quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Solacium migrantium?



13 de Agosto de 2020
Nossa Senhora, refúgio dos pecadores

Numa carta datada de 20 de Junho de 2020, memória do Imaculado Coração de Maria, segundo o Novus Ordo, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, comunicou aos presidentes das conferências episcopais que «o Sumo Pontífice Francisco, acolhendo benignamente as petições que lhe foram dirigidas, quis dispor que, doravante, no formulário das Ladainhas da Virgem Santa Maria, chamadas “Lauretanas”, fossem inseridas as invocações “Mater misericordiae”, “Mater spei” e “Solacium migrantium”». Não deixa de ser bizarro que a primeira invocação seja colocada depois de “Mater Ecclesiae”, uma invocação acrescentada por Paulo VI, e antes de “Mater divinae gratiae”. Ainda que de forma subtil, mais uma vez Bergoglio toma posição, por meio da Sagrada Liturgia, em favor do Concílio Vaticano II e das mudanças emanadas deste conciliábulo. Teoria da conspiração, diriam.

De entre as três novas invocações, perfeitamente dispensáveis, chama-nos à atenção, de modo muito particular, a última, isto é, “Solacium migrantium”, que, em português, significa “Refúgio dos migrantes”. O Pontificado de Bergoglio, desde o seu primeiro dia, tem sido repleto de uma agenda que, para imensa tristura da Cristandade, caminha de braço dado com uma outra agenda, que para efeitos práticos é a mesma, absolutamente globalista. Não olvidemos que, a 8 de Julho de 2013, pouco depois de ter sido eleito, o Papa se dirigiu à ilha italiana de Lampedusa para, no seu dizer, pedir «perdão pela indiferença por tantos irmãos e irmãs» e, mais à frente, pelos que «criaram situações que conduzem a estes dramas». Voltando ao princípio da homilia, é possível ler-se o seguinte: «Desejo saudar os queridos emigrantes muçulmanos que, hoje à noite, começam o jejum do Ramadão, desejando-lhes abundantes frutos espirituais. A Igreja está ao vosso lado na busca de uma vida mais digna para vós e vossas famílias. A vós digo: oshià!». Afinal, em quê que ficamos? Começa por elogiar os maometanos e finda a pedir perdão por aqueles que provocaram e continuam a provocar situações que atentam contra a dignidade do Homem, feito à imagem e semelhança do Criador? Ignoramos, porventura, que a grande maioria dos refugiados foge de países muçulmanos? Por que não recordar todos aqueles cristãos que, ainda hoje, são perseguidos, torturados e mortos por professarem a Fé completa, a Fé Católica, no único Deus verdadeiro? Esta não é, porém, a primeira situação caricata protagonizada pelo Papa Bergoglio. Já a 19 de Dezembro de 2019, ao receber um grupo de refugiados vindo de Lesbos, na Grécia, partilhou que «decidi expor este colete salva-vidas “crucificado” nesta cruz para que nos recordemos que devemos ter os olhos abertos… o coração aberto, para recordar a todos o compromisso imprescindível de salvar toda a vida humana, um dever moral que une os que creem e os que não creem». Assistimos, concomitantemente, a uma quase diminuição do verdadeiro significado da Cruz e a mais uma tentativa de união entre crentes e aqueles que, de forma obstinada, rejeitam o Senhor da Vida e da Morte!

Pode-se, pois, dizer que, através da introdução desta invocação, claramente política, nas Ladainhas Lauretanas, é dada mais uma machadada no casco da barca de Pedro, que é a Santa Igreja. E foi neste ambiente que, ontem, na Cova da Iria, principiou mais uma peregrinação aniversária da aparição da Virgem de Fátima – ainda que em Agosto de 1917 tenha ocorrido no dia 19 e não a 13, pois os Pastorinhos tinham sido presos e levados para Ourém, sendo libertados no dia 15 –, neste mês fortemente marcada pela semana nacional das migrações, devendo mencionar-se a afirmação de uma responsável nacional do sector que, na Igreja Católica, se dedica aos migrantes: «Para reconciliar é preciso escutar o que está por trás de tudo isto e as feridas que existem e entrar num processo de cura, a cura da alma e da memória». Verifica-se, outra vez, que se continua a incrementar a pseudo lógica de que, forçosamente, nos devemos sentir culpados de todos os males que acontecem porque, por legado, somos todos segregadores! É esse o raciocínio que se continua a generalizar e que, de modo infeliz, encontrou eco desde o mais alto Sólio!

Supliquemos a Nossa Senhora, Virgo prudentissima, que nos dê a graça de sermos prudentes na nossa conduta cristã e, a par disso, procuremos n’Ela, que é a Mãe do Verbo de Deus, o refúgio que, em Fátima, prometeu à pequena Lúcia e que, inegavelmente, estenderá àqueles que forem fiéis até ao último suspiro. E a fidelidade também passa pela refutação daquilo que não é bom, nem belo, nem correcto. Assim, rejeitemos firmemente todas as manipulações litúrgicas com que nos pretendem ludibriar e reflictamos naquilo que, em Agosto de 1917, a Santíssima Virgem pediu em Portugal: «Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas».

D.C.

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