quinta-feira, 20 de agosto de 2020

O silêncio dos fiéis



Há algum tempo, durante a Santa Missa dominical numa importante paróquia de Milão, o celebrante revelou um dado arrepiante: após a reabertura, na diocese ambrosiana, apenas 30% dos fiéis voltaram a frequentar as igrejas, “as famílias e as crianças desapareceram totalmente”. A situação não é muito melhor no resto da Itália.

Sem malícia, pensei: abandonastes os fiéis durante o período mais crítico da pandemia, agora eles pagam-vos com a mesma moeda.          

A pandemia do COVID-19 mostrou o pior lado da crise que, há mais de meio século, atormenta a Santa Madre Igreja: o abandono consciente e voluntário da sua missão salvífica por parte de muitos pastores. Os italianos ficaram chocados quando a Conferência Episcopal Italiana (CEI) suspendeu o culto público antes mesmo de o Governo decretar o seu bloqueio, privando, assim, os fiéis dos Sacramentos. Ao lockdown social juntou-se, desse modo, o espiritual, muito mais implacável. Tivemos a situação bizarra de supermercados e tabacarias estarem abertos, mas as cerimónias religiosas serem proibidas. Embora as pessoas pudessem tranquilamente fazer compras ou comprar cigarros, muitas morreram sem o auxílio do sacramento da Penitência e da Unção dos Enfermos. Mais de um Bispo até emitiu normas para proibirem os sacerdotes de se expor assistindo os enfermos. Exactamente o oposto do que a Igreja fez durante dois mil anos.                

Alguns sacerdotes corajosos, desafiando as imposições da CEI, procuraram celebrar a Missa com algumas pessoas presentes, ou ao ar livre, em perfeito cumprimento das normas sanitárias. Foram severamente punidos com pesadas multas e até ameaçados de prisão. Chegou-se ao escândalo da invasão de algumas igrejas, pela polícia, com interrupção sacrílega do Santo Sacrifício. Não apenas as autoridades eclesiásticas não protestaram contra esses actos de perseguição religiosa, mas também se aliaram com o Governo, censurando os sacerdotes “rebeldes”. Provavelmente, nunca na história da Itália a Igreja se tenha mostrado tão submissa ao Estado. 

Quando, cedendo ao clamor dos fiéis escandalizados, a CEI começou, finalmente, a levantar um pouco a voz em defesa da liberdade religiosa, esta foi imediatamente silenciada pelo Papa Francisco que, desde a cátedra de Santa Marta, exortou os Bispos a «obedecerem às disposições do Governo».         

A esta atitude servil em relação a César devemos adicionar os esforços de tantos pastores no negar qualquer significado espiritual para a pandemia. É um castigo divino? O pensamento católico tradicional tê-lo-ia considerado, pelo menos, como uma hipótese. É inegável que a Providência usa, por vezes como causas secundárias, eventos naturais como “punições” pelos pecados da humanidade. Em Fátima, por exemplo, Nossa Senhora definiu explicitamente as duas guerras mundiais como punições. Hoje, porém, esta palavra está absolutamente excluída do vocabulário católico. O Bispo de Fátima, o Cardeal António Marto, chegou a dizer: «Falar desta pandemia como castigo é ignorância, fanatismo e loucura». Recusam-se a falar de pecado público. Recusam-se a chamar os fiéis à conversão. Em suma, recusam-se a cumprir o próprio dever como pastores de almas.        

E os fiéis reagiram distanciando-se, não reconhecendo mais neles a voz do verdadeiro pastor...           

Dizem que o silêncio dos súbditos é uma lição para os Reis. O que podemos dizer do silêncio dos fiéis?     

Julio Loredo      

Através de Fatima Oggi

1 comentário:

  1. JN Axt Veuillot-Krone20 de agosto de 2020 às 14:20

    As ovelhas perceberam que os falsos pastores não estão preocupados com seu bem-estar espiritual, mas somente com sua "lã". Ficarão ainda mais desesperados estes "pastores" quando o dízimo minguar ou sumir.

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