sábado, 12 de setembro de 2020

A festa do Nome de Maria



No mês de Setembro, celebram-se três festas dedicadas a Nossa Senhora. 

A primeira, a 8 de Setembro, é a da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria que, depois de ter sido concebida a 8 de Dezembro, viu a luz, nove meses depois, a 8 de Setembro. 

A segunda festa, que ocorre no dia 12 de Setembro, é a do Santíssimo Nome de Maria. 

A terceira, a 15 de Setembro, a de Nossa Senhora das Dores.   

Detenhamo-nos, por um momento, na festa do Nome de Maria.       

O nome de Maria não foi encontrado nem inventado pelos homens, mas foi escolhido, desde a eternidade, por Deus. Em Deus, tudo é coeterno, não há um antes e um depois, porém, segundo a linguagem humana, podemos dizer que Maria foi pensada por Deus antes de criar o Céu e a terra, melhor, o Céu e a terra foram, em certo sentido, ordenados para Ela, para que Ela pudesse ser a sua Senhora e Rainha.     

O nome de Maria evoca o nome do mar. São Boaventura argumenta que todas as graças que tiveram os anjos, os apóstolos, os mártires, os confessores, as virgens, convergiram em Maria, o mar de graças, e São Luís Maria Grignion de Montfort diz: «Deus Pai juntou todas as águas e chamou-lhes mar. De igual modo, reuniu todas as suas graças e chamou-lhes Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção, n. 23). Por isso, o nome de Maria, como recorda Santo Afonso de Ligório, é cheio de toda a doçura divina como a de Jesus. «Não falo de uma doçura sensível, que não é comumente concedida a todos», explica o santo. «Falo da salutar doçura do conforto, do amor, da alegria, da confiança e da força que o nome de Maria costuma conferir a quem o pronuncia com devoção» (Glórias de Maria).

Mas Maria não é apenas um mar de infinita doçura, é também um “mar amargo” de infinitas dores, que contém a Paixão de Nosso Senhor. Uma das lamentações do profeta Jeremias (Lm 1, 12) aplica-se, assim, a Maria: O vos omnes qui transitis per viam, atende et videte, si est dolor sicut dolor meus; «Ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se existe dor igual».

No entanto, o mar também representa a nossa vida exposta aos ventos e às correntes rodopiantes. Mas, deste mar, Maria é a Mestre. Portanto, São Bernardo define-a Stella Maris. «Estrela brilhante e maravilhosa que, elevada sobre a imensidão deste mar, resplandece pelos seus méritos e pelos seus brilhantes exemplos». E continua. «Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, em meio a borrascas e tempestades: se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz dessa estrela! Se o vento das tentações se levanta; se o escolho das tribulações se interpõe no teu caminho, olha para a estrela: invoca Maria! Se és agitado pelas ondas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha para a estrela: invoca Maria! Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação da tua alma, levanta os olhos para Maria! Se, perturbado pela lembrança da enormidade dos teus crimes, confuso à vista das torpezas da tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, deixas-te arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria! Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria! Que o seu nome nunca se afaste dos teus lábios, jamais abandone o teu coração; e, para alcançares o socorro da sua intercessão, não negligencies os exemplos da sua vida. Ao segui-la, não te desviarás; rezando-lhe, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo o erro. Se ela te sustenta, não cairás; se ela te protege, nada terás a temer; se ela te conduz, não te cansarás; se ela te é favorável, alcançarás a meta. E, assim, verificarás, pela tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem era Maria”» (Homilia em louvor da Virgem Maria).

A festa do nome de Maria foi instituída, pelo Beato Inocêncio XI, para comemorar uma grande vitória cristã contra o Islão: a libertação de Viena, dos Turcos, a 11 de Setembro de 1683, como tinha feito São Pio V, instituindo a festa de Nossa Senhora do Rosário, para comemorar a vitória de Lepanto a 7 de Outubro de 1571. 

Como São Pio V, o Beato Inocêncio XI estava convencido de que a vitória cristã era devida a Nossa Senhora e tivesse sido obtida em seu nome. Em Roma, foi construída uma igreja dedicada ao Santíssimo Nome de Maria, no Fórum de Trajano, para recordar a vitória de Viena.           

Depois do nome de Jesus, não há nome maior e mais venerável que pode ressoar no Céu e na terra do que o de Maria. E Maria foi sempre a grande protectora da Civilização Cristã. É por isso que, com particular fervor, recordamos a sua festa e, em seu nome, continuamos a combater em defesa da Civilização Ocidental e Cristã.   

Roberto de Mattei      

Através de Radio Roma Libera

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