quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo



«Transfigurou-Se diante deles». Molda-te como a cera, segundo o modelo desta figura, a fim de imprimires a imagem de Cristo, sobre o qual está dito: «o seu rosto ficou resplandecente como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz». Nesta passagem, há quatro coisas a considerar: o rosto, o sol, as vestes e a luz. Na parte anterior da cabeça, que se chama o rosto do homem, há três sentidos, que estão ordenados e dispostos de maneira admirável; são eles a vista, o olfato e o paladar. De maneira análoga, no rosto da nossa alma, temos a visão da fé, o olfacto da discrição e o gosto da contemplação.  

No sol, há claridade, brancura e calor. A claridade do sol convém na perfeição à visão da fé, que, com a claridade da sua luz, percepciona e crê nas realidades invisíveis. Que o rosto da nossa alma resplandeça como o sol. Que aquilo que vemos pela fé brilhe nas nossas obras; que o bem que percepcionamos com o nosso olhar interior se realize no exterior, na pureza das nossas acções; que aquilo que saboreamos de Deus na contemplação se transforme em calor no amor ao próximo. Assim, à semelhança do de Jesus, o nosso rosto ficará «resplandecente como o sol».           

Santo António de Lisboa, in Sermão do Domingo da Septuagésima

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