segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Nota sobre a carta do Cardeal Robert Sarah aos Bispos



14 de Setembro de 2020
Festa da Exaltação da Santa Cruz

A 8 de Maio de 2020, a Conferência Episcopal Portuguesa, órgão imemorial e degenerado que reúne os Bispos portugueses, publicou uma lista de orientações para o reinício das celebrações, que aconteceu a 30 de Maio, pouco mais de dois meses depois de os Pastores terem desertado e, assim, desamparado os fiéis num momento particularmente complexo e exigente. Nessa lista, é indicado que «continua a não se ministrar a comunhão na boca». Em reacção a essa violação gravíssima da Lei de Deus e da lei da Igreja, mais de cinco centenas de fiéis católicos lusos endereçaram à Conferência Episcopal, com conhecimento do Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e do Núncio Apostólico em Portugal, um apelo que, para além de nunca ter obtido uma resposta formal, foi alvo das peçonhentas críticas do purpurado de Leiria-Fátima, a quem também foi dirigida uma missiva, a que nunca se dignou responder.           

Face à falta de resposta por parte dos Bispos portugueses e da própria Congregação para o Culto Divino, o grupo de promotores do Apelo dirigiu, por e-mail, uma mensagem ao Cardeal Robert Sarah pedindo que, o quanto antes, fosse emitida uma declaração em defesa do Augusto Sacramento e dos direitos de os fiéis poderem receber a Sagrada Comunhão na boca. Tal documento não surgiu rapidamente, mas eis que, há dois dias, o mundo católico foi surpreendido com uma ambígua carta do Cardeal Sarah aos Presidentes das Conferências Episcopais. 

Vejamos:

1. O Cardeal Sarah começa por explicar: «Reconheça-se aos fiéis o direito de receber o Corpo de Cristo e de adorar o Senhor presente na Eucaristia, nos modos previstos, sem limitações que chegam mesmo a ir além do previsto pelas normas higiénicas emanadas pelas autoridades públicas ou pelos Bispos». À primeira vista, o Cardeal, em nome do Papa e da Igreja, dava razão aos fiéis que, ao longo destes meses, têm sido proibidos de comungar dignamente. Atentemos, todavia, no segundo ponto.         

2. Chegados aqui, somos presenteados com esta indicação: «Um princípio seguro para não errar é a obediência. Obediência às normas da Igreja, obediência aos Bispos. Em tempos de dificuldade (por exemplo, pensamos nas guerras, nas pandemias), os Bispos e as Conferências Episcopais podem dar normas provisórias às quais se deve obedecer. A obediência guarda o tesouro confiado à Igreja. Essas medidas ditadas pelos Bispos e pelas Conferências Episcopais caducam quando a situação regressa à normalidade».      

Muito se poderia dizer, porém, é simples e directa a análise a ser feita: os Pastores desobedecem ao Divino Mestre e, por meio da sua desobediência, querem levar os fiéis a fazer o mesmo. Nesta obstinação, acompanha-os o Cardeal Robert Sarah que, num golpe de magia, quer agradar a uns e a outros, esquecendo-se das palavras do Divino Senhor: «Ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6, 24). Conhecendo bem as limitações e as cismas dos Prelados portugueses, sabemos que, dada a vacilação deste documento, que contou com a expressa aprovação de Francisco, a situação permanecerá exactamente tal como está. Para o biltre contentamento de uns e para a desgraça e danação de inúmeros!      

Sirvam-nos de alento as palavras do Deuteronómio: «Sê forte e valente! Não temas, nem te aterrorizes à vista deles. Pois, o Senhor, teu Deus, vai contigo; não te deixará sucumbir nem te abandonará» (31, 6).

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