segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Militantes!



Noutro tempo existia a “Igreja militante”, a Igreja que, nesta terra, à espera do encontro definitivo com Jesus, anunciava Jesus, vivia de Jesus, combatia por Jesus o bom combate, defendia Jesus e a ua Lei dos ataques do mundo. Mas o seu estilo tinha o sabor de “cruzada” e preferiu-se a “Igreja peregrina”, a Igreja dialogante, a Igreja ecuménica e assim por diante. O resultado deveria ser claro para todos. Quem acreditava, já não acredita (pelo menos com muita frequência). Quem não acreditava, acredita ainda menos. Igrejas e seminários estão vazios. O mundo ri-se da Igreja, que muitas vezes se tornou insignificante para o mundo.       

Parece que se deve reencontrar a “Igreja militante”. Jesus disse: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24). «Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três» (Lc 12, 51-52). «Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa» (Lc 11, 23). A vida de Jesus é o cumprimento sublime da militância que propõe aos seus: quem mais do que Ele lutou contra a mentira, a negação de Deus, contra o pecado? Quem mais do que Ele desafiou não apenas o mundo, mas os próprios líderes do seu povo, que o negavam? Declarou a Pilatos: «Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz» (Jo 18, 37). Pela verdade, pelo Pai, pela salvação dos homens seus irmãos, Jesus imolou a sua vida e convida-nos a corresponder. Jesus não procura valores comuns, Jesus não dialoga, Jesus não é ecuménico, Jesus é a Verdade: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim» (Jo 14, 6). 

A “militância”, gostemos ou não, queiramos ou não, é a lei da vida, da vida no seguimento de Jesus. É necessário ganhar o pão, lutar para ter um lugar no mundo, lutar para alcançar o Paraíso, lutar para saber, para poder, para amar. Ao meu redor, em mim, em todos os lugares antagonismo, divisão dentro e fora: filosofia contra filosofia, bandeira contra bandeira, a natureza contra a Graça, a paixão contra a razão, o mundo contra o Evangelho, Satanás contra Jesus Cristo. Quem não luta, não age, sofre e deixa de viver.                 

A luta é incessante; é de todas as idades, de todos os dias. A luta espera por nós todas as manhãs quando acordamos: é necessário superar o comodismo, dominar as nossas tendências desordenadas para servir a Deus com fidelidade, como Ele merece ser servido; romper os obstáculos para nos dedicarmos à oração e ao Santo Sacrifício, à Sagrada Comunhão com Jesus.           

A luta espera-nos nas nossas famílias para sermos fiéis uns aos outros, para superarmos o humor, o aborrecimento, as tentações das divisões, para superarmos os nossos pontos de vista, os nossos desentendimentos. A luta espera-nos nos nossos relacionamentos com os outros, para amarmos o próximo, para perdoarmos e vencermos o mal com o bem; o mundo é uma arena: quem não quer ser vencido pelos poderes do mal e das trevas, deve estar equipado como um soldado, um guerreiro no campo de batalha, revestido com a armadura Deus, como diz São Paulo (Ef 6, 13-17).    

Hoje, com a apostasia difundida, é necessário viver na luz para guardar a fé, que já ninguém guarda. O erro é ensinado até mesmo por quem deveria ser apóstolo da verdade. O que fazer? É necessário ter sempre abertos dois livros: o Evangelho e o Catecismo de São Pio X. É o suficiente para compreender onde está a Verdade e onde está o erro. Quem tem ou deseja ter uma cultura cristã-católica mais profunda, deve ler os textos de D. Columba Marmion, do P. Enrico Zoffoli, os livros de Mons. Piercarlo Landucci, o eterno “Catecismo Romano”, os livros de D. Guéranger. São apenas algumas indicações. Para nos defendermos do erro difundido, armemo-nos do Rosário a Maria Santíssima, com o qual se contempla, se vive e se reza a “Cristo nos seus mistérios” à luz e por intercessão de Maria, que sozinha venceu e continua a vencer todas as heresias do mundo inteiro. Assistamos à Santa Missa, renovação do Sacrifício da Cruz, compêndio de toda a nossa Fé.           

Se queres ser católico, és chamado a ser militante, a ser heróico, a ser santo, a ir contra a corrente não só em relação ao mundo mas também contra as posições de alguns homens da Igreja, que se tornaram, no modernismo difundido, um verdadeiro risco para a nossa fé. És chamado a lutar para defender a Verdade, que é hoje a mais alta, a maior misericórdia. Isto é: militante, com lucidez, com fortaleza, com mansidão, com respeito por toda a alma, mas sem desconsiderar a Verdade, com o estilo de São Francisco de Sales, com o estilo de Jesus manso e humilde de coração, mas capaz de afrontar a cruz.  

Aquele que é jovem em idade pode compreender. Aquele que é jovem no coração, aquele que ama a Jesus, como Ele merece ser amado, deve recomeçar a ser militante: “Vitam et sanguinem pro Christo nostro Rege”. “Sub Christo Rege regis vexilis militare gloriamur”. Estes nossos breves anos são para a luta e, depois, a honra da eternidade. Não só peregrinos. Soldados de Jesus Cristo, como os da Vendeia.       

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