quarta-feira, 22 de julho de 2020

Um Arcebispo de armas



São muitos os contratempos que o Arcebispo de Cali, Mons. Darío de Jesus Monsalve, tem no exercício da sua controversa missão pastoral. Não exactamente por causa do zelo demonstrado na defesa das ovelhas do seu rebanho, o que, em termos evangélicos, corresponde ao dever que tem o verdadeiro pastor de defender os seus fiéis dos muitos inimigos que tem a Fé Católica, especialmente nestes tempos de confusão.

Mas não é nesse campo que se destaca o nosso Arcebispo, pois pouco ou nada diz sobre a crise religiosa em que nós, católicos, vivemos. Tampouco está preocupado com a perda de fé de inúmeros católicos que se afastam da Igreja para aderir aos diversos cultos cristãos, ou que se distanciam dos sacramentos, ou que esquecem a doutrina santa e milenar da Igreja pela simples razão de que não há ninguém que a ensine e proclame, ou porque os chamados a fazê-lo mudaram para um novo “evangelho” marxista.

Pois bem, as preocupações do Arcebispo vão por outros caminhos muito diferentes dos da verdadeira Igreja. A sua voz de pastor de almas só ressoa firmemente quando se trata de defender os inimigos ateus da nossa fé, os terroristas destruidores da nação e os grupos subversivos que semearam o ódio e o crime no meio da nossa sociedade doente e decadente.

Recentemente, o Arcebispo não hesitou em pedir a canonização do padre apóstata Camilo Torres, quando se cumpriram 50 anos da sua morte. Este padre, juntamente com outros sacerdotes guerrilheiros, como Domingo Laín e Manuel Pérez, foram os fundadores do ELN (Exército de Libertação Nacional) por volta do ano 1970. Esta organização terrorista ganhou importância por estes dias porque a ela se uniram as chamadas dissidências das FARC, na falsa pacificação promovida pelo anterior governo.

Quando se estavam a assinar os Acordos com as FARC, o Prelado não hesitou em convidar a cúpula dessa organização para um retiro espiritual dirigido por ele, realizado numa casa religiosa perto de Cali. Ignoramos a conveniência que possa ter tido para o Clero da Arquidiocese ouvir as façanhas terroristas de alguns dos piores criminosos da nação. Pouco antes do plebiscito em que a Colômbia rejeitou os acordos com as FARC, o Arcebispo anunciou que não eram bons católicos aqueles que pensavam votar no “não”, já que, segundo ele, é cristão aceitar a capitulação do País diante da extorsão das FARC.

E, mais recentemente, na companhia do Superior dos Jesuítas na Colômbia, o padre Francisco de Roux, os dois líderes da Igreja tornaram-se intermediários de uma nefasta negociação com o ELN, grupo que, obviamente, não dá absolutamente nenhum sinal de querer a paz. Antes pelo contrário, redobraram os seus atentados e crimes, como o carro-bomba que, em Janeiro de 2019, fizeram explodir na Escola de Polícia de Bogotá, com um resultado de 21 cadetes covardemente assassinados e centenas de feridos.

E, agora, o flamejante Arcebispo volta a gerar polémica quando, na semana passada, acusou o governo de promover um genocídio contra o ELN, numa total falta de bom senso, a ponto de o Núncio Apostólico na Colômbia, Mons. Luis Mariano Montemayor, ter de vir esclarecer que essa afirmação não era partilhada pelos demais Bispos, nem pelas autoridades do Vaticano, nem pelo Papa Francisco.

Uma amizade inexplicável

Como explicar tão estreita amizade entre o Arcebispo e os piores terroristas da Colômbia? Não sabemos. Mas Monsenhor Monsalve deve ao País e a Cali uma muito necessária explicação. Acima de tudo, porque os seus devaneios com estes grupos terroristas são objecto da mais profunda rejeição entre os seus diocesanos. E também porque, no passado recente, estes grupos subversivos cometeram os mais terríveis atropelos contra os fiéis governados por Monsenhor Monsalve. Talvez se tenha esquecido que o seu antecessor no bispado de Cali, Mons. Isaías Duarte, foi vilmente assassinado, em 2002, por atiradores das FARC, ao terminar uma Missa pelos sequestrados, num acto de barbárie que tem poucos antecedentes na história milenar da Igreja.

E, como se não bastasse, na mesma época o ELN sequestrou cerca de 200 fiéis que assistiam a uma Missa na Igreja La María, em Cali. E, quase simultaneamente, também sequestrou outras 50 pessoas que estavam a conversar num restaurante nos arredores da cidade. Ambas as operações terroristas foram planeadas com a maior perfídia, sendo que alguns dos sequestrados ficaram em cativeiro durante quase dois anos, e, inclusive, vários foram vilmente assassinados pelos seus raptores. E, antes dessa barbárie, o ELN também sequestrou, torturou e assassinou, em 1989, o também Bispo de Arauca (Colômbia), Mons. Jesús Emilio Jaramillo.

Diante destes eventos terríveis, nunca houve o menor sinal de arrependimento, nem de reparação, nem de pedido de perdão por parte das FARC e do ELN. Para eles, estes crimes são actos legítimos, fazem parte de uma guerra declarada contra a nossa sociedade, que eles querem destruir para nos impor o sistema marxista predominante em Cuba e na Venezuela. Eles querem que desapareçam as liberdades e que toda a população seja conduzida à miséria e à opressão. Por acaso, este é o evangelho que prega o Arcebispo? É esta a fé que quer impor aos diocesanos de Cali? A opção preferencial de Monsenhor Monsalve é o evangelho do marxismo, da miséria e do crime?

Pois é o que parece. E é precisamente isso que os católicos desta importante Arquidiocese colombiana, que reúne cerca de quatro milhões de pessoas entre os habitantes de Cali e as cidades vizinhas, não querem e não aceitam. E tampouco o querem os que vivem aqui e não são católicos, mas estão obrigados a sofrer com as insensatezes do Prelado.

Nestes tempos de confusão e de perda de fé, as atitudes depredadoras do Bispo Monsalve geram escândalo entre os seus fiéis. As suas atitudes são tão impróprias em relação ao seu cargo, que parece que, pelas bordas da sua batina episcopal, começam a aparecer as garras e os dentes do lobo que é e que não se preocupa em esconder. A realidade é que este pastor, que deveria apascentar as ovelhas de Cristo, tornou-se o lobo que as dispersa e as conduz à perdição.

Terrível e espantosa situação! Que seria menos grave se, dentro da Igreja, houvesse quem exercesse a autoridade para pôr as coisas em ordem, exigindo ao Pastor que se comportasse como tal. Ou, perante a sua falta, destituindo-o do cargo e nomeando outro que soubesse cumprir o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro, o escolhido como chefe dos seus apóstolos: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 16).

Eugenio Trujillo Villegas   

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