quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Cardeal Burke dá orientações para o voto católico


Durante 13 anos, a Catholic Action for Faith and Family (Acção Católica pela Fé e Família) lutou empenhadamente na linha da frente para espalhar a Esperança e a Luz de Cristo no meio das trevas e da confusão da nossa época. O seu generoso apoio é crucial!

À medida que nos aproximamos dos últimos dias antes das eleições de 2020, vemos ambiguidade em muitas questões importantes e relativas à Fé e à Moral. Na entrevista deste mês, o Cardeal Burke dá orientações de voto aos católicos, ao mesmo tempo que encoraja cada um de nós a aprofundar os nossos conhecimentos sobre o modo pelo qual a nossa fé deve informar todos os aspectos da nossa vida, incluindo a nossa participação nos campos social e cívico.

Esta conversa com Sua Eminência é, sem dúvida, de importância para o futuro, uma vez que proporciona orientações necessárias para preservar a integridade da Fé Católica e para trazer à luz do dia uma oportunidade única para a Igreja poder prestar um grande serviço a toda a sociedade.

Foi à luz destes pressupostos que algumas questões importantes foram colocadas ao Cardeal Raymond Burke:

Podemos julgar com justiça a plataforma e as posições de um candidato?
Pode receber a Sagrada Comunhão um candidato que seja a favor do aborto?
Por que deveriam os católicos guardar as duas palavras “Por Deus” no Juramento de Fidelidade dos EUA?
Como harmonizar o nosso patriotismo e amor pelo nosso país com a nossa fé católica?
Em algum caso é lícito votar num candidato pró-aborto?
E muito mais...

Através de Catholic Action
Tradução de Luís Ferrand d’Almeida

terça-feira, 29 de setembro de 2020

«Não há motivos de saúde para banir a comunhão na boca»

Um grupo de médicos alemães escreveu uma declaração à Conferência Episcopal Alemã na qual diz que «não existem razões médicas para acabar com a comunhão na boca», de acordo com um comunicado de imprensa obtido pela LifeSiteNews.   

O documento foi escrito por «médicos de diferentes regiões e com diferentes especialidades», disse um dos responsáveis pelo documento à LifeSiteNews. De acordo com o porta-voz (que deseja permanecer anónimo), a iniciativa foi tomada «porque na Alemanha pensámos que, após ter sido levantada na Áustria a proibição de dar comunhão na boca, também seria novamente permitida no nosso país a breve prazo. Mas como nada disto se verificou ao fim de várias semanas, decidimos tomar esta iniciativa».

Em Junho, 21 médicos austríacos citaram a opinião profissional do Professor Filippo Maria Boscia, presidente da Associação dos Médicos Católicos de Itália, que em Maio declarou ser «mais seguro receber a comunhão na boca do que a comunhão na mão».  

Em vista da crise do coronavírus, os bispos alemães proibiram a comunhão na boca. Essa proibição continua em vigor. Assim sendo, os fiéis são obrigados a receber a Sagrada Comunhão na mão. Os bispos alemães terão a sua reunião anual do Outono entre 22 e 24 de Setembro, para a qual esta nova declaração foi preparada.       

O jornal católico alemão Die Tagespost, que a 17 de Setembro noticiou pela primeira vez esta nova iniciativa, explica mais detalhadamente quais são os argumentos deste grupo de médicos.      

Segundo este jornal, os médicos contam, entre outros, com o trabalho do virologista de Munique, Michael Roggendorf, que trabalha no campo da intervenção da crise do coronavírus.           

De acordo com estes médicos, as mãos dos fiéis que comungam nas igrejas são também portadoras de vírus e bactérias, uma vez que tocam nos bancos quando se sentam ou se ajoelham. Portanto, a recepção da Sagrada Comunhão na mão «não pode ser considerada como alternativa [higiénica] segura», declara o relatório do Tagespost.      

Se durante a distribuição da Sagrada Comunhão, o padre tocar na língua de uma pessoa que comunga na boca, pode sempre desinfectar as suas mãos. Além disso, quando as pessoas abrem a boca, tendem mais a inspirar e não a expirar, sendo portanto pouco provável que haja dispersão  de gotícolas. Assim, explica o relatório, a comunhão na boca é mais segura do que a comunhão na mão, até porque a posição ajoelhada para a comunhão na boca cria uma distância mais segura entre o sacerdote e a pessoa que comunga.

A juntar aos argumentos dos 27 médicos a favor da comunhão na boca, o relatório do Tagespost diz que o rito tradicional da Santa Missa inclui um procedimento rigoroso para lavar as mãos. Ou seja, a lavagem das mãos do sacerdote não depende da sua vontade, mas faz parte do rito da Missa. Apenas ao sacerdote é permitido tocar o cálice, a patena e o cibório. Além disso, após a Consagração na Missa Tradicional em latim, o sacerdote celebrante já nem sequer toca em nada com os seus dedos polegar e indicador, os quais têm que permanecer unidos para se manterem inteiramente limpos [até ao momento da comunhão]. 

