segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fátima



Nunca Deus fez e formou senão uma inimizade, mas esta é irreconciliável e há-de durar e mesmo aumentar até o fim do mundo: entre a Santíssima Virgem e o demónio. “Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a sua descendência e a tua; ela te esmagará a cabeça e em vão armar-lhe-ás ciladas ao calcanhar”, diz Deus à serpente no Paraíso. Portanto, para obter a paz para o mundo, não recorramos ao que nos dita a carne e o sangue, mas à Celeste Medianeira de todas as graças.   

Diz Nosso Senhor que Satanás não expulsa a Satanás. Não será, assim, o comunismo que livrará o mundo dos últimos redutos de resistência do nazismo, nem o liberalismo que nos livrará do comunismo. Somente a verdade nos libertará e esta verdade não a encontramos nessas doutrinas reiteradamente condenadas pela Santa Sé infalível, mas no fiel cumprimento dos mandamentos de Deus e da Igreja, que não precisa de salvadores, mas que, pelo contrário, oferece aos povos e aos governos o único porto de salvação que é Nosso Senhor Jesus Cristo.             

Eis a mensagem de Fátima. Aparecendo àqueles três obscuros pastorinhos, quis Deus manifestar o poder do seu braço, abatendo os poderosos e exaltando os puros e humildes de coração. Para alcançar a paz para o mundo, a Celeste Medianeira de todas as graças não propôs aos homens todo um programa de assistência material ou de reajustamento de fronteiras. Para obter a paz para o mundo, a Mãe de Deus veio-nos exortar a mudar de vida e a não mais afligir com o pecado a Nosso Senhor. Para alcançar a tranquilidade que tanto almejamos neste mundo conturbado pelas misérias e pelos sofrimentos, convida-nos a Virgem Santíssima a recitar o Santo Rosário e a fazer penitência pelos nossos pecados.        

Mas, por acaso, não estamos no século do rádio e da energia atómica? E não foram aqueles os remédios que, em plena Idade Média, a Santíssima Virgem confiou ao zelo de São Domingos contra os erros e devastações dos hereges albigenses? E essas três crianças de Fátima que usam cilícios como se ainda vivessem no tempo de um São Jerónimo ou de São Francisco de Assis! Não vê, então, a Santíssima Virgem que os tempos modernos não comportam essas velharias?     Certamente, a Rainha dos Céus não se deixa levar pelos remédios e opiniões dos sábios e orgulhosos desta terra. Ela não ignora que o seu Divino Filho é o mesmo ontem, hoje e para todo o sempre. E o problema do mal e das misérias humanas prende-se àquela mesma serpente antiga, ao eterno Pai da Mentira que roubou a paz e a felicidade terrena dos nossos primeiros pais.     

E ontem, como hoje, para a conquista da paz e da concórdia entre os homens, é preciso que, inicialmente, trabalhemos para que Cristo reine nos corações. Para obtermos esta graça, volvamo-nos para nossa Rainha e Advogada.   

Maria, sobretudo nestes últimos tempos, diz o Bem-aventurado Grignion de Montfort, deve, mais que nunca, reluzir de misericórdia, de força e de graça: de misericórdia, para fazer voltar e receber amorosamente os pobres pecadores e transviados que se hão-de converter e volver à Igreja Católica; de força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos e ímpios obstinados que se hão-de rebelar de um modo terrível, para seduzir e fazer cair por meio de promessas e ameaças todos os que lhes forem contrários; deve reluzir de graça, finalmente, para animar e confortar os valentes soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, que pugnarão pelos seus interesses.              

Ultramontanos e piedosos devotos da Rainha dos Anjos, unidos ao Papa e à Santíssima Virgem, não sejamos como aquele ridículo irado administrador de Vila Nova de Ourém que, há vinte e oito anos atrás, a 13 de Agosto de 1917, prendia os três pastorinhos de Fátima, impedindo-os de ir ao encontro aprazado com a Santíssima Virgem. Não impeçamos, através dos nossos actos e da nossa malícia, que se realizem as comunicações sobrenaturais entre o Céu e a terra. Pelo contrário, tenhamos abertos os corações às moções da divina graça e não poupemos esforços e sacrifícios e orações para que, através da Santíssima Virgem, Cristo volte imperar nas nossas almas, nas nossas famílias, em todas as nações.   

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira (16 de Setembro de 1945)          

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