quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Declaração de Mons. Viganò a propósito do documentário “Francesco”

21 de Outubro de 2020

O site Vatican News[1] deu a notícia de que, no Festival de Cinema de Roma, será, hoje, projectado um documentário intitulado “Francesco”, feito pelo realizador Evgeny Afineevsky.

Este documentário – conforme noticiado pela Catholic News Agency[2] e pelo site America, the Jesuit review[3] – torna públicos alguns pronunciamentos de Jorge Mario Bergoglio sobre o tema da homossexualidade. Entre outras afirmações, desconcertam estas frases:

«Os homossexuais têm o direito de fazer parte de uma família. São filhos de Deus e têm o direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou infeliz por causa disso»[4].

«O que devemos fazer é uma lei para as uniões civis. Desta forma, são legalmente protegidos. Eu sou a favor disso»[5].

Não é preciso ser teólogo ou moralista para saber que tais afirmações são totalmente heterodoxas e constituem um gravíssimo motivo de escândalo para os fiéis.

Mas atenção: estas palavras constituem a enésima provocação com que a parte ultra-progressista da Hierarquia tenta suscitar, astutamente, um cisma, como já tentou fazer com a Exortação Pós-Sinodal Amoris laetitia, a modificação da doutrina sobre a pena capital, o Sínodo pan-amazónico e a imunda Pachamama, a Declaração de Abu Dhabi, depois reafirmada e agravada pela Encíclica Fratelli tutti.         

Parece que Bergoglio procura descaradamente “subir a parada”, num crescendo de afirmações heréticas, a fim de forçar a parte sã da Igreja – episcopado, clero e fiéis – a acusá-lo de heresia, para, depois, declará-la cismática e “inimiga do papa”.

Jorge Mario Bergoglio tenta forçar alguns Cardeais e Bispos a separar-se da comunhão com ele, obtendo como resultado não a própria deposição por heresia, mas a expulsão dos Católicos que querem permanecer fiéis ao Magistério perene da Igreja. Essa armadilha teria – nas presumíveis intenções de Bergoglio e do seu “círculo mágico” – o propósito de consolidar o seu poder dentro de uma igreja que seria apenas nominalmente “católica”, mas, na realidade, herética e cismática.

Este engano conta com o apoio da elite globalista, dos media mainstream e do lobby LGBT, ao qual não são estranhos muitos Clérigos, Bispos e Cardeais. Não esqueçamos que, em muitas nações, existem leis em vigor que punem como crime aqueles que, mesmo com base no seu Credo, consideram repreensível e pecaminosa a sodomia ou que não aprovam a legitimação do “matrimónio” homossexual. Um pronunciamento dos Bispos contra Bergoglio numa questão como a da homossexualidade poderia autorizar a autoridade civil a persegui-los criminalmente com a aprovação do Vaticano.

Bergoglio, portanto, não teria apenas do seu lado a “deep church”, representada pelos rebeldes, como o P. James Martin, s.j., e os expoentes do “synodal path” alemão, mas também o “deep state”. Não é de surpreender que, no documentário, também haja um endorsement ao candidato democrata nas próximas eleições presidenciais americanas, juntamente com uma desconcertante condenação da política da administração Trump, acusado de separar as famílias que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos, quando, na verdade, o Presidente está a enfrentar a exploração de seres humanos e o tráfico de menores.      
Assim, enquanto aos Bispos conservadores americanos é feita a proibição de intervir no debate político em apoio ao Presidente Trump, o Vaticano pode permitir-se a desenvoltas ingerências nas eleições em favor do seu adversário democrático, unindo-se à censura das redes sociais e dos media sobre as gravíssimas acusações contra a família Biden.

Como Católicos, somos chamados a estar ao lado daqueles que defendem a vida, a família natural, a soberania nacional. Pensávamos ter o Vigário de Cristo ao nosso lado. Reconhecemos dolorosamente que, neste confronto épico, aquele que deveria conduzir a Barca de Pedro escolheu ficar ao lado do Inimigo para afundá-la. Recordando a coragem dos Santos Pontífices em defender a integridade da Fé e promover a salvação das almas, deve-se observar: «Quantum mutatus ab illis!».

† Carlo Maria Viganò, Arcebispo



[1] https://www.vaticannews.va/it/papa/news/2020-10/papa-francesco-film-documentario-festival-cinema-roma.html

[2] https://www.catholicnewsagency.com/news/pope-francis-calls-for-civil-union-law-for-same-sex-couples-in-shift-from-vatican-stance-12462

[3] https://www.americamagazine.org/faith/2020/10/21/pope-francis-gay-civil-union-documentary

[4] «Homosexuals have a right to be a part of the family. They’re children of God and have a right to a family. Nobody should be thrown out, or be made miserable because of it».

[5] «What we have to create is a civil union law. That way they are legally covered. I stood up for that».

2 comentários:

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
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