Os médicos também salientam que a Suíça nunca proibiu a comunhão na boca e nunca teve por causa disso um pico de infecções.           

Em relação a outras doenças, tais como gripe e infecções meningocócicas, os médicos afirmam que o risco de infecção é baixo.

Conforme diz o comunicado de imprensa do grupo de médicos, emitido a 19 de Setembro, a Conferência Episcopal dos bispos alemães decidirá na sua próxima assembleia de Outono se «levantará a proibição da comunhão na boca». Com ela, seguiriam os seus colegas na Áustria, que já tinham tido uma iniciativa semelhante na Festa de Corpus Christi, em Junho deste ano, e na sequência da qual a «Conferência Episcopal Austríaca levantou a proibição da comunhão na boca».    

Estes médicos alemães esperam que «a sua intervenção ponha termo ao conflito de consciência entre muitos fiéis e sacerdotes e que deixe de ser negada a forma canónica comum de recepção da comunhão».     

De acordo com o comunicado de imprensa, já outros médicos se juntaram ao grupo original de signatários.       

Este grupo de médicos pergunta por que não se juntam os bispos alemães aos bispos austríacos e suíços, que permitem a comunhão na boca, e conclui o seu comunicado de imprensa questionando «Por que têm os bispos alemães de sair desta comunidade [do âmbito da língua alemã] e seguir um «Sonderweg» [caminho independente e de excepção]?»  

A organização Voz da Família, juntamente com a LifeSiteNews, organizou em Julho uma conferência online sublinhando a importância de receber dignamente a Sagrada Comunhão, ou seja, de joelhos e na boca. Um dos seus porta-vozes, Dr. Peter Kwasniewski, colaborador da LifeSiteNews, insistiu que os bispos estão a exceder a sua autoridade ao negar aos católicos o direito de receber a Sagrada Comunhão na boca. «Muitos bispos estão actualmente a abusar da sua autoridade ao se sobreporem ao Direito Canónico, segundo o qual os fiéis têm claramente o direito de receber a comunhão na boca. É exactamente assim», declarou.

Através de LifeSiteNews
Tradução de Luís Ferrand d’Almeida

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Traz sempre o nome de Maria na tua boca!



Saúda Maria, pensa em Maria, repete o nome de Maria, honra Maria, glorifica sempre Maria, dirige o teu olhar a Maria, recolhe-te na tua habitação com Maria, cala com Maria, alegra-te com Maria, entristece-te com Maria, trabalha com Maria, vigia com Maria, ora com Maria, caminha com Maria, descansa com Maria, procura Jesus com Maria, leva Jesus nos teus braços com Maria, vive em Nazaré com Jesus e Maria, vê Jerusalém com Maria, permanece ao pé da Cruz de Jesus com Maria, deseja viver e morrer com Jesus e Maria. Faz isto e viverás eternamente.      

Tomás de Kempis

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Fazer as acções com Maria é, essencialmente, ter Maria como modelo



O pensamento de fazer as acções com Maria é, essencialmente, ter Maria como modelo. Por que ter Maria como modelo é fazer as acções com Maria? Por que a palavra “com” se aplica aí?                 

Aplica-se por causa da ideia do molde, que ele (S. Luís Maria Grignion de Montfort, n. d. r.) desenvolve no Tratado da Verdadeira Devoção. Ele mostra a diferença entre um estatuário esculpir uma estátua e uma pessoa fazer uma estátua com um molde: num molde de ferro, de metal ou de madeira o trabalho é muito mais simples, é só adaptar gesso ali, deixar que seque e sai a figura que se quer obter. Enquanto que o trabalho do escultor – do estatuário que faz com formão e martelo a sua estátua – é um trabalho muito maior, muito mais arriscado; às vezes parte um pedaço do mármore, acontece uma coisa e outra; enquanto que fazendo no molde é rápido, é barato e é seguro porque é certo que a figura assim modelada sai parecida com o original.  

É, portanto, como molde, é por meio do molde que nós fazemos essas estátuas. Bem diz ele que Nossa Senhora é o molde de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que Ela é também, para nós, o nosso molde. Quer dizer, se nós nos modelarmos inteiramente conforme Ela, como Ela é o molde de Cristo – nós somos o gesso adaptado àquele molde – nós ficamos parecidos com Nosso Senhor Jesus Cristo. E, então, ter a Ela como modelo é ter a Ela como molde; ter a Ela como molde é fazer tudo com Ela. Este é o sentido de fazer “com Ela”.                    

Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de uma conferência de 26 de Maio de 1972     

terça-feira, 22 de setembro de 2020

A modéstia no vestir!



«Não se pode considerar decente um vestido cujo decote desça mais do que dois dedos abaixo da base do pescoço, que não cubra os braços, pelo menos até ao cotovelo, e que não chegue um pouco abaixo dos joelhos. Além disso, são impróprios os vestidos de tecidos transparentes».

Palavras do Cardeal-Vigário do Papa Pio XI

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Militantes!



