segunda-feira, 10 de agosto de 2020

«Se morrer, dá muito fruto»


As proezas gloriosas dos mártires, que por todo o lado ornamentam a Igreja, permitem-nos compreender que «é preciosa, aos olhos do Senhor, a morte dos seus fiéis» (Sl 115, 15). Com efeito, a sua morte é preciosa aos nossos olhos e aos olhos daquele em nome de quem morreram.  

Mas o preço de todas aquelas mortes é a morte de um só, [...] pois, se o grão de trigo não tivesse morrido, não se teria multiplicado! Ouvistes o que Ele disse quando se aproximava a sua Paixão, isto é, a nossa redenção: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto». Quando o seu lado foi ferido pela lança, o que dele jorrou foi o preço do Universo (cf Jo 19, 34).         

Os fiéis e os mártires foram resgatados; mas a fé dos mártires deu provas e o seu sangue é disso testemunho. «Cristo deu a sua vida por nós; também nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16); e também: «Quando te sentas a uma mesa magnífica, repara bem no que te servem, pois terás de preparar o mesmo» (cf Pr 23, 1). É uma mesa magnífica aquela em que comemos com o Senhor do banquete. Ele é o anfitrião que convida, Ele próprio é o alimento e a bebida. Os mártires prestaram atenção ao que comiam e bebiam, para poderem dar o mesmo. Mas como teriam podido fazê-lo se Aquele que fez a primeira oferta lhes não tivesse dado o que eles depois Lhe dariam?      

Santo Agostinho, in Sermão 329, para a festa dos mártires, 1-2; PL 38, 1454

Sem comentários:

Publicar um comentário

«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
Para esclarecimentos e comentários, queira contactar: info@diesirae.pt