quinta-feira, 25 de junho de 2020

Viver assentes na rocha da fé


O justo, ou seja, aquele que, no Baptismo, se revestiu do homem novo, criado na justiça, vive, enquanto justo, da fé, da luz que lhe confere o sacramento da iluminação. Quanto mais vive da fé, mais vive uma verdadeira vida sobrenatural, mais realiza em si a perfeição da sua adopção divina. Reparai bem na expressão “ex fide”: o que quer ela dizer exactamente? Quer dizer que a fé deve estar na raiz de todos os nossos actos, de toda a nossa vida. Há almas que vivem “com fé”, “cum fide”; têm fé e não se pode negar que a pratiquem, mas só se recordam eficazmente da sua fé em determinadas ocasiões [...].

Quando, porém, a fé é viva, forte e ardente, quando vivemos de fé, ou seja, quando nos orientamos em tudo pelos princípios da fé, quando a fé se encontra na raiz de todas as nossas acções e é o princípio interior de toda a nossa actividade, nessa altura, tornamo-nos fortes e estáveis, a despeito de todas as dificuldades, contrariedades e tentações que possamos sentir. E porquê? Porque, pela fé, julgamos todas as coisas como Deus as vê, as julga e as avalia, participando da infalibilidade, da imutabilidade e da estabilidade divinas.

É precisamente isso que Nosso Senhor nos diz: «Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática», ou seja, que vive da fé, «é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque», acrescenta Jesus, «estava fundada sobre a rocha».

Beato Columba Marmion, in A nossa fé, vitória sobre o mundo

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