quinta-feira, 8 de outubro de 2020

O retrato profanado de São Francisco de Assis

O Papa Francisco continua a não conhecer a vida de São Francisco de Assis e a não seguir os seus ensinamentos, apesar de ter escolhido usar o seu nome. Com efeito, no dia 4 de Outubro, o Pontífice Bergoglio assinou a encíclica Fratelli tutti, centrada na fraternidade e na amizade social, um documento de sabor aridamente laico, onde, mais uma vez, propõe a secularização da fraternidade universal, que não tem nada das características da fraternidade dos homens em Cristo, único Salvador da humanidade, da qual São Francisco se tornou porta-voz. No entanto, há quem tenha lamentado a “discriminação de género”, já que a mensagem é dirigida aos “irmãos” e não às “irmãs” e, quem sabe, também aos “transexuais”... o Papa nunca contenta: querem-no, agora e completamente, capacho do mundo. Pobre Igreja...

Os enganos são anormais. O Pontífice e os seus colaboradores extrapolaram duas palavras, «Fratelli tutti» (VI, 1, FF 155), de uma passagem muito clara de São Francisco, porque São Francisco nunca deve ser interpretado, sendo cristalino como a água da montanha e tendo por único modelo Cristo e o Evangelho, e eles usaram-no para os seus propósitos globalistas e inter-religiosos. De facto, São Francisco diz nas Admoestações (VI, 1-3, FF 155): «Irmãos, ponhamos todos diante dos olhos o Bom Pastor que, para salvar as suas ovelhas, sofreu a paixão da cruz. As ovelhas do Senhor seguiram atrás dele, na tribulação e na perseguição e no opróbrio, na fome e na sede, na enfermidade e na tentação, e nas demais provações; e, como recompensa, receberam do Senhor a vida eterna. Disto deveríamos ter vergonha, nós os servos de Deus: Que os santos tenham praticado boas obras, e nós, só de contar e pregar o que eles fizeram, já daí queremos receber honra e glória». Esta é a citação real de onde foi tirado o «Fratelli tutti»!

Jesus quis fazer de São Pedro um pescador de homens para conduzi-los à Santíssima Trindade e quis São Francisco, seu soldado e alter Christus, para reorganizar toda a Igreja, começando pelas altas hierarquias, e, hoje, usam-no para estender ensinamentos que envenenam as almas e não conduzem à Salvação eterna.

Na biografia San Francesco. Una delle figure più deformate della storia, com prefácio do P. Serafino Tognetti, editado pela Sugarco, escrevi: «O seu falar é como o de Jesus: indica, com amor, aos seus frades a forma de se relacionar com o mundo, agindo de maneira contrária ao mundo. Tudo exactamente como fez Cristo durante os três anos de pregação deve projectar-se tendo em vista um bem futuro: o reino eterno, que deve ser preparado já aqui na terra».

Essa obstinação em continuar a usar São Francisco para fins contrários ao “pequenino de Assis”, como ele próprio assinava, não leva a nada de bom, até porque, para usar uma feliz expressão que Archibald Joseph Cronin faz o Dr. Andrew Manson repetir no seu belo romance La Cittadella: «A Deus não se faz… a Deus não se faz… a Deus não se faz…».

Cristina Siccardi

Através de Radio Roma Libera

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