Noutro tempo existia a “Igreja militante”, a Igreja que, nesta terra, à espera do encontro definitivo com Jesus, anunciava Jesus, vivia de Jesus, combatia por Jesus o bom combate, defendia Jesus e a ua Lei dos ataques do mundo. Mas o seu estilo tinha o sabor de “cruzada” e preferiu-se a “Igreja peregrina”, a Igreja dialogante, a Igreja ecuménica e assim por diante. O resultado deveria ser claro para todos. Quem acreditava, já não acredita (pelo menos com muita frequência). Quem não acreditava, acredita ainda menos. Igrejas e seminários estão vazios. O mundo ri-se da Igreja, que muitas vezes se tornou insignificante para o mundo.       

Parece que se deve reencontrar a “Igreja militante”. Jesus disse: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24). «Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três» (Lc 12, 51-52). «Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa» (Lc 11, 23). A vida de Jesus é o cumprimento sublime da militância que propõe aos seus: quem mais do que Ele lutou contra a mentira, a negação de Deus, contra o pecado? Quem mais do que Ele desafiou não apenas o mundo, mas os próprios líderes do seu povo, que o negavam? Declarou a Pilatos: «Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz» (Jo 18, 37). Pela verdade, pelo Pai, pela salvação dos homens seus irmãos, Jesus imolou a sua vida e convida-nos a corresponder. Jesus não procura valores comuns, Jesus não dialoga, Jesus não é ecuménico, Jesus é a Verdade: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim» (Jo 14, 6). 

A “militância”, gostemos ou não, queiramos ou não, é a lei da vida, da vida no seguimento de Jesus. É necessário ganhar o pão, lutar para ter um lugar no mundo, lutar para alcançar o Paraíso, lutar para saber, para poder, para amar. Ao meu redor, em mim, em todos os lugares antagonismo, divisão dentro e fora: filosofia contra filosofia, bandeira contra bandeira, a natureza contra a Graça, a paixão contra a razão, o mundo contra o Evangelho, Satanás contra Jesus Cristo. Quem não luta, não age, sofre e deixa de viver.                 

A luta é incessante; é de todas as idades, de todos os dias. A luta espera por nós todas as manhãs quando acordamos: é necessário superar o comodismo, dominar as nossas tendências desordenadas para servir a Deus com fidelidade, como Ele merece ser servido; romper os obstáculos para nos dedicarmos à oração e ao Santo Sacrifício, à Sagrada Comunhão com Jesus.           

A luta espera-nos nas nossas famílias para sermos fiéis uns aos outros, para superarmos o humor, o aborrecimento, as tentações das divisões, para superarmos os nossos pontos de vista, os nossos desentendimentos. A luta espera-nos nos nossos relacionamentos com os outros, para amarmos o próximo, para perdoarmos e vencermos o mal com o bem; o mundo é uma arena: quem não quer ser vencido pelos poderes do mal e das trevas, deve estar equipado como um soldado, um guerreiro no campo de batalha, revestido com a armadura Deus, como diz São Paulo (Ef 6, 13-17).    

Hoje, com a apostasia difundida, é necessário viver na luz para guardar a fé, que já ninguém guarda. O erro é ensinado até mesmo por quem deveria ser apóstolo da verdade. O que fazer? É necessário ter sempre abertos dois livros: o Evangelho e o Catecismo de São Pio X. É o suficiente para compreender onde está a Verdade e onde está o erro. Quem tem ou deseja ter uma cultura cristã-católica mais profunda, deve ler os textos de D. Columba Marmion, do P. Enrico Zoffoli, os livros de Mons. Piercarlo Landucci, o eterno “Catecismo Romano”, os livros de D. Guéranger. São apenas algumas indicações. Para nos defendermos do erro difundido, armemo-nos do Rosário a Maria Santíssima, com o qual se contempla, se vive e se reza a “Cristo nos seus mistérios” à luz e por intercessão de Maria, que sozinha venceu e continua a vencer todas as heresias do mundo inteiro. Assistamos à Santa Missa, renovação do Sacrifício da Cruz, compêndio de toda a nossa Fé.           

Se queres ser católico, és chamado a ser militante, a ser heróico, a ser santo, a ir contra a corrente não só em relação ao mundo mas também contra as posições de alguns homens da Igreja, que se tornaram, no modernismo difundido, um verdadeiro risco para a nossa fé. És chamado a lutar para defender a Verdade, que é hoje a mais alta, a maior misericórdia. Isto é: militante, com lucidez, com fortaleza, com mansidão, com respeito por toda a alma, mas sem desconsiderar a Verdade, com o estilo de São Francisco de Sales, com o estilo de Jesus manso e humilde de coração, mas capaz de afrontar a cruz.  

Aquele que é jovem em idade pode compreender. Aquele que é jovem no coração, aquele que ama a Jesus, como Ele merece ser amado, deve recomeçar a ser militante: “Vitam et sanguinem pro Christo nostro Rege”. “Sub Christo Rege regis vexilis militare gloriamur”. Estes nossos breves anos são para a luta e, depois, a honra da eternidade. Não só peregrinos. Soldados de Jesus Cristo, como os da Vendeia.       

