segunda-feira, 1 de junho de 2020

«As Conferências Episcopais, neste campo, exercem uma autoridade abusiva»



O Dies Iræ publica, em exclusivo e com autorização do remetente, uma carta que, na Vigília de Pentecostes, o Arcebispo Carlo Maria Viganò dirigiu ao redactor da página e que também deve servir de consolo a todos os fiéis portugueses.        

Caríssimo,   

Fico profundamente triste ao saber que, também em Portugal, o Episcopado decidiu acompanhar as inadmissíveis reivindicações da Autoridade pública, impondo que o Santíssimo Sacramento seja colocado nas mãos dos fiéis como única maneira para comungar.           

Como sabe, apenas as mãos consagradas do sacerdote podem tocar a Santíssima Eucaristia, e não consta que o uso tradicional de administrar a Comunhão ao fiel pondo-lhe a Sagrada Hóstia na boca possa implicar o risco de contágio, admitindo, mas sem garantir, que o vírus ainda esteja difundido e que seja efectivamente perigoso quando transmitido. A narrativa dos media parece ser desmentida pela realidade dos factos e, mais cedo ou mais tarde, a Autoridade terá que responder pelas medidas injustificadas que foram adoptadas em toda a parte com grandes danos para a economia e o bem público.    

É ainda mais grave que, diante de um claro abuso, a Autoridade eclesiástica tenha seguido as instruções do Governo, preferindo conformar-se a uma questão opinável que implica, outrossim, a profanação das Sagradas Espécies. Cada sacerdote, em consciência, é obrigado a seguir a grave obrigação de administrar a Santa Comunhão na boca e o próprio fiel deve absolutamente fazer o mesmo. Se tal não for possível, o sacerdote é obrigado a recusar-se a administrar a Comunhão na mão e o fiel a recebê-la.      

O que lhe confirmo com esta carta é algo conhecido, diante do qual a Santa Sé deveria manifestar-se; duvido, todavia, que a Congregação para a Disciplina dos Sacramentos ousará recordar o direito de o fiel comungar de acordo com o uso tradicional. Deve ficar claro que a norma vigente, como tudo aquilo que diz respeito à liturgia reformada, é também censurável: a norma recorda o direito de quem comunga, mas não o direito de o ministro não administrar a Comunhão nas mãos, e o dever de fazê-lo mesmo contra o direito positivo em conflito com a lei divina. 

Apraz-me recordar o que recentemente foi expresso pelo P. Alfredo M. Morselli: «A Sagrada Comunhão na mão foi introduzida com o engano; Paulo VI concedera o indulto apenas àqueles países em que uma prática ilícita consolidada teria questionado o princípio da autoridade com uma conclamada revolta. Para os modernistas, foi o pé na porta, a gazua para arrombar a porta. E o que entra com o engano não pode ser obra do Espírito Santo».

O Cardeal Sarah pronunciou-se sobre a questão nas últimas semanas, em algum artigo ou declaração, mas, segundo me consta, não de forma autoritária, sem comprometer a sua autoridade de Prefeito da Congregação para o Culto Divino. Quanto às Conferências Episcopais, deve-se recordar que, neste campo, exercem uma autoridade abusiva, desafiando a constituição divina da Igreja, que reconhece a jurisdição apenas aos Bispos e, acima deles, ao Romano Pontífice.     

Garanto-lhe as minhas orações e o meu apoio na dura batalha que, como leigos, sois chamados a enfrentar. Multipliquemos as penitências e os sacrifícios pro libertate et exsaltatione Sanctae Matris Ecclesiae, aplicando-os pela expiação dos sacrilégios realizados pelos Ministros Sagrados. Como sempre, confio-me às suas orações, enquanto, de todo o coração, o abençoo, desejando-lhe uma santa festa de Pentecostes.           

Carlo Maria Viganò, Arcebispo          

30 de Maio de 2020        
Vigília de Pentecostes

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