terça-feira, 8 de setembro de 2020

Falta de devoção eucarística



O Dies Iræ publica a reflexão de um jovem amigo e leitor que, a partir do seu ponto de vista, certamente semelhante ao da esmagadora maioria daqueles que nos seguem, expõe a aterradora falta de Fé no Sacramento da Eucaristia que, por obra de Satanás, ataca, lamentavelmente, tantos e tantos Pastores da Igreja. Sirva-nos este texto de reflexão!


Lamentam-se os Padres e os Bispos que os jovens vão cada vez menos à Missa e não há uma participação assídua na Eucaristia Dominical. De facto, é uma realidade, não só dos jovens, mas também de grande parte da sociedade portuguesa. Tal deve-nos fazer pensar e tentar perceber qual a causa do problema[1]. 

Nesta medida, devem os nossos pastores reflectir se tal não se prenderá, em parte, em culpa sua. Quantas vezes ouvimos nós falar da importância da Eucaristia? E da sua diferença das demais orações e actos litúrgicos? Quantas vezes não vemos menosprezado este importantíssimo Sacramento?

Os leigos   

A maior parte dos leigos não consegue distinguir a celebração da Eucaristia de uma Celebração da Palavra; para muitos leigos, o que define a Missa é a homilia, a liturgia da Palavra e a qualidade do coro; sendo que tal é extremamente preocupante. Os padres preferem falar em “Assembleia Celebrante”, na “Celebração Dominical”, na Liturgia da Palavra, e não do Sacrífico Eucarístico, da Páscoa renovada a cada dia, do sacrifício incruento de Cristo, do Sacrifício redentor em si. Ou seja, há uma enorme falta de uma catequização séria dos fiéis, chegando-se ao cúmulo de os fiéis preferirem outra celebração à Eucaristia, dizendo que podem perfeitamente viver sem irem à Eucarística. A culpa não é sua, é dos pastores que não os educam na Verdade da Fé e para a adoração perfeita a Deus.

Em suma, muitos leigos veem a Liturgia Eucarística como acessória e secundária, e não como o cume e o principal de toda a celebração.  

Os sacerdotes    

Já não se fala do sacrifício eucarístico, dando-se mais importância à Assembleia do que à Celebração. Muitos dos sacerdotes fazem da eucaristia uma forma de “entretenimento dominical” e não a Celebração do Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor. A forma como se fala, o que se fala, e a homilia, são de extrema importância. Durante a liturgia, o sacerdote não deve focar a atenção na sua pessoa, mas sim no mistério que está a celebrar[2].    

A catequese não é somente feita com palavras, mas é também feita com gestos, com atitudes e com o exemplo. Ora, se dizemos que a Eucaristia é centro da vida Cristã, tal deve ser vivido e experienciado em primeiro lugar pelos sacerdotes. Com efeito, devem os sacerdotes promover um maior e melhor culto à Eucaristia, começando, desde logo, por uma melhor e mais digna celebração litúrgica, respeitando os ritos e as reverências devidas. O povo deve ainda ser exortado para a importância e grandiosidade da Santa Missa e do seu valor infinito, face a todas as demais orações e sacrifícios (que, por serem humanos, são finitos).         

Os jovens 

Os pastores devem cultivar nos jovens a devoção eucarística, o encanto e a reverência pelo Sacramentum Sacramentorum. Deve haver uma atenção especial em transmitir o cuidado, a reverência e a Fé; não devemos descuidar, em nome da dita “pastoral”, tudo aquilo que remeta mais para Deus e para o Louvor que Lhe é devido. Os jovens precisam é de uma pastoral que promova o encontro, a intimidade com Nosso Senhor, presente plenamente no Santíssimo Sacramento, assim como uma pastoral de crescimento na Sabedoria, na Fé e na Santidade.   

Se queremos que, efectivamente, os leigos, e os jovens em especial, prestem mais atenção e devoção à Missa, tal deve partir do exemplo e dos ensinamentos dos sacerdotes. Estes não se devem cansar de pregar e explicar a grandeza e a importância de tal insigne Mistério para a nossa salvação.

Aníbal Fernandes, Estudante de Direito      


[1] https://agencia.ecclesia.pt/portal/leiria-fatima-d-antonio-marto-teme-que-novas-geracoes-abandonem-celebracao-da-missa/
[2] «Aqui, mais do que nunca, o sacerdote é servo e deve continuamente empenhar-se por ser sinal que, como dócil instrumento nas mãos de Cristo, aponta para Ele. Isto exprime-se de modo particular na humildade com que o sacerdote conduz a acção litúrgica, obedecendo ao rito, aderindo ao mesmo com o coração e a mente, evitando tudo o que possa dar a sensação de um seu inoportuno protagonismo» – Bento XVI, Exort. Apos. Sacramentum Caritatis, n. 23.

2 comentários:

  1. Boa tarde!

    Infelizmente, nós que nascemos pós CV II, não tivemos a graça de conhecer a Verdadeira Missa Católica, a de Sempre, a dos Santos, mas apenas uma ceia, que em muito difere do Santo Sacrifício da Missa, conforme dito pelos Cardeais Otaviani e Bacci.

    Apenas após 2007, com o moto próprio do Papa Bento XVI,houve algo nessa direção, mas que precisa ser completo.

    Precisamos é de restaurar tudo em Cristo, devolver o Santíssimo ao seu lugar de honra no centro das Igrejas. Voltar o que foi colocado de lado pós concílio.

    E acabar com o culto do homem na Igreja Católica, que segundo Paulo VI, conforme seu discurso de encerramento do CVII, a Igreja também teria.

    Como pai de família, podemos, com a graça de Deus, ensinar nossos filhos o que é o Santíssimo Sacramento e pedir muito a Deus que nos ajude.

    Viva Cristo Rei!

    Viva a Virgem Imaculada!

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  2. Como é delicioso ao passar por aqui receber tão santas palavras ... quer de quem as escreve quer de quem as publica!

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