Insurgens (para a página sì sì, no no)

domingo, 20 de setembro de 2020

O sangue de São Januário, padroeiro de Nápoles, volta a liquefazer-se

Ontem, dia 19 de Setembro, festa de São Januário, padroeiro da Arquidiocese de Nápoles, em Itália, o sangue do santo mártir do século III voltou a liquefazer-se. A notícia foi comunicada, por volta das 10h00, pelo Arcebispo de Nápoles, o Cardeal Sepe, através das seguintes palavras: «Louvado seja Jesus Cristo! Queridos amigos, queridos fiéis. Mais uma vez, com alegria, com emoção, informo que o sangue do nosso padroeiro, São Januário, se liquefez. Totalmente liquefeito, sem grumos, como aconteceu nos últimos anos, sinal de amor, de bondade, da misericórdia de Deus e da proximidade, da amizade, da fraternidade do nosso São Januário. Seja dada glória a Deus e veneração ao nosso santo. Amen».       

Para além do dia 19 de Setembro, o sangue de São Januário é particularmente venerado a 16 de Dezembro e no sábado anterior ao primeiro domingo do mês de Maio. 

sábado, 19 de setembro de 2020

A nova Teologia do Concílio Vaticano II (3/3)



Além das questões doutrinárias discutidas brevemente acima, o Vaticano II diferenciou-se dos Concílios anteriores pela sua insistência em apresentar-se como um “Concílio pastoral”[72].           

Num Concílio Ecuménico, o Papa convoca os Bispos do mundo para abordar os problemas da Igreja universal, sob a sua direcção e autoridade. É intrínseco à natureza de tal reunião que seja uma ocasião para o exercício do magistério extraordinário dos Bispos
[73]. Assim, quando manifestam a clara intenção de definir uma doutrina ou condenar um erro, os Concílios Ecuménicos são infalíveis.        

O mesmo não se passou com o Concílio Vaticano II. Na abertura, João XXIII declarou que o seu ensino seria «um magistério de carácter prevalentemente pastoral». E, ao encerrar o Concílio, Paulo VI declarou que nele «o Magistério da Igreja não quis pronunciar-se em sentenças dogmáticas extraordinárias»
[74].

Além disso, na audiência geral de 12 de Janeiro de 1966, Paulo VI reafirmou que «dado o carácter pastoral do Concílio, evitou este proclamar, em forma extraordinária, dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu aos seus ensinamentos a autoridade do supremo Magistério ordinário»
[75].    

Noutra audiência geral, em 8 de Março de 1967, o mesmo Pontífice confirmou que o Concílio tinha, como um dos seus pontos programáticos, «não emitir novas definições dogmáticas solenes»
[76].  

Objecção: O Espírito Santo não permitiria…         

Muitos dos defensores do Vaticano II baseiam-se num argumento a priori: o Espírito Santo assiste os Concílios. Portanto, Ele não poderia permitir que o Concílio Vaticano II caísse em erro.  

Agora, esse argumento leva ao seguinte absurdo: uma vez que o Concílio Vaticano II abandonou doutrinas ensinadas pelo Concílio de Trento e pelo I Concílio do Vaticano, bem como o ensinamento comum dos Papas contra o liberalismo, o ecumenismo e os princípios da Nouvelle Théologie, de Gregório XVI a Pio XII (ou seja, de 1831 a 1958), deve-se concluir que ou o Paráclito assistiu o Concílio Vaticano II e se absteve de dar assistência a esses dois Concílios anteriores, bem como a cerca de 120 anos de Magistério Papal, ou vice-versa. Mas o Espírito Santo não poderia ter assistido a ambos os termos da comparação, pois, como um «espírito de verdade» (Jo 14,17), não se pode contradizer.      

Aqui confunde-se “assistência” do Paráclito, ou seja, um efeito da providência especial de Deus para a Sua Igreja, com um governo directo que substitui os Homens ou elimina o seu livre arbítrio ou a tendência para o mal herdado com o pecado original
[77].  

É preciso ter em mente que esta acção especial da Divina Providência favorece o bem, mas também permite, muitas vezes, que o mal ocorra no elemento humano da Igreja como uma prova ou punição pelos nossos pecados
[78].   

Portanto, não se pode usar o argumento da assistência do Espírito Santo à Igreja para justificar desvios, imprudências ou escândalos, como se o mal fosse positivamente desejado pela Vontade Divina e não apenas tolerado permissivamente.

Assim, na sua encíclica Mystici Corporis Christi, o Papa Pio XII explica que, devido à nossa inclinação para o mal, «às vezes, na Igreja vê-se algo em que se manifesta a fraqueza humana». Essa «lamentável inclinação do homem para o mal», diz Pio XII, manifesta-se «até nos membros mais altos do seu corpo místico». Entretanto, acrescenta que Deus permite que isso aconteça «para provar a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã»
[79].   

O Vaticano II optou por não utilizar o poder Magisterial infalível e, portanto, os seus ensinamentos podem conter erros
[80]. A Divina Providência permite o erro no Magistério não-definitivo, mas esses erros são depois corrigidos, não sendo incorporados ao Depósito de Fé[81].           

