terça-feira, 29 de setembro de 2020

«Não há motivos de saúde para banir a comunhão na boca»

Um grupo de médicos alemães escreveu uma declaração à Conferência Episcopal Alemã na qual diz que «não existem razões médicas para acabar com a comunhão na boca», de acordo com um comunicado de imprensa obtido pela LifeSiteNews.   

O documento foi escrito por «médicos de diferentes regiões e com diferentes especialidades», disse um dos responsáveis pelo documento à LifeSiteNews. De acordo com o porta-voz (que deseja permanecer anónimo), a iniciativa foi tomada «porque na Alemanha pensámos que, após ter sido levantada na Áustria a proibição de dar comunhão na boca, também seria novamente permitida no nosso país a breve prazo. Mas como nada disto se verificou ao fim de várias semanas, decidimos tomar esta iniciativa».

Em Junho, 21 médicos austríacos citaram a opinião profissional do Professor Filippo Maria Boscia, presidente da Associação dos Médicos Católicos de Itália, que em Maio declarou ser «mais seguro receber a comunhão na boca do que a comunhão na mão».  

Em vista da crise do coronavírus, os bispos alemães proibiram a comunhão na boca. Essa proibição continua em vigor. Assim sendo, os fiéis são obrigados a receber a Sagrada Comunhão na mão. Os bispos alemães terão a sua reunião anual do Outono entre 22 e 24 de Setembro, para a qual esta nova declaração foi preparada.       

O jornal católico alemão Die Tagespost, que a 17 de Setembro noticiou pela primeira vez esta nova iniciativa, explica mais detalhadamente quais são os argumentos deste grupo de médicos.      

Segundo este jornal, os médicos contam, entre outros, com o trabalho do virologista de Munique, Michael Roggendorf, que trabalha no campo da intervenção da crise do coronavírus.           

De acordo com estes médicos, as mãos dos fiéis que comungam nas igrejas são também portadoras de vírus e bactérias, uma vez que tocam nos bancos quando se sentam ou se ajoelham. Portanto, a recepção da Sagrada Comunhão na mão «não pode ser considerada como alternativa [higiénica] segura», declara o relatório do Tagespost.      

Se durante a distribuição da Sagrada Comunhão, o padre tocar na língua de uma pessoa que comunga na boca, pode sempre desinfectar as suas mãos. Além disso, quando as pessoas abrem a boca, tendem mais a inspirar e não a expirar, sendo portanto pouco provável que haja dispersão  de gotícolas. Assim, explica o relatório, a comunhão na boca é mais segura do que a comunhão na mão, até porque a posição ajoelhada para a comunhão na boca cria uma distância mais segura entre o sacerdote e a pessoa que comunga.

A juntar aos argumentos dos 27 médicos a favor da comunhão na boca, o relatório do Tagespost diz que o rito tradicional da Santa Missa inclui um procedimento rigoroso para lavar as mãos. Ou seja, a lavagem das mãos do sacerdote não depende da sua vontade, mas faz parte do rito da Missa. Apenas ao sacerdote é permitido tocar o cálice, a patena e o cibório. Além disso, após a Consagração na Missa Tradicional em latim, o sacerdote celebrante já nem sequer toca em nada com os seus dedos polegar e indicador, os quais têm que permanecer unidos para se manterem inteiramente limpos [até ao momento da comunhão]. 

Os médicos também salientam que a Suíça nunca proibiu a comunhão na boca e nunca teve por causa disso um pico de infecções.           

Em relação a outras doenças, tais como gripe e infecções meningocócicas, os médicos afirmam que o risco de infecção é baixo.

Conforme diz o comunicado de imprensa do grupo de médicos, emitido a 19 de Setembro, a Conferência Episcopal dos bispos alemães decidirá na sua próxima assembleia de Outono se «levantará a proibição da comunhão na boca». Com ela, seguiriam os seus colegas na Áustria, que já tinham tido uma iniciativa semelhante na Festa de Corpus Christi, em Junho deste ano, e na sequência da qual a «Conferência Episcopal Austríaca levantou a proibição da comunhão na boca».    

Estes médicos alemães esperam que «a sua intervenção ponha termo ao conflito de consciência entre muitos fiéis e sacerdotes e que deixe de ser negada a forma canónica comum de recepção da comunhão».     

De acordo com o comunicado de imprensa, já outros médicos se juntaram ao grupo original de signatários.       

Este grupo de médicos pergunta por que não se juntam os bispos alemães aos bispos austríacos e suíços, que permitem a comunhão na boca, e conclui o seu comunicado de imprensa questionando «Por que têm os bispos alemães de sair desta comunidade [do âmbito da língua alemã] e seguir um «Sonderweg» [caminho independente e de excepção]?»  

A organização Voz da Família, juntamente com a LifeSiteNews, organizou em Julho uma conferência online sublinhando a importância de receber dignamente a Sagrada Comunhão, ou seja, de joelhos e na boca. Um dos seus porta-vozes, Dr. Peter Kwasniewski, colaborador da LifeSiteNews, insistiu que os bispos estão a exceder a sua autoridade ao negar aos católicos o direito de receber a Sagrada Comunhão na boca. «Muitos bispos estão actualmente a abusar da sua autoridade ao se sobreporem ao Direito Canónico, segundo o qual os fiéis têm claramente o direito de receber a comunhão na boca. É exactamente assim», declarou.

Através de LifeSiteNews
Tradução de Luís Ferrand d’Almeida

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