domingo, 25 de outubro de 2020

A Alma e a Cruz

Vivendo num mundo que, a cada dia que passa, mais “soluções” apresenta para as gerações cada vez mais desejosas de rápidas respostas e de opções aparentemente fáceis, para nós, católicos, a única opção que se pode considerar como sendo segura e verdadeira é a que passa pelo caminho da Cruz. Assim, e como forma de incentivo, partilhamos, de seguida, um breve texto que uma leitora nos fez chegar. Confiámo-lo à protecção de Nossa Senhora e, neste dia da festa de Cristo Rei, pedimos-lhe que nos ajude a sermos fiéis ao Reinado de Nosso Senhor.

 

«Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33). Cada ser humano, ao longo da sua vida, enfrentou ou enfrentará batalhas espirituais, sendo que existem duas opções: ou desistimos ou lutamos e seguimos em frente. Durante 16 anos da minha vida, achei que o caminho que estava a seguir era o correcto, mas enganei-me. O verdadeiro caminho é o caminho de Deus, não outro.

Por vezes, a nossa vida é um mar de escuridão que não desaparece e, nessas situações, achamos que o ideal será obter respostas mais rapidamente, pois o que pretendemos é que essa escuridão se transforme em luz e perceber o motivo pelo qual estamos a atravessar tamanho sofrimento. Somos seres-humanos e, como tal, cometemos erros, somos frágeis, não conseguimos superar obstáculos, entramos em depressão e, certas vezes, em colapso emocional. Há momentos em que não conseguimos explicar a dor que sentimos, o vazio, a tristeza que invade a nossa alma, há momentos assim, momentos que podem durar horas, momentos que podem durar dias, meses ou até mesmo anos.
Madre Teresa de Calcutá, durante cinquenta anos, vivenciou um vazio espiritual. Contou ela: «Chamo, aferro-me, quero e ninguém me responde. Quando tento elevar os meus pensamentos ao céu, há tal convicção de vazio que esses mesmos pensamentos retornam como facas afiadas e danificam a minha alma». Pegando no seu exemplo, ao longo da nossa vida experienciamos estes momentos, um vazio interior sem explicação, uma espécie de buraco negro – acredita-se que esteja relacionado com o fim de vida de uma estrela, isto é, esta torna-se instável, entra em colapso e explode, transformando-se, assim, num conhecido buraco negro. Podem questionar o porquê desta analogia, podem até achar que não faz qualquer tipo de sentido, todavia é interessante. E porquê? Nós, humanos, em certas circunstâncias da vida, somos essa estrela, ou seja, deparámo-nos com situações difíceis de resolver, entramos em colapso espiritual e a nossa alma parece que desvanece, parece que ficamos sem rumo, que demos início a um vazio infinito que se torna numa escuridão sem sentido. Pois bem, podia dar-vos a conhecer um livro que inclui tudo o que precisamos de saber e fazer para terminar com tamanho sofrimento, para eliminar por completo o vazio espiritual, mas não existe: a única solução, o único caminho, a única “luz ao fundo do túnel” é a Palavra de Deus.

«Cristo Crucificado fez do seu corpo uma escada, a fim de que subamos às alturas da vida celeste» (Santa Catarina de Sena). Nesta citação, podemos encontrar a nossa resposta, mas poderão questionar-se de que forma. É simples, mas, ao mesmo tempo, complexo, pois encarar a situação e vivenciá-la torna-se numa tarefa árdua. Jesus sofreu, carregou a sua cruz, foi crucificado e morreu nela por nós, que somos eternos pecadores, e Ele sabia que a vida terrena nada se compara à vida celeste, à própria eternidade. Por vezes, a resposta não é óbvia, por muito que rezemos, por muitas orações que façamos, a resposta pode não existir, mas isso não significa que Deus não nos ouça. Deus ouvir-nos-á sempre, nós é que não o ouvimos, ou melhor, nós não o escutamos e, muitas das vezes, quando sentimos o nosso mundo a desabar, quando o vazio se propaga rapidamente na nossa alma, achamos que o ideal é a procura apressada de respostas tal e qual como a propagação desta escuridão. Todavia, e falo por experiência própria, essa procura muitas das vezes leva-nos a determinados locais e pessoas que não seguem o caminho de Deus e nessas situações o mais correcto a fazer é fugir e não olhar para trás.  

Maria Martins  

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