Qual é, afinal, a natureza do Vaticano II?   

Para responder a esta pergunta, esquematizamos aqui o que foi apresentado acima:     

1. Ao contrário dos Concílios Ecuménicos anteriores, o Concílio Vaticano II não quis proclamar dogmas ou condenar erros;         

2. O Concílio apresentado, tanto pelo Papa que o convocou quanto pelo que o encerrou, como sendo «de carácter prevalentemente pastoral». No entanto, foi predominantemente doutrinário;

3. Embora intitulando-se “Concílio ecuménico”, não quis usar da prerrogativa da infalibilidade em questões teológicas de importância doutrinária fundamental, por exemplo, na constituição Lumen Gentium (sobre a Igreja); 

4. Finalmente, foi um acto do magistério episcopal extraordinário que teve apenas a autoridade do supremo Magistério ordinário.       

Em conclusão, pode-se dizer que o Concílio Vaticano II é totalmente diferente dos Concílios anteriores e que a sua real natureza é confusa, assim como o são os seus textos.  

Quadro 1
“Hermenêutica da Continuidade” ou “Hermenêutica da Verdade”?

É geralmente aceite que os textos do Concílio Vaticano II são ambíguos. Assim, torna-se necessário recorrer a uma interpretação especial a chamada “hermenêutica da continuidade” para descobrir um significado tradicional para os textos.  

A Hermenêutica é a ciência da interpretação dos textos. Esta não pode ser subordinada a uma conclusão pré-determinada. Uma interpretação científica dos textos não pode partir de uma conclusão alcançada antes de qualquer análise.    

Portanto, os textos conciliares não podem ser interpretados usando uma hermenêutica que predetermina haver continuidade entre todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II e os do anterior Magistério da Igreja.

O papel da hermenêutica é simplesmente interpretar palavras e conceitos de acordo com o seu significado natural e com as leis da lógica. O resultado desta análise pode mostrar continuidade ou ruptura. Em qualquer caso, deve ser um julgamento que sempre segue a análise. Jamais deve preceder a análise.      

Além disso, é característico do Magistério da Igreja ser claro, sem a necessidade de uma interpretação trabalhosa para apreender o seu significado. Nosso Senhor Jesus Cristo não estabeleceu um Magistério ambíguo. Pelo contrário, Ele enviou os Apóstolos para pregar o Evangelho a todos os povos (cf. Mt 28, 19; Mc 16, 15), e ordenou: «Mas seja o vosso dizer: sim, sim; não, não: porque tudo o que é mais do que isto procede do maligno» (Mt 5, 37
Vulgata).    

Quadro 2
Papa Paulo VI sobre a Igreja pós-conciliar: «Não um dia ensolarado», mas «autodestruição» e «a fumaça de Satanás».

Em alocução aos estudantes do Pontifício Seminário Lombardo, em 7 de Dezembro de 1968, o Papa Paulo VI afirmou:«A Igreja atravessa hoje um momento de inquietação. Alguns praticam a autocrítica, dir-se-ia até a autodemolição. É como uma perturbação interior, aguda e complexa, que ninguém teria esperado depois do Concílio. Pensava-se num florescimento, numa expansão serena dos conceitos amadurecidos na grande assembleia conciliar»(a).       

O mesmo Papa Paulo VI, na alocução Resistite fortes in fide, de 29 de Junho de 1972, fez um comentário, que citamos aqui na versão da Poliglotta Vaticana: «Referindo-se à situação da Igreja de hoje, o Santo Padre afirma ter a sensação de que “por alguma fissura tenha entrado a fumaça de Satanás no templo de Deus”. Há – transcreve a Poliglotta – a dúvida, a incerteza, o complexo dos problemas, a inquietação, a insatisfação, o confronto. Não se confia mais na Igreja... Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia ensolarado para a História da Igreja. Veio, pelo contrário, um dia cheio de nuvens, de tempestade, de escuridão, de indagação, de incerteza»(b).          

Luiz Sérgio Solimeo  
é um estudioso católico, professor e escritor de diversos livros, ensaios e artigos. Ingressou, em 1960, na Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família, Propriedade (TFP). Actualmente, ensina Filosofia e História no Instituto Sedes Sapientiæ, da TFP americana.

(a) Paulo VI, Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. VI, p. 1188.

(b) Paulo VI, homilia Resistite fortes in fide (no 9.º aniversário da sua coroação), 29 de Junho de 1972. Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. X, pp. 707-709.   



[72]«[Um] Magistério de carácter prevalentemente pastoral». João XXIII, Discurso de abertura do Concílio, Paulinas, p. 18.

[73] Ver a secção acima “Um Concílio que não condena erros”.

[74] “Discurso do Papa Paulo VI durante a última Assembleia-Geral do Concílio Vaticano II”, 7 de Dezembro de 1965, in Frei Boaventura Kloppenburg O.F.M-Frei Frederico Vier O.F.M, Compêndio do Vaticano II, Vozes, Petrópolis, 1968, p. 31.

