segunda-feira, 1 de junho de 2020

«A crise presente é a metástase do cancro conciliar» – Mons. Viganò



A pedido do Arcebispo Carlo Maria Viganò, o Dies Iræ traduz e publica, em exclusivo para Língua Portuguesa, uma troca de cartas entre Sua Excelência Reverendíssima e uma monja de clausura sobre a crise presente que assola a Santa Igreja e o mundo.
Veni, Sancte Spiritus, et emitte caelitus lucis tuae radium!

Novena de Pentecostes 2020

Monsenhor Carlo Viganò, Excelência Reverendíssima,

Sou uma monja de clausura e escrevo-lhe depois de uma conversa com o nosso director espiritual. A nossa conversa foi sobre o último “Apelo” que correu o mundo para despertar as consciências do perigo iminente que nos está a perseguir por trás da máscara da emergência “coronavírus”. E é interessante constatar que até mesmo os não crentes estão alarmados com este caminho despótico. A situação é cada vez mais avassaladora, certamente, mas a estratégia usada por Bergoglio e as suas forças aliadas diz respeito a uma técnica de isolamento e desintegração de qualquer grupo que possa formar uma contra-força. Chamo-lhe “contra-força” porque a palavra “resistência” me parece “humana” e um tanto insuficiente.

A curto prazo, provavelmente, a preparação para a manifestação do Anticristo será cada vez mais imposta e opressiva, mesmo para os passos que o próprio Bergoglio decidirá tomar na sua preparação. O objectivo, obviamente, é eliminar as “cabeças quentes” e subversivas que atrapalham os planos de um desenho já planificado e que não espera mais do que ser plenamente realizado. A preocupação que partilhei com o nosso director espiritual é o facto de que não há uma “contra-organização”, nem mesmo dentro da “Igreja verdadeira”, como uma espécie de possível “Igreja clandestina” capaz de se mover de maneira coordenada quanto seja possível. Os próximos passos serão, de facto, específicos a imobilizar qualquer rebelião, algo que será viável precisamente por esta “estratégia” (já não tão subterrânea) de isolamento e impossibilidade de acção.

Como monja de clausura, acredito em “estratégias” muito diferentes e sobrenaturais que escapam notavelmente até das forças mais organizadas e totalitárias. Mas o problema é que o tempo me parece muito curto. E, aqui, gostaria que soubesse que a nossa Madre Abadessa costuma ler-nos, à mesa, as suas intervenções lúcidas e bem delineadas. Quando se ouve a voz da rectidão e do amor por Cristo e pela Sua Igreja, não se pode não reconhecê-la.

O director espiritual sugeriu-me que lhe comunicasse estas reflexões, encorajando-o a seguir em frente. Digo-lhe imediatamente que não sou uma mística e muito menos uma santa, mas faço-me voz de muitas outras vozes silenciosas da Igreja, recordando-lhe que não está só e que a luta apenas começou.

Olhando para as subscrições do Apelo, parece-me que há tantas possibilidades de trabalhar precisamente para uma coordenação, um “avançar juntos” como pequeno exército da Imaculada (...e incluo também os não crentes como “potencialidade” do mesmo exército, mesmo que inconscientemente). Se S. Maximiliano Maria Kolbe chamava a Nossa Senhora “a sempre vitoriosa”, também é verdade que, na Bula de Pio IX, é autorizadamente chamada de “a eterna inimiga” do diabo. E Vossa Excelência sabe melhor do que eu que a batalha a que me refiro é precisamente esta: o que está verdadeiramente em jogo é a salvação eterna de muitas almas.

Eis que estas pobres linhas querem ser um pequeno incentivo para não desistir e continuar também numa acção de diálogo construtivo com aqueles “poucos”, mas bons, bispos e religiosos que sofrem pelos mesmos motivos. Muitas poderiam ser as inspirações do Espírito Santo nestas almas de estreita colaboração. No que respeita, pelo contrário, às calúnias, aos mal-entendidos e aos vários personalismos que fazem sofrer, são tudo coisas que Vossa Excelência conheceu de perto e representam as pedras preciosas colocadas na coroa que o espera... mas é uma “coroa” ainda não completa: a própria Imaculada quer fixar-lhe as pedras mais preciosas.

Gostaria de concluir com uma referência ao famoso milagre atribuído a Santa Clara que fez com que os sarracenos, já sobre as paredes do mosteiro, fugissem sem mais voltar. Pois bem, o milagre aconteceu pela fé daquela que foi definida como a mais fiel “Pegada da Mãe de Deus” e precisamente em virtude do seu amor pelo Santíssimo Sacramento, verdadeira Luz contra qualquer escuridão. Digo isto porque são “estas” as “forças” em que confiamos e que são temidas pelos inimigos. O milagre aconteceu só no limite, quando as esperanças humanas já eram nulas. Se o Triunfo do Imaculado Coração não está distante, agora é o tempo da batalha e a nossa Chefe e Co-Redentora quer-nos ver lutar, sofrer e implorar a Sua Vitória, que já está às portas.

