quinta-feira, 10 de setembro de 2020

São Nicolau de Tolentino, sacerdote



Para o patrocínio da maternidade, ao lado da Mãe de Nossa Senhora, bem pode figurar o benevolente intercessor que é São Nicolau de Tolentino.          

É verdade que o alcance do auxílio milagroso atribuído a São Nicolau pela, ainda hoje, vastíssima devoção popular, é muito amplo: das doenças às injustiças, da tirania aos danos patrimoniais, dos incêndios à libertação das almas do Purgatório. Mas a intercessão na maternidade, especialmente se em idade avançada, tem uma razão particular.    

Estava-se a meio do século XIII e os cônjuges Compagnone dei Guarinti e Amata dei Gaidani estavam a envelhecer e à beira do desespero por não terem filhos. Viviam em Castel Sant’Angelo, hoje Sant’Angelo in Pontano, na província de Macerata; viviam em boas condições económicas, por isso, um filho também podia significar a passagem das heranças materiais. Naquela época, a não chegada de um filho era sempre atribuída à mulher, de modo que a lacuna estava na impossível maternidade e não tanto nas disfunções ligadas à paternidade. Com tal em mente, eram procurados os remédios mais ou menos eficazes e, talvez, até alguma intervenção da feitiçaria.           

Como casal cristão crente, o casal de Castel Sant’Angelo recorria, sempre com maior frequência, à oração. A certa altura, lembraram-se do santo dos dons por excelência: com orações e lágrimas suplicaram, de facto, durante muito tempo, a São Nicolau de Bari. E, em 1245, nasceu o filho tão desejado que, por gratidão, foi baptizado com esse nome. A infância foi pacífica, manifestando ele, todavia, uma inclinação natural para a oração e para uma rigorosa observância dos próprios deveres. 

Assim estruturado, Nicolau aproximou-se dos Agostinianos da sua cidade natal aos doze anos e, em 1260, foi admitido no noviciado. Concluiu, posteriormente, os estudos necessários para o sacerdócio, obtendo a ordenação em Cingoli, não distante de Macerata, em 1269. Realizou, em diversas localidades, o apostolado que lhe foi confiado, até que, em 1275, se retirou, talvez por motivos de saúde, na ermida agostiniana de Tolentino. Aqui morreu trinta anos mais tarde, a 10 de Setembro de 1305, depois de ter desenvolvido o apostolado do confessionário e da assistência aos pobres, e de ter vivido em humildade e penitência.          

Após a canonização definitiva, em 1446, o seu culto espalhou-se por toda a Itália, em muitos outros Países europeus e, depois, nas Américas, em parte também devido à gradual afirmação da Ordem Agostiniana. No entanto, Tolentino já lhe tinha construído uma basílica, ainda hoje meta de peregrinações e rica em obras de arte. Os seus restos mortais são, em grande parte, mantidos na cripta, excepto os “Santos Braços”, que se partiram e sangraram quarenta anos após a morte do santo. A Igreja recorda liturgicamente São Nicolau de Tolentino a 10 de Setembro, o seu dies natalis.   

Através de Corrispondenza Romana

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