[75] Id. Ibid.

[77] Ver E. Magenot, s.v. “Assistance du Saint-Esprit”, in Dictionnaire de Théologie Catholique (Paris: Letouzey et Ané, 1931), vol. 1, 2.ª parte, cols. 2123–2127.

[78] Ver R. Garrigou-Lagrange, s.v. « Providence. Théologie, L’Infallibilité », in Ibid., vol. 13, 1.ª parte, col. 1015.

[79] Pio XII, encíclica Mystici Corporis Christi, n. 64.

[80] Ver Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, Can Documents of the Magisterium of the Church Contain Errors? (Spring Grove, Penn.: The American Society for the Defense of Tradition, Family, and Property—TFP, 2015).

[81] «Entretanto, não é absolutamente de se excluir que o erro [do Magistério] seja remediado pelo Espírito Santo, fazendo com que os fiéis percebam suficientemente o erro para negar o seu assentimento interno». Lercher, Institutiones Theologiae Dogmaticae, nn. 499, 297.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

A nova Teologia do Concílio Vaticano II (2/3)

 


O Concílio, um todo coerente

Os textos do Vaticano II não são uma série de escritos, independentes uns dos outros, reunidos numa colecção. Pelo contrário, formam um todo coerente com a mesma inspiração e propósito. Apoiam-se mutuamente.

Muitos afirmam que o Vaticano II também tem afirmações tradicionais que contrabalançam as inovações. Entretanto, as primeiras não se opõem às segundas, para condená-las; elas simplesmente “coexistem”. Para os progressistas, duas afirmações contraditórias podem ser consideradas verdadeiras. Isto porque as filosofias modernas, fenomenológicas e existencialistas, rejeitam o princípio de causa e efeito e o princípio de não-contradição.

Na encíclica Humani Generis, Pio XII apontou esse aspecto dialéctico dos seguidores da Nouvelle Théologie: «Eles sustentam, contrariamente, que as verdades, principalmente as transcendentes, só podem ser expressas por doutrinas divergentes que mutuamente se completam, embora pareçam opor-se entre si»
[52].

Mudança do conceito de Igreja

O Cardeal Avery Dulles, S.J., num ensaio de 1989, Meio Século de Eclesiologia, mostra o papel desempenhado pela eclesiologia do P. Yves Congar
[53] na preparação do Concílio. E acrescenta: «A eclesiologia do Vaticano II, nas suas linhas principais, é bem conhecida. De modo geral, seguiu as orientações da Nouvelle Théologie e não as da neo-escolástica»[54].

De facto, seguindo a Nouvelle Théologie, o Concílio abandonou o conceito de que a Igreja Católica é o Corpo Místico de Cristo, ensinado pelos Papas Leão XIII, Pio XI, e Pio XII.

Na sua encíclica Humani Generis, condenando a Nouvelle Théologie, Pio XII afirma que os seus seguidores rejeitam essa verdade. Escreve o Papa: «Alguns não se consideram obrigados a abraçar a doutrina que há poucos anos expusemos numa encíclica [Mystici Corporis Christi, 1943] e que está fundamentada nas fontes da revelação, segundo a qual o corpo místico de Cristo e a Igreja católica romana são uma mesma coisa»
[55].

A própria encíclica Mystici Corporis Christi reitera que o Corpo Místico de Cristo é a Igreja Católica:

«A doutrina do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja (cf. Cl 1, 24), recebida dos lábios do próprio Redentor...» (n. 1).

«Para definir e descrever esta verdadeira Igreja de Cristo – que é a santa, católica, apostólica Igreja romana (Conc. Vat. I, Const. Dei Filius de fide cath., cap. 1)
  nada há mais nobre, nem mais excelente, nem mais divino do que o conceito expresso na denominação corpo místico de Jesus Cristo; conceito que imediatamente resulta de quanto nas Sagradas Escrituras e dos Santos Padres frequentemente se ensina» (n. 13).

«Prova-se que este corpo místico, que é a Igreja, é realmente distinguido com o nome de Cristo, porque deve ser considerado, de facto, como sua cabeça» (n. 33)
[56].

Toda a encíclica gira em torno destas duas afirmações fundamentais:

1. A verdadeira Igreja de Cristo «é a santa, católica, apostólica Igreja romana» (n. 13);

2. O Corpo Místico de Cristo é a Igreja Católica (n 1).

Na sua encíclica Satis Cognitum, de 1896, Leão XIII ensinou: «O Corpo Místico de Cristo é a verdadeira Igreja, somente porque as suas partes visíveis extraem vida e poder dos dons sobrenaturais e outras coisas de onde brotam a sua própria natureza e essência» (n. 3)
[57].

E Pio XI, na sua encíclica de 1928, Mortalium Animos, ensinou: «Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor 12, 12), compacto e conexo (Ef 4, 15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultice alguém afirmar que esse pode constar de membros desunidos e separados: quem, pois, não estiver unido com ele, não é seu membro, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef 5, 30; 1, 22)» (n. 16)
[58].

