quinta-feira, 26 de março de 2020

Se os Ministros do Sol entregam o rebanho às trevas



O Dies Irae publica, em exclusivo para Língua Portuguesa, uma mensagem do Arcebispo Carlo Maria Viganò. 


Aquilo a que estamos a assistir nestas horas é dramático; em toda a Itália, é claro, mas de um modo tragicamente exemplar em Roma, o coração da catolicidade. Um cenário que é ainda mais desconcertante quando não está somente em jogo a saúde pública, mas a salvação das almas, a eterna, de cujo desejo, há algum tempo, como pastores, deixamos de inflamar os nossos fiéis. Privamo-los de tal modo daqueles dons sobrenaturais que nos tornam capazes de enfrentar as provações terrenas, mesmo os ataques da morte, com a força da fé e com aquele suspiro de inesgotável e inabalável esperança que deriva do anseio pelo destino de glória para que fomos criados.

Os pronunciamentos da CEI[1] e as oscilações do Cardeal-Vigário de Roma, bem como as imagens surreais e assustadoras que nos chegam do Vaticano, são algumas das expressões do obscurecimento da fé que atingiu os líderes da Igreja. Os Ministros do Sol, como tanto gostava de lhes chamar Santa Catarina de Sena, provocaram o seu eclipse, entregando o rebanho às trevas de densa escuridão.                        

A propósito das disposições da CEI: quando as disposições emitidas pelo Estado ainda estavam apenas limitadas às áreas de risco, a certas práticas e em horários específicos, a Conferência Episcopal Italiana já tinha providenciado o cancelamento da totalidade das celebrações litúrgicas públicas em todas as igrejas do território, ajudando a alimentar medos e pânico e privando os fiéis do conforto indispensável dos sacramentos. É difícil não pensar que tal medida não tenha sido sugerida ao presidente da CEI por quem, protegido pelas muralhas leoninas, sonha há sete anos com uma igreja em saída, um hospital de campanha, que não hesita em abraçar a todos e a sujar-se.       

O Cardeal Bassetti[2], tão zeloso em querer parecer mais realista que o rei, parece ter-se esquecido de uma lição importantíssima: para que a Igreja preste serviço ao bem comum e ao Estado, não deve renunciar a si mesma, nem deixar de cumprir a sua missão de anunciar Cristo, nosso único Senhor e Salvador, mas deve ter cuidado para não obscurecer as suas divinas prerrogativas de Sabedoria e de Verdade e de modo algum abdicar da Autoridade que vem do Soberano dos reis da terra, Nosso Senhor Jesus Cristo.                     

Os acontecimentos eclesiais destas horas deixaram clara, se tal ainda fosse necessário, a trágica sujeição da Igreja a um Estado que age de todas as formas para destruir a identidade cristã da nossa Itália, escravizando-a a uma agenda ideológica imoral, inimiga do homem e da família, globalista, malthusiana, abortista, migracionista, que quer a destruição da Igreja e, certamente, não deseja o bem do nosso País.                               

Para remediar a ausência de uma voz autoritária e de gestos encorajadores da parte do Vigário de Cristo e dos pastores, providenciou-se a coragem e a sabedoria de alguns fervorosos sacerdotes e fiéis leigos.             

Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo! Abri, melhor, escancarai as portas das nossas igrejas para que os fiéis possam entrar, arrepender-se dos seus pecados, participar no Santo Sacrifício da Missa e recorrer ao tesouro de graças que correm do Coração trespassado de Cristo, nosso único Redentor que nos pode salvar do pecado e da morte.               

 Carlo Maria Viganò               
Arcebispo Titular de Ulpiana           
Núncio Apostólico           

Uma tradução de Dies Iræ.           



[1] Conferência Episcopal Italiana
[2] Presidente da CEI e Arcebispo de Perugia-Città della Pieve

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«Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente» (cf. 1Cor 6, 12).
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