sábado, 4 de julho de 2020

COVID-19 e crise da família



Se a família tivesse conservado a sua estrutura natural e tradicional, em vez de ser destruída pelas tendências modernas, a pandemia do COVID-19 não teria sido tão nociva, tanto em termos absolutos quanto em percentuais de infecção e de mortalidade. É esta a conclusão de um estudo científico – Coronavirus y Demografía en España – tornado público pelo Observatório Demográfico CEU da Universidade de San Pablo, de Madrid, liderado pelo Prof. Joaquín Leguina.  

«Trata-se de uma análise de projecção do que teria acontecido se tivéssemos mantido o número de filhos por mulher em 1976, que era de 2,8, ou seja, acima do nível de reprodução, o que permitia um crescimento positivo da população; se tivéssemos mantido a estrutura familiar da época, quando quase toda a gente era regularmente casada, e quase não havia separações nem divórcios; e se a maior parte dos idosos vivesse em casa com filhos e netos, como se fazia então», explica o Prof. Alejandro Macarrón Herrán, coordenador do projecto. 

Se em Espanha se tivessem conservado as taxas de fertilidade, de casamento e de estabilidade matrimonial de 1976, hoje o País teria vinte milhões de cidadãos a mais com menos de quarenta anos. Isso teria mudado substancialmente o curso da pandemia: «Uma população mais jovem teria taxas de infecção e de mortalidade muito mais baixas e não pesaria muito no sistema nacional de saúde, evitando, assim, o colapso dos hospitais. Para não falar do facto de que o número de hospitalizados nas RSA [1] – onde ocorreram 70% das mortes – teria sido muito mais reduzido. Teríamos mais PIB, mais hospitais e mais jovens».   

Um outro ponto interessante do estudo diz respeito à situação psicológica das pessoas. Com uma estrutura familiar como a de 1976, um número reduzido de espanhóis teria passado a quarentena em solidão. Em 1976, apenas 2% moravam sozinhos. Hoje, tal percentual subiu para 11%. Quase cinco milhões de espanhóis passaram a quarentena em solidão, uma bomba-relógico de problemas psicológicos que agora começam a surgir.       

Por outro lado, está cientificamente comprovado que uma família numerosa e bem estruturada gere muito melhor este tipo de situações. O estudo da Universidade CEU San Pablo conclui: «Se as famílias espanholas fossem as de 1976, a sociedade como tal teria suportado muito melhor o impacto da pandemia: do trabalho à distância ao apoio entre os membros e à educação dos filhos».   

Em declarações à margem do estudo académico, o Prof. Macarrón recordou como «uma demografia saudável é o fundamento de uma sociedade saudável. A sociedade espanhola deve tomar consciência deste problema. Uma das nossas principais preocupações deveria ser a taxa de natalidade. Precisamos de estudar o que fazer para motivar as famílias a terem mais filhos: redução de impostos, medidas económicas de apoio à maternidade e à família, ajudas às empresas para favorecer a maternidade e assim por diante. Por outro lado, devemos repensar a política do aborto e dos contraceptivos gratuitos, além de estudar porquê que as pessoas têm medo do matrimónio e da parentalidade».     

Desde 1976, a Espanha – e não apenas sob governos socialistas – aprovou leis que favorecem os casais de facto, em vez de os regularmente casados, e facilitou a separação e o divórcio. O exacto oposto do que deveria ter feito. Isto é visível, por exemplo, no mercado de trabalho. De acordo com o Prof. Macarrón, «o Estado castiga as mulheres que escolhem ter filhos. Os incentivos fiscais só funcionam para as mulheres que trabalham. Isto é discriminatório. O Estado deveria ser, pelo menos, neutro».   

«O suicídio demográfico está a acelerar», adverte o docente de demografia: «Nos últimos anos, diminuíram o número de filhos por cada mulher e o número de mulheres que têm filhos. Se não fizermos algo, seremos vítimas de uma espiral de morte que nos levará ao suicídio demográfico. Diferentemente da economia, esta deterioração não é explosiva e, portanto, não a percebemos facilmente e não adoptamos medidas para contê-la. É um cancro que, gradualmente, está a devorar a nossa sociedade».        

Palavras sensatas que, precisamente por esse motivo, duvido que encontrem espaço nos jornais italianos.   

Julio Loredo      

Através de Fatima Oggi 



[1] Unidades não-hospitalares dedicadas ao acolhimento de pessoas dependentes.

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