Substituição de “Est” por “Subsistit in

Na primeira sessão do Concílio, em Dezembro de 1962, o texto do esquema sobre a Igreja dado aos Padres Conciliares dizia: «A Igreja Católica Romana é o Corpo Místico de Cristo»
[59].

Vários Cardeais e Bispos da corrente da Nouvelle Théologie levantaram-se para questionar esta afirmação que vinha da encíclica Mystici Corporis Christi. Alegavam que o Corpo Místico de Cristo era mais amplo que a Igreja Católica, incluindo também os protestantes.

O Cardeal Lienart, Bispo de Lille, França, um dos líderes desta corrente, argumentou que «O Corpo Místico é (...) muito mais inclusivo do que a Igreja Romana na Terra. (...) Eu não ousaria dizer que eles [os cristãos separados] não pertencem, de modo algum, ao Corpo Místico de Cristo, apesar de não estarem incorporados na Igreja Católica»
[60].

Então, o Cardeal Montini, que logo seria eleito Papa, também se levantou em apoio daqueles que se opunham à doutrina ensinada na Mystici Corporis Christi
[61].

Os Padres Conciliares abandonaram a fórmula tradicional e clara de identificar o Corpo Místico de Cristo com a Igreja Católica com base na falsa premissa de que o Corpo Místico de Cristo era mais amplo do que a Igreja Católica. Esta falsa premissa constitui a base do ecumenismo.

Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M., lembra: «Após longo debate, o é foi substituído por subsiste em, “de modo a estar mais de acordo com o ensinamento sobre elementos eclesiais a serem encontrados em outro lugar que não a Igreja Romana”»
[62].

Nos muitos debates que se seguiram ao Concílio, foram invocadas subtilezas filológicas para provar a “continuidade” do Concílio com os ensinamentos anteriores do Magistério. Assim, encontrou-se no verbo “subsistir” (subsistit in) o mesmo significado que o do verbo “ser” (est)
[63]. Ora, se o significado era o mesmo, porquê mudar a expressão? E por que motivo aqueles que exigiam a mudança argumentaram que não havia uma identidade perfeita entre a Igreja Católica e o Corpo Místico de Cristo, porque este último também incluía os protestantes?

O Espírito Santo santifica fora da Igreja Católica?

Num parágrafo, a Constituição Dogmática Lumen Gentium (L. G.) afirma claramente a necessidade de pertencer à Igreja para ser salvo: «Pelo que não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja Católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar» (n. 14).

No entanto, a secção seguinte contradiz essa afirmação. Referindo-se àqueles que «embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro» (isto é, hereges e cismáticos), a L. G. afirma que o Espírito Santo «actua neles com os dons e graças do Seu poder santificador, chegando a fortalecer alguns deles até ao martírio» (n. 15).

Esta declaração contradiz o Concílio de Florença: «A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que “nenhum dos que estão fora da Igreja católica, não só os pagãos”, mas também os judeus ou hereges e cismáticos, poderá chegar à vida eterna, mas irão para o fogo eterno “preparado para o diabo e para os seus anjos” [Mt 25,41], se antes da morte não tiverem sido a ela reunidos»
[64].

Também é contrário ao que Pio XII ensina na encíclica Mystici Corporis Christi:

«Ele [o Espírito Santo] enfim, que cada dia produz na Igreja, com a sua graça, novos incrementos, mas não habita com a graça santificante nos membros totalmente cortados do corpo. Essa presença e acção do Espírito de Jesus Cristo exprimiu-a sucinta e energicamente o Nosso sapientíssimo predecessor, de imortal memória, Leão XIII, na encíclica
Divinum Illud, por estas palavras: “Baste afirmar que, sendo Cristo cabeça da Igreja, o Espírito Santo é a sua alma”»[65].

De facto, se o Espírito Santo, a alma incriada da Igreja, concedesse graça santificante àqueles que estão em heresia e cisma, não haveria necessidade de se pertencer à Igreja Católica para ser salvo. É muito diferente de dizer que o Paráclito concede graças actuais a todo o homem
mesmo aos que estão no paganismo, na heresia e no cisma para que, correspondendo a elas, os não-católicos se possam converter e unir à Igreja Católica, e assim serem salvos[66].

O “desígnio da salvação” inclui judeus e muçulmanos?

Para a Lumen Gentium, a Igreja estaria “relacionada”, de uma forma especial, com os judeus, «povo que, segundo a eleição, é muito amado por causa dos Patriarcas» (n. 16). Os judeus participariam, assim, no “desígnio da salvação”.

O documento também discute o Islão: «Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão e connosco adoram o Deus único e misericordioso»
[67].

Esta afirmação de que cristãos e muçulmanos adoram juntos o único Deus é mais uma manifestação do aspecto dialéctico dos documentos conciliares, negando o princípio da  não-contradição. Pois, enquanto os católicos crêem e professam a doutrina da Santíssima Trindade e adoram o Deus Uno e Trino, os seguidores de Maomé não só negam esta verdade, mas combatem-na, acusando os cristãos de serem politeístas
[68].

