domingo, 31 de maio de 2020

Comentário ao Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (XXXII)


O Tratado da Verdadeira Devoção conclui-se com a exposição das práticas interiores para aqueles que, através da escravidão a Maria, desejam alcançar uma maior perfeição. As práticas interiores da verdadeira devoção, explica São Luís, consistem em «praticar todas as nossas acções por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de mais perfeitamente as praticar por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, em Jesus Cristo e para Jesus Cristo» (n. 257).   

É necessário, antes de tudo, praticar todas as nossas acções por Maria, renunciando ao espírito e à nossa vontade, confiando-nos ao espírito de Maria, para sermos guiados por ela e da maneira que ela quiser (nn. 258-259). Para agir através de Maria, devemos fazer preceder todas as nossas orações e acções de uma breve elevação da mente e do coração, um acto de oferecimento como as palavras dirigidas a Maria: Totus tuus ego sum. Quanto mais se repetir este acto de oferecimento, mais nos santificaremos e alcançaremos a união com Jesus e Maria.                       

É necessário praticar todas as nossas acções com Maria: «Isto significa que, em todas as nossas acções, devemos ter os olhos postos em Maria como aquele modelo acabado de toda a virtude e perfeição que o Espírito Santo formou em alguém que era simplesmente criatura, a fim de que a imitássemos na medida das nossas pequenas capacidades» (n. 260). Maria, disse o santo n. 219, é forma Dei, modelo divino: os santos são modelados em Maria, como Maria é modelada em Deus. É preciso, portanto, lançar-se em Maria para se formar na sua forma. É por isso que devemos meditar muitas vezes na sua fé, na sua humildade, na sua pureza, para imitá-la e segui-la.          

É preciso praticar todas as nossas acções em Maria. Para fazê-lo, afirma o santo, devemos entender que Maria é o verdadeiro paraíso terrestre do novo Adão, como já explicou no número 18 do Tratado. Pensemos em Maria como um lugar, um santuário, um templo guardado pelo Espírito Santo. Só se pode entrar neste lugar por uma graça particular do Espírito Santo, que deve ser merecida. Se se obtém a graça de entrar, permaneçamos com confiança. Quem habita no seio de Maria deve estar tranquilo e confiante, porque nenhum dos nossos inimigos, o demónio, o mundo e o pecado, entrará neste lugar e «os que permanecem na Santíssima Virgem em espírito, nunca cometerão pecados de maior» (n. 264). 

Finalmente, é preciso praticar todas as nossas acções para Maria, «não que a tomemos por fim último dos nossos serviços, que é tão-só Jesus Cristo, mas por fim próximo e meio misterioso e de fácil acesso para irmos até Ele» (n. 265).        

É o tema de toda a obra de Montfort: ir a Jesus por meio de Maria. «Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo e é também por ela que deve reinar no mundo», disse no primeiro número do Tratado. Temos a missão de tornar Maria conhecida e de combater em seu nome para que ela reine com Jesus nos nossos corações e na sociedade. Por conseguinte, conclui o santo, não devemos permanecer ociosos: «É mister defender os seus privilégios quando lhos disputam; amparar a sua glória quando a atacam; atrair todo o mundo, se pudermos, ao seu serviço e a esta devoção verdadeira e sólida; falar e gritar contra aqueles que abusam da sua devoção para ultrajar o seu Filho e, ao mesmo tempo, firmar esta devoção» (n. 265).            

São as últimas palavras do Tratado em que São Luís Maria Grignion de Montfort atribui como fim aos seus apóstolos a propagação e o estabelecimento da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria.       

Foi o que tentámos fazer no nosso pouco e pedimos uma oração por nós àqueles que tiveram a paciência de nos seguir. Assim seja.          

Roberto de Mattei

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