domingo, 19 de julho de 2020

Razões para crer?


Os maus cristãos não têm fé, mas também não abjuram; desculpam-se, afirmando não ter razões para crer.  Daí resulta que o seguinte discurso seja comum na boca de muitos: «Se tivesse visto algum milagre, seria santo». «Esta geração perversa e infiel pretende um sinal» e os maus desejam ver milagres.       

O mais espantoso é que, tendo visto tantos milagres, que ocorrem todos os dias diante dos seus olhos, estando, por assim dizer, rodeados de milagres, não deixem de continuar a procurá-los, como os escribas e os fariseus, que queriam vê-los no céu, depois de os terem visto na Terra. E nem os mortos ressuscitados em vida do Salvador, nem o eclipse do Sol aquando da sua morte os tornaram fiéis; pelo contrário, a sua inveja tornou-se mais forte por causa deles, o seu ódio mais venenoso; uma e outro ascenderam ao ponto da fúria e a sua infidelidade não foi curada. E assim acontecerá a quantos, vivendo mal, estão à espera de milagres para crer: «Ainda que alguém ressuscitasse dos mortos, não se deixariam convencer» (Lc 16, 31) [...].      

Todas as dificuldades que detêm os incrédulos, todas as contradições com que eles deparam nos dogmas da fé, tudo o que lhes aparece como contrariedades, tudo o que lhes parece novo, surpreendente, contrário ao senso comum, contrário à razão, inconcebível, impossível, todos os seus argumentos, todas as suas pretensas demonstrações, tudo isso, muito longe de me abalar, reforça-me ainda mais, torna-me inabalável na minha religião [...]. As novas dúvidas são, para mim, novas razões para crer.        

São Cláudio de la Colombière, in Reflexões cristãs      

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