quarta-feira, 6 de março de 2019

Quarta-Feira de Cinzas: início da Quaresma



A Igreja abre a Quaresma com a imposição das cinzas, lembrando, assim, aos fiéis, a sua condição de mortais e vincando bem a necessidade da penitência.

Na primitiva Igreja, a programação duma penitência colectiva para os pecadores culpados de faltas graves e públicas, acompanhava o trabalho de preparação do catecúmeno para receber o Baptismo no dia de Páscoa. Ao principiar a Quaresma, o bispo benzia os cilícios e as cinzas e impunha-as aos penitentes, que durante quarenta dias expiavam as suas faltas «in cinere et cilicio», na expectativa da reconciliação sacramental de Quinta-Feira Santa. A imposição das cinzas, como hoje a conhecemos, é uma extensão e transposição da antiga penitência pública: aquilo que, inicialmente, dizia respeito somente a uma categoria de fiéis, acabou por se aplicar a todos, perdendo, em consequência, o rigor primitivo[1].        

A expiação tem a sua parte no esforço de purificação, a que a Igreja nos instiga; porém, maior ainda a da misericórdia divina. Leituras, cânticos e orações da imposição das cinzas, como as da Missa que se lhe segue, convidam-nos a implorá-la confiadamente. Este esforço prosseguirá toda a Quaresma, na esperança da Páscoa e da alegria dos resgatados.         

D. Gaspar Lefebvre, in Missal Romano Quotidiano



[1] Foi o Papa Urbano VI, no Concílio de Benevento (1091), que prescreveu a imposição das cinzas a todos os fiéis.

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