segunda-feira, 13 de abril de 2020

Santo Sudário: recusa e horror ao pecado



Vendo o Santo Sudário de Turim, impressiona-me a recusa e a repulsa que nele há em relação ao que está próximo. Nosso Senhor contempla-se a si próprio, olha o Padre Eterno e sabe que a seus pés se encontra Maria Santíssima – cor unum et anima una (coração e alma unidos a Ele).  

Não vejo naquelas pálpebras cerradas o menor sinal de compaixão. Tenho a impressão de que elas se cerraram em recusa e em horror ao pecado que os homens cometeram.    

Na Sagrada Face notam-se as marcas dos golpes que recebeu, os seus cabelos estão rarefeitos e desordenados. Ele foi maltratado de todos os modos. Percebe-se o seu protesto diante de tudo isso, mas também a sua dignidade.

Ele afirmara que o próprio Salomão, no auge da sua glória, não se vestiu tão esplendorosamente como os lírios do campo (Mt 6, 28-29). Eu teria vontade de dizer: “Quem era Salomão em toda a sua glória, se comparado à majestade deste Rei?”. Comparados a tal majestade, quanto são pobres e pequenos os lírios do campo! Quanto é pobre e pequeno Salomão!     

Além da recusa, também vejo nessas pálpebras cerradas uma decisão e uma incompatibilidade que arrebentou as portas da morte e as transpôs. É a matriz da incompatibilidade completa e do ódio completo. É uma lúcida, firme e serena incompatibilidade com os seus algozes; uma recusa completa de qualquer afinidade e condescendência com os seus inimigos; uma posição de quem sente tal horror ao pecado cometido, que afundou num oceano de horrores para, legítima e dignamente, recusar aqueles que activa ou passivamente participaram na Crucifixão. Esse é o estado de espírito que também nós devemos ter.                     

Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de uma conferência de 26 de Janeiro de 1980           

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