Esse “desígnio da salvação” incluiria também os ateus de “boa vontade”?

L. G. fala, a seguir, daqueles que procuram o “Deus desconhecido” (Deum ignotum quaerunt) ou daqueles que, sem culpa, «não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus» (n. 16)
isto é, os ateus de «boa vontade»[69].

Em suma, a Igreja Católica estaria supostamente ligada aos hereges e cismáticos, bem como àqueles que negam a Santíssima Trindade, aos animistas, panteístas e até mesmo aos ateus.

A doutrina da L. G. sobre a Igreja (completada por Unitatis Redintegratio, sobre ecumenismo, e Nostra Aetate, sobre diálogo com religiões não-cristãs) não ficou no papel, mas foi posta em prática. Um dos muitos exemplos disso pode ser visto no encontro inter-religioso em Assis, em 27 de Outubro de 1986. Nele estavam presentes trinta e dois grupos cristãos e onze não-cristãos. Orações tanto cristãs quanto pagãs foram feitas e foram realizadas cerimónias
[70]. O mesmo vale para a reunião de Abu Dhabi, em 4 de Fevereiro de 2019. O seu Documento sobre a Fraternidade Humana afirma que Deus quer «o pluralismo e as diversidades de religião»[71]. 

Luiz Sérgio Solimeo  

é um estudioso católico, professor e escritor de diversos livros, ensaios e artigos. Ingressou, em 1960, na Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família, Propriedade (TFP). Actualmente, ensina Filosofia e História no Instituto Sedes Sapientiæ, da TFP americana.



[52] Pio XII, encíclica Humani Generis, n. 32.

[53] «Nos anos entre Mystici Corporis e o Concílio Vaticano II, o eclesiologista mais influente foi, sem dúvida, [P.] Yves Congar». Avery Dulles, “A Half Century of Ecclesiology” Theological Studies 50, n.° 3 (1 de Setembro de 1989): 424.

[54] Ibid., 429.

[55] Pio XII, encíclica Humani Generis, n. 27.

[56] Pio XII, encíclica Mystici Corporis Christi (O Corpo Místico de Cristo), 29 de Junho de 1943. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html.

[58] Carta encíclica Mortalium Animos, do Sumo Pontífice Pio XI, 6 de Janeiro de 1928, http://www.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280106_mortalium-animos.html.

[59] Bonaventure Kloppenburg, O.F.M., The Ecclesiology of Vatican II (Chicago: Franciscan Herald Press, 1974), 63.

[60] Ibid., 64-5.

[61] Cf. Ibid., 65.

[62] Ibid., 66.

[63] Ver Christopher J. Malloy, “Subsistit In: Identidade Não Exclusiva ou Identidade Completa?” The Thomist 72, n.° 1 (Jan. 2008): 1-44.

[64] Eugénio IV: Concílio de Florença: Bula Cantate Domino (união com os coptas e os etíopes), 4 Fev. 1442, in Denzinger-Hünermann 1352 [Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral da Igreja Católica, traduzido, com base na 40.ª edição alemã (2005), aos cuidados de Peter Hünermann, por †José Marino Luz e Johan Konings. Paulinas – Edições Loyola São Paulo, Brasil, 2006.].

[65] Pio XII, Encíclica Mystici Corporis Christi (O Corpo Místico de Cristo), 29 de Junho de 1943, n.° 55. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html.     

[66] «Na presente ordem [depois que Jesus consumou a Redenção e fundou a Sua Igreja], nenhuma graça sobrenatural é dada a não ser em ordem à Igreja de Cristo. Por esta razão, o Espírito Santo impele e ajuda os homens a chegarem ao conhecimento da verdade e, depois, serem incorporados como membros da Igreja». Ludovico Lercher, S.J., Institutiones Theologiae Dogmaticae (Barcelona: Herder, 1945), vol. 1, 252.

[67] Concílio Vaticano II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 16. http://www.catolicoorante.com.br/docs/vaticanoii/constituicoes/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html.

[68] Luiz Sérgio Solimeo, Islam and the Suicide of the West (Spring Grove, Penn.: The American Society for the Defense of Tradition, Family, and Property, 2018), 118.

[69] Pode alguém professar o ateísmo sem culpa? O Homem pode conhecer a Deus naturalmente, através da razão. Além disso, também recebe graças actuais para ajudar a chegar a esse conhecimento.

[70] Ver Henry Sire, Phoenix from the Ashes (Kettering, OH: Angelico, 2015), 382-8; William F. Murphy, “Remembering Assisi After 20 Years”, America 195, n.° 12 (23 de Outubro de 2006), https://www.americamagazine.org/issue/588/article/remembering-assisi-after-20-years.

[71] Luiz Sérgio Solimeo, “Theological and Canonical Implications of the Declaration Signed by Pope Francis in Abu Dhabi”, TFP.org, 27 de Fevereiro de 2019, https://www.tfp.org/theological-and-canonical-implications-of-the-declaration-signed-by-pope-francis-in-abu-dhabi/.