domingo, 2 de agosto de 2020

«Um local deserto e afastado»



Todos os santos tiveram de fugir da porta larga e do caminho espaçoso (cf Mt 7, 13), vivendo a virtude em lugares desertos. […] O deserto é o abandono da agitação da vida, que proporciona ao homem a amizade com Deus. Abraão, quando saiu da terra dos caldeus, foi chamado «amigo de Deus» (Tg 2, 23). Também o grande Moisés, quando saiu da terra do Egipto, […] falou com Deus face a face, foi salvo das mãos dos seus inimigos e atravessou o deserto. Eles são a imagem da saída das trevas para a luz admirável e da subida para a cidade que está no Céu (cf Heb 11, 16), a prefiguração da verdadeira felicidade e do banquete eterno.

Quanto a nós, temos connosco a realidade que foi anunciada por sombras e símbolos, isto é, a imagem do Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo (cf Cl 2, 17; 1, 15). Se O recebermos como alimento em todos os momentos e se marcarmos com o Seu sangue as portas da nossa alma, seremos libertos dos trabalhos do Faraó e dos seus inspectores (cf Ex 12, 7; 5, 6s). […] Agora, encontrámos o caminho para passar da Terra ao Céu. […] No passado, por intermédio de Moisés, o Senhor precedia os filhos de Israel numa coluna de fogo e numa espessa nuvem; agora, Ele próprio nos chama dizendo: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba; daquele que crê em Mim sairão rios de água viva, que jorra para a vida eterna» (Jo 7, 37s).

Portanto, que cada um se prepare com um desejo ardente de ir a este banquete; que escute o chamamento do Salvador, porque é Ele que nos consola a todos e a cada um em particular. Aquele que tem fome venha a Ele, pois Ele é o verdadeiro pão (cf Jo 6, 32). Aquele que tem sede venha a Ele, pois Ele é a fonte de água viva (cf Jo 4, 10). O doente venha a Ele, pois Ele é o Verbo, a Palavra de Deus, que cura os doentes. Se alguém está sobrecarregado pelo peso do pecado e se arrepende, refugie-se a seus pés, pois Ele é o repouso e o porto de salvação. O pecador tenha confiança, porque Ele disse: «Vinde a Mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11, 28).

Santo Atanásio, in 24.ª carta para a festa da Páscoa

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