobre as conclusões saídas do evento realizado na véspera da iniciativa promovida pelo Vaticano.   

Uma encíclica: Fratelli tutti (Todos irmãos). Um evento internacional promovido pelo Vaticano: The Economy of Francesco (A Economia de Francisco). Uma reunião do Fórum Económico Mundial: The Great Reset (O Grande Reinício). Os maiores poderes da Terra, eclesiásticos e temporais, reúnem-se para discutir o futuro do nosso Mundo. Não se trata de nada menos do que “reiniciar” a economia e a sociedade, isto é, de eliminar as existentes, abrindo, assim, o caminho para uma nova era histórica. Portanto, aproveitam-se da grande turbulência criada pela pandemia de COVID-19.  

Quais seriam as características desta nova era? Para examinar conteúdos e possíveis consequências, a Associação Tradição, Família, Propriedade, juntamente com La Nuova Bussola Quotidiana e o Observatório Internacional Cardeal Van Thuân sobre a Doutrina Social da Igreja, organizou, a 18 de Novembro, a conferência virtual Poveri Tutti (Todos Pobres), transmitida, em directo, por vários canais online e ainda disponível na rede.   

Moderada por Federico Catani, da TFP italiana, participaram na conferência o economista Ettore Gotti Tedeschi, Julio Loredo, director da TFP italiana, Stefano Fontana, director do Observatório Van Thuân, e Riccardo Cascioli, director de La Nuova Bussola Quotidiana.         

«A economia é um instrumento que deveria servir para satisfazer as necessidades humanas – começou Gotti Tedeschi –, mas, por isso mesmo, pode ser usada para não as satisfazer, mais, para assustar e influenciar». A economia não é uma ciência, continuou o conhecido economista. Portanto, quando é usada para fins “políticos”, ou seja, destinados a influenciar, pode ser tentada a inventar utopias. Se, então, for usada para fins “morais” e inventar utopias que são incorporadas no magistério da Igreja, o risco é que estas utopias se tornem heresias. Em Fratelli tutti, estão implícitas mais utopias económicas. Tudo isso está em claro contraste com a encíclica Caritas in veritate, do Papa Bento XVI, segundo a qual, quando as coisas não funcionam, não são os instrumentos que devem ser mudados, mas o coração do Homem. Se em vez da conversão do Homem, a Igreja propõe utopias, podemos prever tornar-nos Todos Pobres, economicamente e também espiritualmente.     

Na sua intervenção, Julio Loredo explicou como um são consumismo é o verdadeiro motor de uma sociedade, tanto no campo económico quanto no cultural e espiritual. «O Homem precisa de consumir – disse o director da TFP –, ou seja, de ter tudo o que convém ao próprio bem-estar ditado pelos apetites da sua natureza». O consumo estimula a trabalhar e a desenvolver-se. Obviamente, alguns trabalharão mais e, portanto, terão mais para consumir. Isto é um bem, pois, deste modo, a sociedade tira benefício dos mais capazes, dos mais eficientes, dos mais produtivos, enfim, dos melhores. Caso contrário, a sociedade perece, cai no anticonsumismo, caindo na pobreza crónica, preguiçosa e esclerosada. Uma sociedade nestas condições, concluiu Loredo, tende, em última análise, para a barbárie.      

Stefano Fontana examinou duas palavras-chave da Igreja de hoje: fraternidade e sinodalidade, dois caminhos pelos quais deveria encontrar o Mundo e levar a mensagem da salvação de Jesus Cristo. A fraternidade, em particular, é o tema específico da encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco. Mas as coisas não são tão simples como são propostas, hoje, pela Igreja e na Igreja. É necessário verificar se o conceito de fraternidade que a Igreja, hoje, propõe está de acordo com a sua doutrina ou não é, pelo contrário, fruto de uma ideologia mundana. Fontana esclareceu, em seguida, o verdadeiro significado da palavra fraternidade na Doutrina Social da Igreja para, posteriormente, examinar como o mesmo conceito é assumido e desenvolvido na encíclica do Papa Francisco. Por fim, o director do Observatório Van Thuân tratou da fraternidade como espaço de diálogo com as outras religiões, que a encíclica propõe fortemente na esteira da declaração de Abu Dhabi. Da análise emergiu que a fraternidade da encíclica Fratelli tutti apresenta consideráveis elementos
​​de descontinuidade com a concepção tradicional da Igreja e da recta razão e que o diálogo sobre este tema com outras religiões é muito difícil e perigoso, precisamente, pela radical diversidade no modo de considerar a fraternidade.         

Concluindo, Riccardo Cascioli, director de La Nuova Bussola Quotidiana, abordou o tema da ecologia, um leitmotiv da esquerda ambientalista e também do pontificado do Papa Francisco. Esta ecologia implica uma viragem antropológica que consiste no facto de o Homem se conceber dentro de uma “comunidade vivente” mais ampla, perdendo, assim, a sua especificidade ontológica. Por muito tempo, mesmo no mundo católico, cresceu um pensamento que indica a raiz dos desequilíbrios ambientais no antropocentrismo judaico-cristão, acusando-o de justificar a pilhagem dos recursos da terra que, pelo contrário, pertencem a todas as criaturas. Na realidade, trata-se de uma visão distorcida do pensamento católico: reconhecer que o Homem é o ápice da Criação, o único ser vivente criado à imagem e semelhança de Deus, significa, antes de tudo, que a chave do equilíbrio está na relação entre o Homem e Deus. Quando é vivido correctamente, segundo a Revelação cristã, também o relacionamento com o resto da Criação se torna saudável.        

A conferência foi transmitida ao vivo e já está disponível nos canais das associações promotoras.

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