terça-feira, 27 de outubro de 2020

#USElection2020 – Perda do espírito de família

«Pelo fim da Idade Média, as corporações de ofício começaram a perder esse espírito de família. Também sucumbiram à intemperança frenética e perderam a solicitude fraterna de uns para com os outros. Reduzindo-se à flexibilidade de tipo familiar, adoptaram um rígido e excessivo controlo sobre os seus membros e sobre a tecnologia do ofício. Desapareceu o fervor religioso, tão essencial à temperança.

O historiador Joel Mokyr relata que “pode muito bem ter acontecido que no século XVI as corporações das cidades começaram a sufocar o progresso tecnológico para proteger a sua posição de monopólio e interesses”. Algumas corporações tornaram-se extremamente ricas, entrando no ritmo frenético da economia monetária.   

Mesmo nesse estado, ainda mantinham algo do espírito de família. Os inimigos da ordem de cristã viram naqueles restos as brasas de um fogo que se podia reacender. Por essa razão, a Revolução Francesa, e outros governos mais tarde, proibiram impiedosamente as corporações de ofício.    

Nos tempos modernos, muitos têm proposto que repitamos o sucesso das antigas corporações, ainda que sem o espírito de família. Alguns confundem o espírito de caridade cristã com o da ‘fraternidade’ socialista e propõem caricaturas do modelo de corporações, pelas quais os trabalhadores se uniriam em conselhos laicos para organizar a produção ou formar equipas autogestionárias.  Socialismo corporativo, corporativismo (especialmente na sua forma fascista) e outos movimentos do género acabariam por colocar as corporações sob o controlo do Estado.         

Por serem muito mais próximas do trabalhador, as corporações de ofício, sem o espírito de família, podem potencialmente controlar a produção e as vidas dos seus membros muito mais intensamente do que um governo socialista distante. Ou o mestre da corporação se comporta como um pai ou facilmente se torna um tirano.      

É por tudo isso que qualquer retorno às corporações deve ser feito com muito cuidado
».      

John Horvat II, in Retorno à Ordem, p. 138          

Sem comentários:

Publicar um comentário

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
Para esclarecimentos e comentários, queira contactar: info@diesirae.pt