quinta-feira, 16 de julho de 2020

«Sou manso e humilde de coração»


Podemos considerar a mansidão de Cristo em quatro circunstâncias: na sua vida ordinária, nas suas reprimendas, na graça do seu acolhimento e, finalmente, na sua Paixão.

Primeiro, podemos ver a doçura de Cristo na vida ordinária, porque todas as suas atitudes eram pacificadoras: Ele não procurava provocar discussões, mas evitava tudo quanto pudesse produzir altercações; e dizia: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração». Imitemo-lo, pois. [...]

A mansidão de Cristo também aparece nas suas reprimendas. Teve de sofrer, por parte dos seus perseguidores, muitos opróbrios, mas nunca respondeu com cólera nem em tom de querela. No seu comentário ao texto «Por causa da verdade e da mansidão» (Sl 44, 5), Santo Agostinho afirma que a verdade se dava a conhecer quando Cristo pregava e que era admirável a doçura e paciência com que respondia aos seus inimigos [...].

A sua mansidão é igualmente patente na graça do seu acolhimento. Há quem não saiba receber com ternura. Cristo, pelo contrário, recebia os pecadores com benignidade, comia com eles, admitindo-os às suas refeições ou aceitando os seus convites, para espanto dos fariseus: «Porque é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?» (Mt 9, 11).

Finalmente, a mansidão de Cristo manifesta-se na sua Paixão, para a qual avançou como um cordeiro: «Insultado, não devolvia os insultos» (1 Pe 2, 23). [...] Diz Ele, através do profeta Jeremias: «Sou semelhante a um cordeiro levado ao matadouro» (Jr 11,19) [...].

A mansidão garante a herança da Terra da felicidade. É por isso que lemos em São Mateus: «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra» (Mt 5, 5).

São Tomás de Aquino, in Sermão para o primeiro Domingo do Advento

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