segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A fé declina e o Papa aposta no comunismo

Se a Encíclica Fratelli tutti, de Bergoglio, fosse realmente aplicada, Deus, a Igreja e o Cristianismo, como os conhecemos até agora, provavelmente desapareceriam e haveria o advento do comunismo, a abolição da propriedade privada e dos estados soberanos, a ocupação de casas vazias ou por alugar para os necessitados, a expropriação de bens em favor dos pobres, o direito universal de cada um de escolher a cidadania. Para o bem da humanidade, estouraria a mais sangrenta guerra civil mundial. Marx e Lenine, Mao e o nosso próprio comunismo, Grillo e o rendimento mínimo universal são apenas a versão moderada do manifesto político e ideológico de Bergoglio e da sua utopia igualitária. Não estou a exagerar. Lede o texto do Papa, lançado de Assis, e não as reduções adocicadas e gentis para os media. Aqui estão alguns trechos (desculpem se insisto, mas foram muitos os que me pediram para voltar ao tema e aprofundá-lo).

Inspirando-se em São João Crisóstomo, Bergoglio afirma que «não fazer os pobres participar dos próprios bens, é roubar e tirar-lhes a vida; não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos» (n. 119). Aparentemente, o Papa refere-se à função social da propriedade, contemplada na doutrina social da Igreja, mas, depois, passa a reiterar que «a tradição cristã nunca reconheceu como absoluto ou intocável o direito à propriedade privada» (n. 120). E, para quem tem dúvidas, especifica no mesmo parágrafo: «o direito à propriedade privada só pode ser considerado como um direito natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados, e isto tem consequências muito concretas». Ou seja, para ser concreto, quem se encontra em situação de pobreza e de necessidade, como os migrantes, no supremo nome do destino universal dos bens, poderá exigir que os bens e a propriedade privada sejam expropriados ou redistribuídos porque tudo é de todos. No parágrafo 124, continua Bergoglio, «hoje requer-se que a convicção do destino comum dos bens da terra se aplique também aos países, aos seus territórios e aos seus recursos», «cada país é também do estrangeiro». Portanto, para colocá-lo em prática, não há direito, território, impostos pagos, leis e segurança pública de uma nação que possam impedir alguém de aproveitar os bens públicos e privados daquela nação, a prestação de serviços sociais, sanitários, subsídios e quaisquer outros benefícios. A utopia subjacente a tudo isto é o desejo de «um planeta que garanta terra, tecto e trabalho para todos». Nem mesmo Marx e Engels foram tão longe...

Em seguida, acrescenta no parágrafo 129, «o ideal seria, sem dúvida, tornar desnecessárias as migrações» e «criar reais possibilidades de viver e crescer com dignidade nos países de origem»... «Mas, enquanto não houver sérios progressos nesta linha, é nosso dever respeitar o direito que tem todo o ser humano de encontrar um lugar onde possa não apenas satisfazer as necessidades básicas dele e da sua família (o Papa deseja, mais tarde, o direito à reunificação familiar), mas também realizar-se plenamente como pessoa». Falamos de cerca de oito biliões de pessoas, até mesmo a distribuir os bens se dividiria a miséria. «É preciso prestar atenção à dimensão global para não cair numa mesquinha quotidianidade» (n. 142). O único aspecto negativo dos migrantes para o Papa é que alguns deles «são atraídos pela cultura ocidental», identificada, por Bergoglio, com o mal, a droga, as armas. Ignora que cultura ocidental significa cristandade, civilização, direitos, liberdade, bem-estar... Mas, para ele, a pureza dos migrantes e dos seus mundos é manchada só pelo vírus ocidental.

O manifesto de Bergoglio torna-se, então, abertamente político. No plano histórico, exorta a não esquecer o Holocausto e a bomba atómica em Hiroshima e Nagasaki, enquanto se esquece do gulag e dos extermínios dos regimes comunistas ateus no mundo. O comunismo nunca é mencionado; só é pregado sem nunca nomeá-lo em vão... Depois, acrescenta que «toda a guerra deixa o mundo pior do que o encontrou» (n. 261): portanto, mesmo a Segunda Guerra Mundial; era melhor antes, quando Hitler estava lá... Um erro grosseiro.

A encíclica, dedicada à fraternidade universal, aponta para os inimigos: os populistas e os nacionalistas, mas também os liberais; e os individualistas, os capitalistas e aqueles que
constroem muros. O racismo, no seu dizer, é «um vírus que muda facilmente e, em vez de desaparecer, dissimula-se mas está sempre à espreita» (n. 97), assim como a “reacção espreita” na propaganda dos regimes comunistas. Ao inimigo no poder basta «procurar, de várias maneiras, que deixe de oprimir», «tirar-lhe o poder que não sabe usar» (n. 241). O Papa condena os fanatismos, mas não cita nenhum fanático islâmico ou terrorista ideológico; cita apenas os… cristãos intolerantes e, em particular, os digitais (n. 46). Curiosa esta encíclica contra o Ocidente cristão…

Os bandidos, ou os delinquentes, são colocados no mesmo nível daqueles que «passam pelo caminho olhando para o lado», os hipócritas burgueses são aliados e equiparados aos criminosos (n. 75). No parágrafo 103, o Papa explicita a sua dívida para com a Revolução Francesa, intitulando-a, de facto, Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O mais citado no texto é Imã Ahmad Al-Tayyeb; Francisco de Assis é mencionado apenas como cristão ocidental, juntamente com três não católicos, os negros Luther King e Desmond Tutu e o indiano Gandhi. Parece uma canção de Jovanotti... A ideia de Bergoglio é que Cristo foi um revolucionário subversivo e que, depois, a história e a Igreja traíram-no; agora, com ele, voltamos às origens. Refundação comunista.

A Igreja e a fé estão em declínio e o Papa aposta na revolução planetária e no comunismo global. Os seus preceitos podem justificar qualquer invasão, ocupação, expropriação. Deus nos proteja do comunismo papal.

Marcello Veneziani   

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