A redescoberta da liturgia tradicional em tempo de Coronavírus


Como sabemos, o Senhor também escreve nas linhas tortas e, neste tempo de isolamento eclesiástico devido à emergência do Coronavírus, sem Santas Missas públicas, baptismos, matrimónios e funerais, muitos jovens sacerdotes, tanto diocesanos como pertencentes a congregações ou ordens religiosas, aproveitam o silêncio das ruas e das igrejas para celebrar diariamente, em privado ou na presença de alguns fiéis, a Santa Missa em Vetus Ordo. Um fenómeno verdadeiramente interessante e para reflectir.          

Não bastando, sem aqui mencionar nomes, vimos a saber que os mesmos jovens sacerdotes, seja em Itália ou no exterior, fazem compras na Internet para ter paramentos litúrgicos adequados para as liturgias tradicionais e móveis sagrados em estilo clássico... que “nunca passam de moda”, e, entre eles, comunicam-se, através dos vários canais de comunicação, dando sugestões e conselhos sobre o assunto. Há mais tempo e mais espaço privado, portanto, fora dos olhos inquisitivos dos Bispos intolerantes, estes sacerdotes podem-se dedicar à Santa Missa de sempre, alinhando-lhe também uma doutrina católica em honra do mundo sobrenatural. A Providência opera quando e como quer e está sempre activa, mesmo quando se propaga um vírus que Deus permitiu para abalar os homens muito concentrados nos seus pecados veniais e mortais, e os homens da Igreja muito ocupados com as coisas deste mundo, que não se insurgem face às leis de massacre, como o aborto, e às ideologias que clamam por vingança aos olhos de Deus, como a da homossexualidade.                  

As Casas Editoras aperceberam-se disso há algum tempo e, agora, nestes dias de distanciamento social, o fenómeno intensificou-se, agita-se e desenvolve-se. A própria Livraria Editora Vaticana publica e põe em venda online o Missale romanum ex decreto SS. Concilii Tridentini restitutum summorum Pontificum cura recognitum (Editio Typica). Se não houvesse procura, não seria posto em circulação um texto que, por exemplar, custa 200€. Da mesma forma, encontra-se à venda o Missae Defunctorum, reedição do Missal de 1962 para as Santas Missas dos defuntos, impresso pela Abadia beneditina de Santa Madalena de Le Barroux.      

Na prolífica escolha de livros, encontramos identicamente o Martyrologium Romanum, o Martirológio Romano em latim, das Edições Piane, um subsídio que é frequentemente partilhado entre seminaristas e novos sacerdotes, mas não só. O gosto pelas raízes avança lentamente, em silêncio, como as árvores nas florestas. Enquanto, do lado de fora, rugem as conversas complacentes e demagógicas, mas também o caos e os delírios, os jovens apreciam o essencial da Igreja. Do mesmo modo, procuram para os seus fiéis, atraídos pelas coisas de bom gosto litúrgico, o Missal romano quotidiano, que está disponível na irmã Internet, e ainda o Missal Festivo Tradicional “SummorumPontificum”, editado pela Fede & Cultura, com o prefácio do Cardeal Darío Castrillón Hoyos. Existe ainda o Liber usualis (Edições Piane), a síntese do Gradual Romano e do Antifonário Romano, um livro que contém as partituras gregorianas do ano litúrgico: domingos, festas, férias... com encadernação rígida e 8 marcadores.       

Estão-se a formar ou a consolidar muitas amizades espirituais nestas semanas de paragem forçada, estabelecendo, à distância, contactos e relações de enriquecimento que não são indiferentes. Outrora, quando as vidas eram menos apressadas, produziam-se, de facto, correspondências belíssimas entre almas vocacionadas ao sacerdócio e à vida consagrada, algumas das quais ainda hoje constituem um corpus da literatura cristã de admirável profundidade. «O vento sopra onde quer; ouves a voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito» (Jo 3, 8).      

Cristina Siccardi          

Através de Corrispondenza Romana.

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1 Comentários

  1. Aggiungo anche che il Signore prende sempre le pietre scartate da coloro che di duro come le pietre hanno il cuore, per diffondere il fuoco dello Spirito, proprio come i ronin, i samurai che ormai senza padrone come mine vaganti, non hanno più niente da perdere, perchè tutto gli è stato tolto, e così sono liberi di lottare fino alla morte, speriamo mai però accadesse nulla di male a nessuno. Ecco, che chi vuole dire la verità che porta dentro, non teme di perdere altro che... tanto tempo, per diffondere, dialogare, studiare da persona libera e autonoma, in piena e assoluta dignità intellettuale.

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