sexta-feira, 5 de julho de 2019

Declaração de Monsenhor Marian Eleganti



No que respeita ao rosto da Igreja, gostaria que ela nos apresentasse o rosto de Cristo tal como foi revelado nos Evangelhos. Nesse sentido, afirmo que, na minha opinião, não existe uma Igreja “com um rosto amazónico”. Tampouco é desejável que uma determinada região do mundo imponha o seu rosto a toda a Igreja Universal: ao contrário, é o Rosto de Cristo que deve tornar-se visível em todas as culturas do mundo. Mas para que isso seja possível, essas culturas devem primeiro converter-se a Ele. O Evangelho é o sal da terra e a luz do mundo: é somente neste sentido que se justifica a existência da crítica cultural.                   

Isso também se aplica à Amazónia, que tem uma necessidade desesperada deste tipo de crítica baseada na Revelação para ser capaz de reflectir o Rosto de Cristo em vez de distorcê-lo – como, na realidade, está a fazer – por meio das ideias que surgem da sua cultura e dos seus ritos e não da fé em Cristo. O Evangelho modificou e humanizou a cultura da antiguidade no mundo mediterrâneo: o que aconteceu então e naquele contexto acontece ainda hoje em todas as outras culturas do mundo. Jesus queria que o Seu Evangelho operasse como a massa de pão, permeando e mudando o coração do homem – e, com isso, a sua cultura.                            

Não consentimos, portanto, que a situação e a ordem espiritual da verdade sejam invertidas, como se na cultura da Amazónia o Espírito Santo tivesse precedido o Evangelho e como se o Evangelho se manifestasse através da cultura indígena e não o contrário!      

Concordo com o Cardeal Brandmüller quando critica o facto de que se fale da Amazónia enquanto na realidade o objectivo não declarado é a Igreja Universal. Não é legítimo tomar decisões sobre o sacerdócio sacramental ou redefini-lo na região amazónica. Todos os concílios a partir do de Trento estabeleceram de maneira muito clara um vínculo entre a jurisdição, a autoridade e a ordenação sacerdotal, elementos que não podem ser separados se se quiser permanecer fiel à vontade dos próprios concílios. Não se pode abusar da questão feminina usando-a como um pretexto para se afastar de tal vontade e criar novos ofícios para as mulheres. A estrutura sacramental e hierárquica da Igreja não pode ser questionada. Não é possível que, apenas cinquenta anos depois do Concílio, as declarações deste último deixem de ser normativas e que se abra um laboratório experimental na Amazónia que contaminará todo o Corpo Místico da Igreja e o prejudicará gravemente.                    

O poder da ordenação (sacerdócio: munus sanctificandi; magistério: munus docendi; governo: munus regendi) não pode ser desmembrado e não pode ser limitado a algumas tarefas particulares ou a alguns actos sacramentais. Em termos teológicos, não é legítimo introduzir uma espécie de “ordenação sacerdotal adocicada” sui generis para “idosos casados”, como a que alguns já começaram a tomar em consideração.                      

Também o celibato tem um valor interno (a exclusividade do vínculo com Deus e com Cristo, respectivamente) e um valor externo (disponibilidade ilimitada para o Reino de Deus): é por isso que o próprio Jesus não se casou. O sacerdote, mais do que qualquer outro, deveria seguir prioritariamente, exclusivamente e de todo o coração o exemplo de Cristo, sem qualquer hesitação ou objecção, e assemelhar-se a Ele. Quem mais?   

Monsenhor Marian Eleganti, Bispo Auxiliar de Chur (Suíça)

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