Agradeço-lhe por ter me ouvido pacientemente e peço-lhe humildemente a sua bênção, também para toda a comunidade. Recorde-me na sua Santa Missa quotidiana.

In Corde Matris.   

Carta assinada por uma monja de clausura         

***
29 de Maio de 2020
São Virgílio, Bispo e Mártir

Cara Irmã,

Agradeço-lhe muito pela sua carta, que li com viva participação. Partilho plenamente a sua visão nítida e realista da presente situação de crise que envolve a Igreja e o mundo.

Com um olhar sobrenatural, corroborado pela Sagrada Escritura e pelas várias mensagens de Nossa Senhora, podemos compreender que, neste momento, se vê com maior clareza a real dimensão do confronto épico entre o Bem e o Mal, entre os filhos da Luz e os filhos das trevas. Aquilo que nos deixa verdadeiramente escandalizados é ver como os líderes da Hierarquia se estão a colocar abertamente ao serviço do príncipe deste mundo, fazendo suas as exigências onusianas do mundialismo globalista, da fraternidade maçónica, do ecologismo malthusiano, do imigracionismo... Prepara-se uma única religião mundial, sem dogmas e sem moral, segundo os desejos da Maçonaria: é evidente que Bergoglio, e quem está por trás dele e o apoia, ambiciona a presidência desta infernal paródia da Igreja de Cristo.

Terá notado, cara Irmã, a insistência de muitos Prelados e dos media católicos sobre a suposta necessidade de uma Nova Ordem Mundial: falaram sobre isso Cardeais e Bispos, La Civiltà Cattolica e Vatican News, Avvenire e L’Osservatore Romano, com a arrogância de quem sabe que pode dizer coisas inauditas graças à protecção de que desfruta. Mas muito pouca, vendo bem, é a organização dos ímpios, a sua capacidade de se mover e de agir, a sua habilidade no dissimular: estão tão seguros de ter atingido os seus objectivos que, com arrogância e ostentação, revelaram abertamente as suas intenções, deixando de lado a prudência e a astúcia que, noutros momentos, lhes permitiu tê-los escondidos. Eis assim descobertos os defensores do governo mundial e as elites que querem impor aos povos a sua tirania; eis que é descoberto, com eles, também quem se presta como braço religioso de um neopaganismo definido por alguns como green apostasy. Sabemos quem são, o que move as suas acções e quais são os seus fins: por trás deles está sempre o príncipe deste mundo, contra quem a Rainha das Vitórias guia as nossas destruidoras milícias, juntamente com as muito mais terríveis multidões celestes. Mas tendo já nós escolhido em que campo tomaremos partido, não devemos temer, pois Nosso Senhor já venceu, oferecendo-nos a preciosa oportunidade de entrelaçar, nestes dias apocalípticos, uma coroa especial.

Acredito que o ponto imprescindível para conduzir eficazmente uma batalha espiritual, doutrinária e moral contra os inimigos de Cristo seja a persuasão de que a crise presente é a metástase do cancro conciliar: sem ter compreendido a relação de causalidade entre o Vaticano II e as suas lógicas e necessárias consequências nos últimos sessenta anos, não será possível retrazer o leme da Igreja na direcção da rota traçada pelo divino Timoneiro e mantida durante dois mil anos. Catequizaram-nos por décadas com aquele odioso “não se volta atrás” sobre a liturgia, sobre a fé, sobre a moral, sobre a penitência, sobre a ascese: hoje ouvimos as mesmas expressões servilmente propostas também na esfera civil quando se tenta doutrinar as massas de que “nada será como antes”. Modernismo e COVID-19 estão unidos pela mesma marca e, para aqueles que têm um olhar para o transcendente, não é difícil compreender que o terror de quantos nos querem fazer crer que a corrida para o abismo é inevitável e imparável consiste em não lhes dar crédito, em ignorá-los, em desmascarar a sua conspiração. Esta é, hoje, a nossa missão: abrir os olhos a tantas pessoas, incluindo clérigos e religiosos, que ainda não compuseram o quadro geral, limitando-se a olhar a realidade de modo parcial e decomposto. Depois de fazê-los entender o mecanismo, compreenderão tudo o resto.

Pode-se, cara Irmã, voltar atrás; podemos fazer de modo a que o bem que nos foi roubado fraudulentamente nos seja restituído: mas apenas na coerência da doutrina, sem compromissos, sem cedências, sem oportunismos. O Senhor dignar-se-á admitir-nos a tomar parte na Sua vitória, ainda que fracos e sem meios materiais, apenas se nos abandonarmos totalmente a Ele e à Sua Santíssima Mãe.

Confio-me às suas orações e às das suas Irmãs, enquanto, de coração, a abençoo e a toda a comunidade.

Carlo Maria Viganò, Arcebispo          

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