quarta-feira, 9 de setembro de 2020

O coronavírus e a Nova des-Ordem Mundial



A era do coronavírus vê uma nova fase da luta cósmica entre as forças celestiais e as infernais. Na História, de facto, ao lado da mão de Deus, é preciso ver também a do demónio, que se opõe sempre aos planos divinos para tentar realizar os seus deformados projectos. O Reino de Deus é o da ordem, da paz, da harmonia; o do demónio é o reino do caos, do conflito, da revolução perene. Deus permite, para sua maior glória, que os dois reinos, o primeiro sempre vencedor, o segundo sempre derrotado, combatam até ao fim dos tempos.

Hoje, os seguidores do demónio são os cientistas que, nos laboratórios, tentam tornar-se senhores da vida e da morte da humanidade e os engenheiros sociais que, através de técnicas sofisticadas, manipulam os humores da opinião pública. Depois do fracasso das grandes ilusões que abriram o século XX, as forças revolucionárias alimentam um cenário de profundo caos social e mental. Seis meses após a sua explosão, a consequência mais grave que o coronavírus teve até agora não foi nem de ordem sanitária, nem de ordem económica, mas de ordem psicológica. Ninguém sabe o que pensar e, muitas vezes, sucedem-se pensamentos opostos, como nos casos de dissonância cognitiva. Através de um perspicaz artigo num jornal romano, o sociólogo Luca Ricolfi escreve que o terreno sobre o qual estão a ocorrer, hoje, as mudanças mais radicais é o modo de funcionamento da nossa mente. A mudança mais evidente é a incerteza, que não é apenas a dificuldade de projectar o futuro, mas é «um estado generalizado de anarquia mental». O regime de anarquia mental desencadeado pelo COVID-19, escreve Ricolfi, é perigoso para a coesão social porque a vida social rege-se sob regras comuns e esquemas partilhados de percepção da realidade, «mas também é perigoso para o equilíbrio psicológico do indivíduo, porque um mundo em que cada um vê o que quer ver, independentemente do que os outros veem, é altamente ansiógeno, conflituoso, desestabilizador» (Come il Covid sta cambiando le nostre vite, in Il Messaggero, 5 de Setembro de 2020).        

O COVID-19 é um vírus traiçoeiro, mentiroso e multifacetado que aterroriza alguns, paralisando as suas forças, e destruindo o equilíbrio de outros, fazendo-os crer que é inexistente. Graças a estas contradições, o reino de Babel avança num clima de medo e de pessimismo. O abandono à Divina Providência é necessário para resistir sem perder a virtude sobrenatural da esperança. Ficam privados de esperança aqueles que, vivendo no terror de serem infectados, se submetem a qualquer imposição da autoridade civil ou eclesiástica, mas também aqueles que atribuem tudo o que acontece a um projecto de destruição contra o qual nada se pode fazer, excepto bradar a própria raiva.         

Aqueles que, na era do coronavírus, vivem com medo, com raiva e com frustração, perdem a sua batalha contra o maléfico vírus. Só vence quem conserva, no fundo da alma, a alegria que proporciona o serviço ao Senhor. Esta alegria é um dom divino: para quem não pede esta ajuda, tudo está perdido. Aqueles que confiam na ajuda da graça, pelo contrário, combatem e vencem, especialmente se se confiarem Àquela que é o canal de todas as graças, a Bem-Aventurada Virgem Maria, da qual a Igreja, a 8 de Setembro, recorda a Natividade e, no dia 12 de Setembro, o Santíssimo Nome. São Bernardino de Sena, à revolução dos costumes do século XV, opôs a devoção ao nome de Jesus. A devoção ao nome de Maria constitui uma arma preciosa contra a Revolução psicossocial do século XXI. Depois do nome de Jesus, não há nome maior que possa ressoar do que o de Maria, diante da qual se dobram todos os joelhos no céu, na terra e no inferno (Filipenses 2, 10). Com este nome nos lábios e no coração, de nada temos medo.

Roberto de Mattei      

Através de Corrispondenza Romana

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