domingo, 23 de junho de 2019

Os amigos e os inimigos de Bergoglio



A 31 de Maio, em Meca, 139 representantes de países muçulmanos assinaram a Declaração “Não à islamofobia”. O documento foi apresentado pelo Mufti da Arábia Saudita no final da XIV sessão ordinária da Organização para a Cooperação Islâmica. Na declaração afirma-se a necessidade de tutelar as diferenças culturais e religiosas para combater discursos e comportamentos islamofóbicos. Na Declaração enfatiza-se, entre outras coisas, o «estar ao lado daqueles muçulmanos que em países não-islâmicos sofrem perseguição, injustiça, coerção e agressões» (...) «apoiá-los e assumir a sua causa nos fóruns internacionais, para proteger o pleno exercício dos direitos políticos (o direito de constituir partidos islâmicos) e sociais nos seus países, e desenvolver programas e mecanismos que garantam a sua plena integração nas suas sociedades, longe de qualquer discriminação».        

Algo que a ONU, Bruxelas e não poucos governos ocidentais já acolheram há anos ao estabelecerem o crime de islamofobia. O facto de que os principais perseguidores dos cristãos são muçulmanos nem sequer é levado em consideração. Na Arábia Saudita, como noutros países muçulmanos, ainda é proibido erigir ou restaurar igrejas, é proibida a publicação de textos sagrados não-muçulmanos, é proibido mostrar o crucifixo em público, é proibido rezar mesmo dentro de casa. No Ocidente, os muçulmanos rezam nas ruas e, graças a Bergoglio, até nas igrejas. Os cristãos são considerados cidadãos de segunda. Em não poucos países muçulmanos, as mulheres não-muçulmanas, principalmente as cristãs, são sequestradas, violadas e forçadas a converter-se ao islamismo. Aos poucos missionários presentes no mundo muçulmano (não há nenhum na Arábia Saudita), é-lhes proibido usarem objectos e vestes religiosas, assim como converter os muçulmanos. Aqueles que não cumprem as leis da sharia arriscam-se a ser presos, chicoteados e decapitados.     

No mesmo dia em que os jornais publicaram a notícia sobre a declaração “Não à islamofobia”, publicou-se outra notícia, no jornal dos Bispos italianos, o Avvenire, intitulada: “Audiência. Papa Francisco aos Núncios: não aos luxos e fofocas”. Lendo o artigo percebemos que o destinatário é a clássica almôndega para ingénuos. Lamento enfatizá-lo, mas, como acontece frequentemente, os comentários do Bispo de Roma tendem mais a confundir que a esclarecer. Sobretudo porque o Catecismo é frequentemente preenchido de personalismos. Nos “mandamentos” que o Papa dirigiu aos 103 representantes pontifícios que participaram no terceiro encontro desejado pelo Bispo de Roma, realizado no Vaticano de 12 a 15 de Junho, Bergoglio disse que o Núncio tem a tarefa de interpretar «a solicitude do Romano Pontífice pelo bem do país em que exerce a sua missão; em particular, deve interessar-se com zelo pelos problemas da paz, do progresso e da colaboração dos povos, tendo em vista o bem espiritual, moral e material de toda a família humana». O oposto daquilo que afirmam os muftis muçulmanos, que, como vimos, não falam de família humana, mas apenas de respeito pelos muçulmanos onde quer que estejam.         

Para Bergoglio, o Núncio «é homem do Papa» (...) «enquanto Representante Pontifício, o Núncio não se representa a si mesmo, mas o Sucessor de Pedro e age em seu nome junto da Igreja e dos Governos, ou seja, concretiza, actua e simboliza a presença do Papa entre os fiéis e o povo». Sendo representante, «o Núncio deve continuamente actualizar-se e estudar, de modo a conhecer bem o pensamento e as instruções de quem representa (não a Sã Doutrina, mas o Papa). Também tem o dever de continuamente actualizar e informar o Papa sobre as diversas situações e as mudanças eclesiásticas e sócio-políticas do país a que foi enviado». (...) «É, portanto, inconciliável o ser Representante Pontifício com o criticar por trás o Papa, ter blogues ou até mesmo unir-se a grupos que lhe sejam hostis, assim como à Cúria e à Igreja de Roma».         

É claro que as críticas contínuas podem parecer excessivas, mas o Bispo de Roma parece fazer de tudo para provocá-las. Como acabámos de ver, enquanto os representantes muçulmanos se encontram em Meca para defender e promover o Islão, Bergoglio encontra os Núncios para se defender a si mesmo.                  

Não é necessário ser malicioso ou, como Francisco os define, «pessimistas, vitimistas e desiludidos» para relevar a política auto-referencial do Papa. Quando Pedro foi repreendido publicamente por Paulo, não se escondeu atrás do silêncio, nem o cobriu de insultos. Pedro comportou-se como verdadeiro líder da Igreja, humildemente: «Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo…» (Act 11, 4).       

Hoje, os Paulos são tratados como «velhas comadres, fomentadores de coprofagia, múmias de museus». Bergoglio não responde às perguntas e às preocupações dos católicos. Esconde-se. E, no momento oportuno, insulta e humilha quem não se curva ao seu neo-evangelho. Chegou a dizer que é «melhor viver como um ateu do que dar um contra-testemunho do ser cristão». Como se o ateu testemunhasse o bem e a rectidão evangélica. Não falemos dos ateus comunistas que mataram milhões de seres humanos. Algo que os crentes católicos «fofoqueiros», «moralistas» e «cristãos com cara de vinagre» jamais fariam, porque temem o Juízo Divino. Estamos convencidos que Bergoglio nunca se perguntou por que razão é questionado ou criticado pelos católicos, enquanto é obsequiado por laicos, muçulmanos e comunistas. Da forma como se comporta, parece mesmo estar ciente do seu verbo acatólico. Os repetidos “Dubia” que lhe chegam de todas as partes, enervam-no, por isso não dialoga e ergue as bandeiras do insulto e da vitimização. Não seria mais honesto seguir o exemplo de Cefas? «Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo…». Porquê que não o imita? Elementar, caro Watson!          

Os resultados estão diante dos nossos olhos. Enquanto o Papa tenta aniquilar a identidade dos católicos leais à Doutrina dos Santos, a rocha que sustentou a Igreja por dois mil anos, os muftis orgulham-se, ainda que discutivelmente, dos muçulmanos. Algo está errado. Somos muito suspeitosos se pensarmos que em tudo isto existe um projecto muito específico? É um programa que envolve a esquerda globalista, a maçonaria, o Vaticano, a ONU, Bruxelas e os países muçulmanos ricos? Quem pensa que sabe muito, falará de teoria da conspiração. Mas os factos dizem que, a partir de 13 de Março de 2013, o Papa tornou-se amigo dos inimigos da Igreja e inimigo de quem a apoia. Não elenco os nomes e os sobrenomes dos amigos de Bergoglio, a lista geralmente transborda de sangue, recordo apenas alguns inimigos, os mais conhecidos pelos católicos: os evangelistas São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. São Pedro, São Paulo, Santo Agostinho de Hipona, São Francisco de Assis, São Tomás de Aquino, São Bernardo de Claraval, Santa Catarina de Sena.

Agostino Nobile

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