quinta-feira, 28 de maio de 2020

Carta de Monsenhor Viganò ao Rabino Ahrens



Senhor Rabino,     

Visto que fui interpelado por causa do meu Apelo para a Igreja e para o mundo, peço oportunidade a Katholisch para lhe responder.    

Devo dizer-lhe, Dr. Ahrens, que as suas palavras me surpreendem muito quando diz: «Sabemos há algum tempo que há pessoas dentro das igrejas que aderem a tais teorias. Mas agora têm a coragem de expressar estas opiniões ainda mais abertamente». Penso que é dever de cada um de nós expressar as preocupações sobre uma situação que, aproveitando a crise do COVID-19, vai muito além das razoáveis medidas de segurança, impondo a nações inteiras a privação de liberdades constitucionais: talvez isto não tenha acontecido na Alemanha, mas certamente verificou-se em muitos Países.

Pergunto-lhe, senhor Rabino: na sua opinião, ainda é permitido expressar-se livremente ou há questões que não podem ser discutidas civilmente? Se você pode expressar a sua discordância sobre o conteúdo do Apelo, porquê que «pessoas dentro das igrejas» não deveriam ter o direito de se expressar livremente? Por que motivo acha que, para fazê-lo, é necessário «ter a coragem», como se se tratasse de delírios privados de um confronto real?

Descartar estas preocupações – também expressas por respeitáveis personalidades – como «teorias da conspiração» não me parece uma atitude construtiva: sobretudo se não se entra na substância, refutando o que se considera falso. Por conseguinte, pergunto-lhe: em quê que, em particular, não concorda com o texto do Apelo? O que é que, do Apelo, representa para si um “choque”?        

Creia-me: nunca pensei que o Apelo pudesse ofendê-lo; por outro lado, por que motivo um Rabino se deveria sentir envolvido quando se fala da Nova Ordem Mundial? O Messias que Israel espera é Rex pacificus, Princeps pacis, Pater future saeculi: não um tirano sem moral que domina o mundo submetendo os homens como escravos. Esse é o Anticristo.          

Vamos agora ao valor espiritual do COVID-19. No Antigo Testamento existem muitos exemplos de punições enviadas por Deus sobre o Povo eleito e os Profetas exortaram muitas vezes os Hebreus a abandonarem a idolatria, a não se contaminarem com os pagãos, a permanecerem fiéis ao único Deus verdadeiro. Recordo as palavras do Profeta Jeremias, depois do incêndio de Jerusalém, causado pelas tropas babilónicas, em 585 a.C.: «Os seus inimigos vivem felizes; foi o Senhor quem a castigou por causa dos seus inúmeros pecados» (Lam 1, 5).  


Esta visão, que a Igreja de Cristo partilha, mostra-nos um Deus justo e misericordioso que recompensa os bons e pune os maus; que, como um Pai amoroso, também pune os filhos desobedientes para levá-los a seguir a Sua santa Lei. Por este motivo, «transformar o negativo em positivo, transformar uma maldição numa bênção» obtém-se reconhecendo que se cometeu um pecado, que se violou a aliança com Deus e que se mereceu os Seus castigos. Assim, também a epidemia se torna uma ocasião para tornar ao Senhor, adorá-Lo no Seu templo santo, seguir os Seus preceitos.      

Houve um tempo em que, na obediência das massas, uma infernal ditadura se manchou com um crime gravíssimo, tornando-se responsável pela deportação e pela morte de milhões de pessoas inocentes apenas por causa da sua fé e da sua descendência. Mesmo assim, a grande media elogiava os poderosos e calava os seus crimes; mesmo assim, médicos e cientistas dispensaram o seu trabalho a um plano delirante de dominação; mesmo assim, quem ousou levantar a voz foi acusado de «teorias da conspiração». Teve de se esperar o fim da Segunda Guerra Mundial para se descobrir, com horror, a verdade que muitos até então tinham mantido em silêncio.

Estou seguro de que aqueles que, hoje, deslegitimam o Apelo como expressão de “conspiração” não compreendem os reais perigos aos quais está exposta toda a família humana. Mas tenho a certeza de que tanto os Católicos como todos os homens de boa vontade – e entre eles penso que também posso contar os filhos de Abraão – se preocupam com a maior glória de Deus, o respeito pela dignidade dos indivíduos, as liberdades dos povos. Beatus populus, cujus Dominus Deus ejus (Sal 143, 15).          

† Carlo Maria Viganò, Arcebispo, Núncio Apostólico  

21 de Maio de 2020        
Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

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