sexta-feira, 8 de maio de 2020

Comentário ao Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (IX)


In electis meis mitte radices: lança raízes entre os meus escolhidos. Estas palavras da Sagrada Escritura (Ecli 24, 12) contêm, segundo São Luís, o mistério da graça de que nos falou no número 21 do Tratado e de que mais uma vez nos fala no número 34, afirmando: «Lança raízes entre os meus escolhidos. Ó minha bem-amada e minha Esposa, lança as raízes de todas as tuas virtudes nos meus eleitos, a fim de que eles cresçam de virtude em virtude e de graça em graça. Tanta foi a complacência que em ti tive, quando vivias na terra, praticando as mais sublimes virtudes, que desejo agora encontrar-te ainda na terra, sem que deixes de estar no céu. Reproduz-te, pois, nos meus eleitos, para que Eu possa ver neles, com complacência, as raízes da tua fé inquebrantável, da tua humildade profunda, da tua mortificação universal, da tua oração sublime, da tua caridade ardente, da tua firme esperança e de todas as tuas virtudes».      

Deus quer que as virtudes que Nossa Senhora concentrou em si mesma se reproduzam nos eleitos, naqueles que têm Deus por Pai e Maria por mãe, porque Nossa Senhora, como explicou São Luís, não é apenas Virgem e Imaculada, é também fecunda e a sua fecundidade exprime-se no gerar, nutrir e criar os eleitos. Portanto, diz São Luís: «Quando Maria lança as suas raízes numa alma, opera nela maravilhas de graça que só ela pode produzir, pois só ela é a Virgem fecunda que nunca teve igual em pureza e fecundidade, e jamais terá. Maria produziu, com o Espírito Santo, a maior de todas as coisas de quantas existiram ou existirão jamais: um Homem-Deus; e, por conseguinte, será ela a produzir as maravilhas que hão-de vir nos últimos tempos. A formação e educação dos grandes santos que hão-de vir no fim do mundo, estão-lhe reservadas, pois ninguém senão esta Virgem singular e miraculosa pode produzir, em união com o Espírito Santo, coisas singulares e extraordinárias» (n. 35).          

Este ponto do Tratado é central. O olhar de São Luís torna-se profético e abraça o que ele define como os últimos tempos. Não é o fim do mundo, mas o fim de um mundo, o fim de uma época da história e o início de uma nova época: a época do reino de Jesus e de Maria na história que deve preceder a época do Anticristo e do fim do mundo.   

As primeiras palavras do seu Tratado foram: «Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo e é também por ela que deve reinar no mundo». Agora, ele explica-nos que Maria deve reinar no mundo através dos seus filhos e isso acontecerá no fim dos tempos graças a uma intervenção extraordinária do Espírito Santo, porque quando o Espírito Santo vislumbra as raízes de Maria numa alma, «voa até ela, entra nela plenamente e comunica-se a essa alma abundantemente, na mesma medida em que esta alma dá lugar em si à Sua Esposa» (n. 36).   

O reino de Jesus e de Maria é também o reino do Espírito Santo, porque em Maria e através de Maria o Espírito Santo produziu Jesus na sua primeira vinda; em Maria e através de Maria produzirá os eleitos, os grandes santos que estabelecerão o reino de Jesus e de Maria no mundo.        

A devoção ao Espírito Santo, juntamente com a devoção a Maria, caracterizará estes eleitos.  

Roberto de Mattei

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