terça-feira, 27 de outubro de 2020

As raízes católicas dos Estados Unidos da América

A presença católica em território americano afirmou-se ao longo de cerca de meio milénio. Testemunham-no, hoje, alguns importantes lugares de culto que têm sido cenário de milagres e de importantes etapas do processo de evangelização do continente.          

É o caso do Santuário de Chimayo, localizado no Novo México, nos Montes Sangre de Cristo, um segmento das Montanhas Rochosas. Tal estrutura é meta de peregrinação, principalmente durante a Semana Santa, e foi rebaptizada de «Lourdes do continente americano». A área em que se encontra parece já ter sido habitada desde o século XII. Quando os conquistadores lá chegaram, trouxeram o Cristianismo aos povos indígenas (em particular, aos índios Pueblo). Após alguns confrontos tempestuosos, no entanto, os espanhóis foram repelidos e forçados a recuar.

Alguns anos depois, entre 1692 e 1696, as tropas espanholas foram novamente engajadas no território do Novo México. Desta vez, eram comandadas pelo governador Diego de Vargas. Os índios Pueblo ainda tentaram rebelar-se, mas com menos força e tenacidade do que no passado. Foi assim que, no início do século XVIII, a Coroa Espanhola já se impunha nesta região. Na verdade, parece que o Cristianismo aqui não entrou em eclipse no período entre o primeiro desembarque dos conquistadores e o segundo. Diego de Vargas, a esse respeito, contou ter identificado, entre os índios americanos, um depósito de preciosidades pertencentes à tradição cristã, aparentemente ainda usadas diariamente.  

As famílias dos conquistadores estabeleceram-se ao longo das margens do rio Santa Cruz e na aldeia de El Potrero, onde foram lançadas as fundações do mencionado Santuário e no qual se difundiu, durante o século XIX, uma especial devoção a uma imagem milagrosa conhecida como “Nosso Senhor de Esquipulas”.

A estátua, ainda hoje preservada no Santuário, foi encontrada por um penitente, que ficou surpreso ao ver um raio de luz vindo, ao que parecia, do solo, sobre uma das quatro colinas acima mencionadas. Intrigado, escavou com as próprias mãos e encontrou um crucifixo no chão. Imediatamente, alguns homens foram até um sacerdote, frei Alvarez, para inteirá-lo desse acontecimento prodigioso. Era a noite de Sexta-Feira Santa de 1810. O religioso levou consigo a escultura e transportou-a para a sua igreja. No dia seguinte, o artefacto foi dado como desaparecido: inexplicavelmente, foi encontrado, mais tarde, no exacto local onde havia sido encontrado algumas horas antes. O episódio repetiu-se algumas vezes. As curas milagrosas, ligadas à visita àquele lugar de culto, foram tantas e tais que, passados
​​apenas três anos, se julgou oportuno erigir, no seu lugar, um Santuário de maiores dimensões: aquele que, ainda hoje, é visitado por milhares de fiéis. A sagrada imagem de Cristo é conservada atrás do altar-mor.

Também merece destaque o milagre ocorrido no pátio do convento franciscano de Santa Cruz, em Querétero, no vizinho México. Aqui, fora nomeado superior o P. Antonio Margil, homem conhecido pelo seu zelo e pela sua fé. Já estivera numa missão junto dos nativos americanos da Guatemala. Ainda em vida, contavam-se dele feitos prodigiosos. Quando os índios Talamanca o colocaram em cima de uma pira e a incendiaram, a imagem do crucifixo que ele segurava ficou carbonizada, mas o religioso saiu ileso. Além disso, segundo o testemunho de um sacerdote, o P. António carregava consigo uma bolsa cheia de trigo, para comer e para partilhar com as pessoas que encontrava durante a sua missão.         

Tal reserva foi-lhe milagrosamente suficiente para um período de cerca de três meses. No referido mosteiro de Santa Cruz, o religioso, voltando de uma pregação numa aldeia próxima, implantou no solo a sua bengala. Depois de alguns dias, a partir dela cresceu uma planta que, em vez de flores e frutos, produziu pequenos ramos em forma de cruz. De cada um deles brotaram três ramos menores, como que imitando a coroa de espinhos que Cristo usara no Calvário. Este prodígio foi lido como uma imagem eficaz daqueles missionários que se dedicaram e deram a vida pela conversão do Novo Mundo.     

Rino Zabiaffi      

Através de Radio Roma Libera

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